<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195</id><updated>2012-01-22T11:35:19.975-08:00</updated><title type='text'>Nada após um dia comer o outro</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>122</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-4044126529831020135</id><published>2012-01-02T07:30:00.001-08:00</published><updated>2012-01-03T22:19:37.388-08:00</updated><title type='text'>Em resumo</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-rvt-7Esx8ao/TwPt-A39jEI/AAAAAAAAAQ8/hW1kQx62AAc/s1600/fotos%2B292.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-rvt-7Esx8ao/TwPt-A39jEI/AAAAAAAAAQ8/hW1kQx62AAc/s320/fotos%2B292.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5693656003568831554" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Um dos clichês usados por quem escreve é não dizer logo o objetivo do texto. Em vez de escrever de cara "hoje descobri que sou filho adotivo", o sujeito vai embromando, embromando, e só no fim faz a grande revelação, de preferência numa cena em que o pai, moribundo, confessa o terrível segredo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso não quer dizer que um texto NÃO precise ter clímax. Sou a favor do clímax. Mas são coisas diferentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso também não quer dizer que um texto PRECISE ter clímax. Há textos que se sustentam só no clima, sem o "x". Posso estar completamente enganado, mas, puxando pela minha mente cansada, um cara que me parece o rei do clima é o Henry James, um americano que eu sempre achei que fosse inglês e depois descobri que era americano, mas se naturalizou inglês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer dizer, às vezes o importante está no meio. Mas fazer isso me parece ainda mais difícil. Estou citando tudo de memória, mas acho que o "Relógio do hospital", conto do Graciliano Ramos, também entraria nessa categoria. O texto fala do quê? Dum paciente convalescendo num leito de hospital, com o tempo se arrastando, marcado pelas batidas do relógio da enfermaria, custosas como "mijadinhas blenorrágicas" (viajei, mas essa expressão é do Graciliano, sim, só que de outro texto).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A explicação deve estar na arte do negócio. Não sou eu que vou saber explicar, quem quiser pode, por exemplo, recorrer a "O que é arte?", do Tolstói, que, confesso, achei meio palavroso. Talvez seja mais fácil perceber quando a arte está em falta. Outro dia levei um susto porque um fulano de tal se apresentou como escritor. A explicação era a seguinte: ele era escritor porque... escrevia. Até publicou livro! Fulano de tal escreve bem, mas falta alguma coisa. Não é a relevância do tema, a exposição precisa das idéias, a correção da língua... Tudo isso está lá. Mas falta aquele negócio que faz dum texto algo mais que um texto. Acho que falta arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um negócio que eu não gosto muito é de invenção. Tenho implicância. O recado que me parece dar é o seguinte: a mensagem que eu preciso passar é tão original que o idioma estabelecido não tem capacidade de expressá-la adequadamente. Tá bom. Depois, não vejo por que complicar se se pode simplificar. Mas já achei sensacionais livros que, se não me engano, têm lá a sua dose de invenção, como "Desabrigo", do Antonio Fraga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumindo: se você não sabe como terminar um texto, uma opção é começar uma frase com "resumindo" e escrever qualquer coisa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-4044126529831020135?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/4044126529831020135/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=4044126529831020135' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/4044126529831020135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/4044126529831020135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2012/01/em-resumo.html' title='Em resumo'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-rvt-7Esx8ao/TwPt-A39jEI/AAAAAAAAAQ8/hW1kQx62AAc/s72-c/fotos%2B292.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-2897341372120696607</id><published>2012-01-02T05:31:00.000-08:00</published><updated>2012-01-02T07:29:58.974-08:00</updated><title type='text'>Nada a invejar</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-wKG76UpKEjc/TwHIcpblTeI/AAAAAAAAAQw/1kShMtvQFXA/s1600/KN.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 214px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-wKG76UpKEjc/TwHIcpblTeI/AAAAAAAAAQw/1kShMtvQFXA/s320/KN.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5693051798456454626" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As imagens de histeria coletiva registradas na Coreia da Norte após o ditador de lá bater as botas me lembraram um dos melhores livros que li em 2011, o "Nothing to envy, ordinary lives in North Korea", da Barbara Demick. Quando em 1994 morreu o Kim Il-sung, o Grande Marechal, pai do atual defunto, a histeria também foi generalizada. Quem não conseguia chorar se virava como podia, não importava a idade. Uma professora ficou preocupada com os berros de uma aluna, achou que ela estava prestes a enfartar. A bichinha uivava mais alto que seus coleguinhas, cuspia nas mãos e passava no rosto. Por que isso?, perguntou a professora. Minha mãe me disse que se não chorar eu sou uma pessoa ruim, a garota explicou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todo o país, havia então 34 mil estátuas do Kim Il-sung. A população começou a ir prestar suas homenagens diante das estátuas. Só uma cidade tinha 25 delas, mas isso era pouco diante de tanta gente enlutada. E o que parecia ter começado de forma espontânea logo se tornou um campeonato pra ver quem chorava mais alto e mostrava de forma mais desesperada a sua dor. Tudo devidamente acompanhado pela TV estatal. Pelas ruas, era grande o empurra-empurra. As pessoas desmaiavam, rasgavam as roupas, socavam o ar, batiam suas cabeças nas árvores. A TV mostrava horas e horas dessas cenas, além de marinheiros batendo suas cabeças nos mastros dos barcos e pilotos chorando a catadupas em seus cockpits. Não se podia usar chapéu, maquiagem, nem beber, dançar ou ouvir música. O gigantesco sistema de vigilância do cidadão comum se encarregava de vigiar quantas vezes as pessoas iam até a estátua do grande líder, como agiam e até suas expressões faciais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O culto à figura do Grande Líder, do Pai, começa cedo e inclui, em cada grande escola do ciclo elementar, uma sala dedicada especialmente ao estudo da vida da criatura. É uma sala mais bem aquecida que as outras da escola e deve estar sempre imaculada. Para isso, há fiscalizações frequentes feitas por agentes do Partido dos Trabalhadores. Para entrar nesse santuário, as crianças tiram os sapatos. Depois, devem guardar absoluto silêncio e se curvar três vezes, dizendo "Obrigado, Pai".&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Como todas as "boas" ditaduras do gênero, a da Coreia do Norte também impôs uma grande fome ao seu povo, ao entrar na aventura nuclear e a despeito de toda a ajuda humanitária do Ocidente. A estimativa é de que de 600 mil a dois milhões de pessoas tenham morrido por causa da fome, ou até 10% da população. Embora em números absolutos não tenha chegado perto da grande fome na China, que, entre 1958 e 1962, matou 30 milhões de pessoas, também houve relatos de canibalismo e outras cenas medonhas. Muitos dos víveres entregues como ajuda humanitária iam parar no mercado negro, ainda com as embalagens de procedência. O governo aceitava a ajuda, mas restringia a atuação de representantes de agências humanitárias, ou seja, repelia qualquer tipo de fiscalização. Um estudo de 2003 de organismos da ONU concluiu que 42% das crianças norte-coroeanas ficaram permanentemente afetadas pela fome, com sinais como cabeça grande e pernas mal desenvolvidas. A falta de comida produziu uma geração de órfãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As monstruosidades não param por aí: pra aspirar a ter algum tipo de ascensão, os norte-coreanos devem entrar no Partido dos Trabalhadores. Mas isso não é tarefa simples, porque o indigitado Kim Il-sung, combinando confucionismo com stalisnimo, criou uma espécie de sistema de castas, que pôs a ele e à sua família no alto da pirâmide social. Dali pra baixo são 51 categorias, agrupadas em três grandes classes, entre elas a que fica lá embaixo, a classe hostil, que inclui os execrados de sempre, como as putas, além dos politicamente suspeitos, os de "sangue impuro". E quem são esses? Descedentes de antigos fazendeiros, de japoneses, de gente que frequentava a igreja, que tinha parentes na China etc. Tudo gente que recebia uma dose de vigilância extra devido a esse histórico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos personagens de "sangue impuro" retratados no livro, uma médica, após anos de trabalho pesado e privações, decide fugir depois de descobrir que vinha sendo mantida sob vigilância especial e concluir que jamais conseguiria entrar pro partido. Ela foge pra China, cruzando um rio semicongelado. Morrendo de frio, começa a procurar abrigo e consegue entrar numa casa cujo portão estava aberto. No chão, vê uma tigela de arroz com pedaços de carne. Até então, ela ainda tinha esperança de que a Coreia do Norte fosse o melhor país do mundo, como dizia a propaganda, ou que pelo menos a China fosse tão pobre como a Coreia do Norte. Mas logo a realidade se impôs: na China, até os cachorros comiam melhor do que um médico na Coreia do Norte. E ela mesma já nem sem lembrava mais de quando vira pela última vez uma tigela de arroz branco puro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os norte-coreanos, chegar à China era como chegar ao paraíso: as pessoas comiam arroz todo dia, tinham acesso a bens como liquidificador e geladeira. Agentes norte-coreanos se infiltravam na população de cidades chinesas na fronteira para capturar fugitivos. Numa só operação, por exemplo, chegaram a prender oito mil norte-coreanas. Mas se os fugitivos passassem um bom tempo na China, já não era tão fácil detectá-los, pelo menos apenas pela checagem visual, pois eles engordavam e passavam a usar as roupas chinesas. Assim como há os coyotes mexicanos, também na Coreia do Norte surgiu um mercado pros contrabandistas de seres humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma foto de satélite é um impressionante retrato de um país onde falta tudo, onde vendedores de DVDs piratas e ladrões de fios de cobre são executados como traidores. A imagem mostra as duas Coreias à noite: a do Sul tem vários pontos iluminados; a do Norte está mergulhada na escuridão, com apenas um ponto iluminado, a capital do país. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Nada a invejar", o título do livro - que possivelmente jamais será publicado no Brasil -, remete a uma canção ensinada às crianças na escola: "Nosso Pai, nós não temos nada a invejar no mundo/ Nossa casa está protegida pelo Partido dos Trabalhadores/ Nós somos todos irmãos e irmãs/ Mesmo se um mar de fogo vier para cima de nós, doces crianças, não tenham medo/ Nosso Pai está aqui/ Nós não temos nada a invejar neste mundo".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-2897341372120696607?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/2897341372120696607/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=2897341372120696607' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/2897341372120696607'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/2897341372120696607'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2012/01/nada-invejar.html' title='Nada a invejar'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-wKG76UpKEjc/TwHIcpblTeI/AAAAAAAAAQw/1kShMtvQFXA/s72-c/KN.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-8810768874417092026</id><published>2011-07-25T07:40:00.000-07:00</published><updated>2011-07-25T08:07:46.014-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;iframe width="425" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/FUS8r-qAiHs" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-8810768874417092026?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/8810768874417092026/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=8810768874417092026' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/8810768874417092026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/8810768874417092026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2011/07/blog-post.html' title=''/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/FUS8r-qAiHs/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-1100333265755154284</id><published>2011-05-17T21:49:00.001-07:00</published><updated>2011-05-21T06:43:51.586-07:00</updated><title type='text'>Terra nova</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-wAZ9N5UqIXU/Tb4CsBLd_nI/AAAAAAAAAPM/8skb01lqcoE/s1600/Turnpike_Service_Plaza500x333.jpg"&gt;&lt;img style="float:center; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-wAZ9N5UqIXU/Tb4CsBLd_nI/AAAAAAAAAPM/8skb01lqcoE/s320/Turnpike_Service_Plaza500x333.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5601917941749513842" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;photo courtesy of www.seefloridago.com&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava numa parada numa estrada na Flórida, quando uma mulher me abordou, falando em espanhol, me pedindo pra tirar uma foto dela. Perguntei que cenário ela queria e a resposta foi um gesto largo, mostrando o lugar, que não tem a menor graça, claro, é só um prédio com estacionamento em volta e um posto de gasolina. Tirei a foto e ela me agradeceu com um sorriso franco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher deveria estar chegando aos 30 e o que posso dizer é que estava muito feliz. Uma etapa havia sido cumprida. Comecei então a fantasiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem faz questão de tirar uma foto numa parada no meio do nada numa terra estrangeira? Alguém que decidiu sair de seu país, evidentemente, e tentar uma vida melhor em outro. A foto seria enviada por email aos parentes em sua terra natal, com uma inscrição do tipo: "Eu, numa parada de ônibus na Flórida, a caminho de tal lugar, onde já tenho acomodações e emprego garantidos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segui viagem pela estrada e pela imaginação. Como seriam os seus primeitos tempos? Ela viveria dividida entre o novo e o antigo país. Tentaria manter bem estreitos os laços com a família e os amigos. Escreveria longos emails. Numa noite, choraria ao ler uma mensagem banal de uma amiga. Ela sentiria falta de um determinado tipo de biscoito e o receberia pelo correio. Sentiria falta da música do seu país, mas aí era só acessar a internet. Ficaria deprimida com os dias mais curtos, o vento gelado. "Eu não vou conseguir", pensaria constantemente. Pra onde olhasse, veria obstáculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela se magoaria profundamente com comentários xenófobos e ao ser maltratada pelos locais. Sentiria falta do seu banheiro. Mas aí a minha mulher me interrompe, dizendo que isso é obssessão minha, ninguém sente falta do banheiro quando emigra. Bom, a fantasia é minha e eu digo que ela sentiria, sim, falta do banheiro, incluindo o vaso, que no novo país tem altura e forma diferentes dos modelos da sua terra natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passados alguns meses, ela se sentiria mais confortável com a língua do novo país, mas se ressentiria de não entender direito os códigos não escritos daquele povo. Os emails pra casa se tornariam menores, menos detalhados, e seriam escritos com menor espanto. Ela começaria a esquecer nomes de antigos amigos. Teria o primeiro sonho no novo idioma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passado mais algum tempo, ela se espantaria com o sotaque de um parente que a visitaria. Então era assim que eu falava? Mas a gente não tinha sotaque! Ela notaria, sem saber expressar isso direito, que as estações passavam de forma diferente, que a luz daquele lugar tinha um brilho diverso. Ela veria beleza na noite e apreciaria o vento gelado no rosto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela trabalharia num supermercado com um grupo de conterrâneos e, num certo dia, um cliente faria uma observação racista. Ela gritaria pra que alguém chamasse a polícia, sendo prontamente atendida, e o cara fugiria correndo, mas ainda berraria "go back to your country you fucking monkeys!". Ela riria com seus colegas de trabalho, que começariam a imitar macaco, coçando a cabeça e descascando bananas. Duas clientes se ofereceriam como testemunhas no caso de um possível inquérito. Ela voltaria pra casa com a certeza de que fizera a escolha certa. Acordaria no meio da madrugada sobressaltada, insegura quanto à possibilidade de viver o resto dos seus dias numa terra estrangeria, prometeria a si mesma voltar assim que fosse possível. Pegaria no sono de novo e acordaria otimista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela engravidaria e faria um aborto. Faria a primeira viagem da sua vida por lazer. Mandaria dinheiro pros pais. E passagens pra que eles a visitassem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adiaria a volta pra casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-1100333265755154284?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/1100333265755154284/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=1100333265755154284' title='13 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/1100333265755154284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/1100333265755154284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2011/05/terra-nova_17.html' title='Terra nova'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-wAZ9N5UqIXU/Tb4CsBLd_nI/AAAAAAAAAPM/8skb01lqcoE/s72-c/Turnpike_Service_Plaza500x333.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-2807459571170109021</id><published>2011-05-15T17:32:00.001-07:00</published><updated>2011-05-15T20:02:37.309-07:00</updated><title type='text'>Obsessão</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-T1tVIAauL28/TdB7gEFxBTI/AAAAAAAAAQk/RNNAoXWUveg/s1600/Nova%2BYork%2Bcom%2BRaquel%2B329.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-T1tVIAauL28/TdB7gEFxBTI/AAAAAAAAAQk/RNNAoXWUveg/s320/Nova%2BYork%2Bcom%2BRaquel%2B329.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5607117326860223794" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Uma amiga de 20 anos (de amizade) soltou essa, quando a gente teve uma convivência mais próxima por causa dum trabalho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nossa, como você é obsessivo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que ser obsessivo virou virtude, um sinônimo de ser perseverante. Pra mim, não. O obsessivo continua sendo essencialmente aquela criatura que, em seu egoísmo, passa por cima de tudo e de todos pra satisfazer a sua... obsessão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não quero desautorizar assim uma amiga a quem conheço há 20 anos. Acho que dá pra dizer que eu por vezes sou um um tanto obsedado por certas coisas. Ou seja, às vezes não consigo viver sob diferentes estímulos simultaneamente. Algum se apodera do meu espírito e fica ali até que a situação se resolva. Enquanto isso, trabalhar, comer, dormir, fazer um esporte, ler um livro pode ser uma tarefa mais ou menos difícil, dependendo do quanto a minha mente esteja aprisionada por aquele asssunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim do ano passado, isso aconteceu porque minha filha ficou em recuperação em várias matérias. Eu nunca pensei que fosse me sentir assim. Fiz um plano de estudos pra ela, ajudei no que pude, materialmente falando. Mas não conseguia viver "normalmente" com aquela pendência. Tentei o truque de me imaginar num futuro próximo, fumando cachimbo, olhando pra trás e dizendo: "E pensar que eu fiquei tão preocupado! Tudo acabou se resolvendo. Que desperdício de energia!". Mas o truque não deu certo, quem eu queria enganar? Aí fui vivendo minha rotina aos trancos e barrancos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É você que saca, rapaz! Quê que houve, tá no mundo da lua?&lt;br /&gt;- Desculpa, é que minha filha ficou em recuperação em várias matérias...&lt;br /&gt;- Brabo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deu R$ 45,50, senhor... Peraí, isso aqui é o cartão do metrô!&lt;br /&gt;- Desculpa, é que a minha filha ficou em recuperação em várias matérias...&lt;br /&gt;- Oxe!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Perdeu, velhote! Passa a carteira... Não, não quero o guarda-chuva!&lt;br /&gt;- Desculpa, é que a minha filha ficou em recuperação em várias matérias...&lt;br /&gt;- F(*)deu! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois das provas finais, eu é que fui buscar o boletim e dei a notícia à minha mulher, já que a minha filha, despreocupada, já estava num acampamento de férias. No filme "Melhor é impossível", há um momento em que o Jack Nicholson, sem acreditar que está chorando de saudade do cão do vizinho, fala pra si mesmo, espantado: "Por causa de um cachorro feioso... por causa de um cachorro feioso..." Algo nessa linha. Eu saí do colégio e fui prum mercado. Enquanto esperava a hora de pagar, voltei a ler o boletim e, de repente, duas gotas caíram nele. Me recompus e foi a minha vez de falar: "Por causa dum pedaço de papel... por causa dum pedaço de papel..." A caixa me olhou confusa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três semanas depois, minha filha perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pai, é verdade que você chorou quando viu que eu tinha passado de ano?&lt;br /&gt;- Aham.&lt;br /&gt;- Que coisa de boiola!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-2807459571170109021?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/2807459571170109021/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=2807459571170109021' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/2807459571170109021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/2807459571170109021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2011/05/uma-amiga-de-20-anos-de-amizade-soltou.html' title='Obsessão'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-T1tVIAauL28/TdB7gEFxBTI/AAAAAAAAAQk/RNNAoXWUveg/s72-c/Nova%2BYork%2Bcom%2BRaquel%2B329.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-5078395735539382424</id><published>2011-05-14T11:53:00.000-07:00</published><updated>2011-05-14T12:27:46.250-07:00</updated><title type='text'>Aqui jaz</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-wouSd_LyTbs/Tc7V8yZyZcI/AAAAAAAAAQc/obdZBU0aV6o/s1600/Imagem%2B249.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-wouSd_LyTbs/Tc7V8yZyZcI/AAAAAAAAAQc/obdZBU0aV6o/s320/Imagem%2B249.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5606653826421646786" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever obituários pode ser uma arte. Um livro do Gay Talese sobre o "New York Times" traz um perfil sensacional do jornalista que era responsável pela seção de obituários do jornal e que escreveu o seu próprio, publicado no tempo devido. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Lendo os obituários normalmente publicados na imprensa, cheios de elogios, eu fico imaginando: e se os textos fossem mais sinceros? ou mais naturalistas, digamos? e se fossem escritos pelos inimigos dos mortos? Poderia sair algo assim:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;FT, sacripanta, 76 anos&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Parasita de primeira hora, Fulano de Tal, conhecido como FT, nasceu, a exemplo do personagem bíblico, agarrado ao calcanhar do irmão gêmeo, pegando carona no esforço que o primogênito fazia para chegar à luz. Ainda criança, descobriu o valor estratégico da mentira: frequentemente fazia alguma travessura e transferia a culpa para o irmão, que levava surras pelos malfeitos alheios. No ensino fundamental, FT fazia amigos entre os mais inteligentes da turma, aos quais constrangia com seus constantes pedidos de cola e para copiar deveres de casa.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Passando de ano aos trancos e barrancos, chegou à adolescência descobrindo outra prática que definiria a sua existência: a bajulação. Adotou uma postura paradoxalmente aduladora, servil e arrogante. Descobriu que a maioria das pessoas é seduzida pelo elogio, vão ou merecido. Conquistou uma grande variedade de amigos, a quem atraía e ao mesmo tempo oprimia com seu jeito simpático, bem-humorado, dissimulado e rastejante.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;FT atingiu a idade adulta e, por todas as empresas por onde passou, sempre foi bem-sucedido, conquistando posições hierárquicas elevadas. Nunca deixou de se apropriar de boas idéias alheias, torcendo-as, no entanto, de forma a fazê-las parecer levemente diferentes das originais ou, como gostava de asseverar, a "lapidação duma pedra bruta". Com seus chefes, era brando e concorde; com os subordinados, altivo, peremptório e indiferente. Nunca defendeu qualquer integrante das equipes que comandou e, de consciência tranquila, entregou várias cabeças ao longo de sua vida profissional.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Um dos mais destacados canalhas de sua geração, FT se valeu do cargo para traficar influência, auferindo benesses de outras empresas, como fins de semana gratuitos em resorts, viagens ao exterior e polpudas comissões, em troca de preferência em contratos das companhias por onde passou. Apesar do aspecto físico fora do padrão considerado agradável, valeu-se do cargo também, numerosas vezes, para obter favores sexuais de jovens ambiciosas, que o viam como um atalho para alcançar melhores posições corporativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após se aposentar, jamais se pejou de aceitar cargos honoríficos para os quais não estava qualificado. Tampouco abandonou o hábito de parasitar conhecimentos alheios para se firmar no horizonte da respeitabilidade acadêmica. Assinou uma série de obras que já integram a bibliografia obrigatória dos estudantes da área.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doente, foi internado há um mês e, num último ato de covardia, pediu a Deus que levasse alguém da sua família no seu lugar. A demanda, no entanto, foi indeferida e FT faleceu ontem, aos 76 anos, no Rio de Janeiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-5078395735539382424?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/5078395735539382424/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=5078395735539382424' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/5078395735539382424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/5078395735539382424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2011/05/aqui-jaz.html' title='Aqui jaz'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-wouSd_LyTbs/Tc7V8yZyZcI/AAAAAAAAAQc/obdZBU0aV6o/s72-c/Imagem%2B249.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-1724388778635344931</id><published>2011-05-11T23:43:00.000-07:00</published><updated>2011-05-14T21:25:40.927-07:00</updated><title type='text'>Mastigando tijolo</title><content type='html'>Estou tirando por mim, mas acho que todo mundo que escreve tem uma espécie de narcisismo, de um dia reler seus textos e ficar admirando as soluções que encontrou pra expressar o que queria -- além, é claro, de constatar que certos trechos poderiam estar melhores se fossem redigidos de outra forma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em geral, quando termino um texto, sinto um fastio enorme e não quero vê-lo nunca mais. Mas já aconteceu de eu voltar a ler alguns textos, sim, depois de anos, e ficar espantado com o resultado no mínimo razoável que eu consegui. Hoje mesmo, movido sei lá por quê, reli uns posts aqui do blog e fiquei surpreso como, em alguns, eu consegui concatenar bem as ideias, ser consistente e expressar com sucesso acima da média o que eu tinha na minha mente cansada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia anterior, eu encontrara uma pasta aqui na bagunça do armário com uma etiqueta com a inscrição "histórias". Tem um monte de contos meus do tempo do onça. Li alguma coisa na diagonal. O material é bem ruinzinho. Mas algo me chamou a atenção: o texto tem uma liberdade que nunca mais conheci, calejado por anos de escrita num certo esquema, seguindo determinados padrões. Não estou dizendo que seja ruim isso. Muito provavelmente, é mais bom que ruim. Mas pensar que nunca mais conseguirei escrever com aquela ausência de amarras mentais não deixa de ser um tanto limitador, em algum sentido. Sei lá. Talvez seja como pensar que nunca mais terei aquele joelho de 20 anos atrás, com o menisco em ponto de bala. Como a gente deve se sentir em relação a isso? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graciliano Ramos dizia que liberdade total não existe: a gente começa oprimido pela gramática e termina às voltas com a polícia política. Bom, cada um enfrenta o Dops que lhe cabe na árdua jornada sobre esta bola achatada nos pólos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro que, no fim da minha adolescência, participei de um concurso literário, ou algo do gênero, em que nós, os "escritores", nos encontrávamos pra conversas entre nós mesmos - algo que "adoro" -, mediadas por uma criatura de sexo indefinido. Só guardei a lembrança de um dos meus colegas: uma dona de casa, mais velha que a maioria de nós, jovens bobalhões. O que me impressionou é que ela dizia escrever como quem respira: "Eu tô sempre escrevendo. Entre uma passada no tanque e outra na cozinha, aproveito qualquer tempo livre pra escrever." A produção dela era impressionante. E eu, já na época, pra parir três parágrafos que fossem, precisava namorar, noivar, casar, transar de luz apagada e enfrentar uma longa e penosa gestação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre desconfiei de quem escreve com facilidade, mas isso é pura inveja, porque pra mim é como mastigar tijolo. Eu trabalhava num lugar muito barulhento, onde a gente precisava reescrever um monte de textos pra publicação, sempre com prazo pra ontem, e ao meu lado duas colegas exerciam a mesma tarefa. Embora não parassem de falar um minuto só, elas costumavam terminar muito tempo antes de mim, que não dava nem boa-dia e não abria a boca sequer pra tomar um cafezinho. Aquilo me exasperava demais. Não era possível que elas estivessem fazendo um bom trabalho, com tamanha facilidade! Nunca chequei, então assumo que provavelmente era apenas inveja minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em toda a minha vida, só conheci duas pessoas que escreviam rápido e bem. E conheci uma menina (bom, na época ela era uma menina) que tinha um texto que me lembrava um quarto arejado, desses com ventilação cruzada e sol batendo em diagonal, em que o vento faz a cortina flutuar. Lembro de ter pensado: taí um modelo a ser seguido. Depois esqueci. Mas o ideal seria juntar as três coisas: escrever rápido, bem e produzir algo que lembre um quarto arejado e cheio de luz natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-e4rvkw8bEDg/Tc4h0ZwfovI/AAAAAAAAAQE/NewfDx3VDQQ/s1600/IMG_0011.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-e4rvkw8bEDg/Tc4h0ZwfovI/AAAAAAAAAQE/NewfDx3VDQQ/s320/IMG_0011.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5606455770274046706" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-1724388778635344931?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/1724388778635344931/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=1724388778635344931' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/1724388778635344931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/1724388778635344931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2011/05/mastigando-tijolo.html' title='Mastigando tijolo'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-e4rvkw8bEDg/Tc4h0ZwfovI/AAAAAAAAAQE/NewfDx3VDQQ/s72-c/IMG_0011.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-2649702433463687225</id><published>2011-05-08T16:15:00.001-07:00</published><updated>2011-05-08T16:28:34.619-07:00</updated><title type='text'>Linha evolutiva</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-d58zJu13NDQ/Tcckgmy5U9I/AAAAAAAAAPU/qNMlKM7C5bM/s1600/walkman.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-d58zJu13NDQ/Tcckgmy5U9I/AAAAAAAAAPU/qNMlKM7C5bM/s320/walkman.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5604488403874304978" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-uK5kkSxqnVw/TcclaN1fa7I/AAAAAAAAAPc/jPAh6L3eMag/s1600/discman.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-uK5kkSxqnVw/TcclaN1fa7I/AAAAAAAAAPc/jPAh6L3eMag/s320/discman.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5604489393606716338" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-0eBsowtvbl4/TcclgOafQHI/AAAAAAAAAPk/jY-2rdVYosE/s1600/iPod%2BNano.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-0eBsowtvbl4/TcclgOafQHI/AAAAAAAAAPk/jY-2rdVYosE/s320/iPod%2BNano.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5604489496841109618" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-21sWpUzP_D8/TcclkBkW_QI/AAAAAAAAAPs/3ghd8CWuyik/s1600/iPod%2BTouch.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-21sWpUzP_D8/TcclkBkW_QI/AAAAAAAAAPs/3ghd8CWuyik/s320/iPod%2BTouch.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5604489562112326914" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-OmGrtLptFbY/TcclqE8rAmI/AAAAAAAAAP0/T1n0NoNhg8U/s1600/iPod%2BShuffle.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-OmGrtLptFbY/TcclqE8rAmI/AAAAAAAAAP0/T1n0NoNhg8U/s320/iPod%2BShuffle.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5604489666098823778" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-szoVBO0Wo-0/Tcclw52SJHI/AAAAAAAAAP8/_w2iL26T8fs/s1600/iPad.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-szoVBO0Wo-0/Tcclw52SJHI/AAAAAAAAAP8/_w2iL26T8fs/s320/iPad.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5604489783378322546" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-2649702433463687225?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/2649702433463687225/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=2649702433463687225' title='10 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/2649702433463687225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/2649702433463687225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2011/05/linha-evolutiva.html' title='Linha evolutiva'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-d58zJu13NDQ/Tcckgmy5U9I/AAAAAAAAAPU/qNMlKM7C5bM/s72-c/walkman.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-7370139023552054610</id><published>2011-05-04T18:13:00.000-07:00</published><updated>2011-05-05T14:50:54.206-07:00</updated><title type='text'>Esperanza</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_yvOc93n96uU/TFIX60CyShI/AAAAAAAACWc/T78n6zWt_XQ/s1600/esperanza"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_yvOc93n96uU/TFIX60CyShI/AAAAAAAACWc/T78n6zWt_XQ/s1600/esperanza" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Sempre que volto de férias, costumo fazer a primeira audição dos CDs que comprei, já que, além dessa coisa anacrônica de comprar CDs, gosto de comprar no escuro, sem qualquer referência anterior. Aliás, a única vez em que comprei um CD após ouvir uma música dele na loja, acabei descobrindo depois que o disco era uma porcaria, com exceção daquela música que haviam tocado enquanto eu vasculhava as prateleiras (prateleira não é o nome correto, mas ele não me ocorre agora).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adoro ver uma edição de um daqueles discos de jazz da Blue Note dos anos 60... Descobrir uma gravação que eu não conhecia do trompetista Blue Mitchell... Coisas assim. É um prazer infantil mesmo. Uma loja bem recheada de CDs, especialmente de jazz, é como loja de brinquedo pruma criança. E a gente precisa aproveitar enquanto pode, porque as lojas de CD estão em extinção...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além das velharias maravilhosas da música americana dos anos 40 a 60, também experimento outras coisas, inclusive atuais, mas tudo com parcimônia, afinal não tenho verba de gabinete pra gastar com música e só tenho dois ouvidos, sendo que um deles em estado precário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta vez, comprei mais coisas atuais desconhecidas do que coisas antigas. Tem uns negócios estranhos e até esquisitos, incluindo um punk rock horroroso-adorável, que, pela minha experiência pessoal recente, serve perfeitamente de repelente contra humanos. Ainda não sei se saí no lucro ou no prejuízo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos CDs que comecei a ouvir é o último da baixista e cantora Esperanza Spalding, que não tem nada de desconhecida, mas eu não conhecia esse disco dela. Por coincidência, já que ele foi alvo de comentários no post anterior, uma música que achei linda é cantada em dueto com o Milton Nascimento, numa participação bonita dele. A música, cujo link coloco aí embaixo (não consegui fazer o upload pra página), é "Apple blossom". Sob os auspícios do YouTube, escolhi um vídeo em que a Esperanza canta sozinha numa livraria em NY. Mas quem quiser conferir o dueto com o Milton também encontra essa versão no YouTube.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://youtu.be/EnBpe0XW3MQ&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-7370139023552054610?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/7370139023552054610/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=7370139023552054610' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/7370139023552054610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/7370139023552054610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2011/05/esperanza.html' title='Esperanza'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_yvOc93n96uU/TFIX60CyShI/AAAAAAAACWc/T78n6zWt_XQ/s72-c/esperanza' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-4294336144229477829</id><published>2011-05-01T07:01:00.000-07:00</published><updated>2011-05-01T07:51:39.933-07:00</updated><title type='text'>Primeiro de Maio</title><content type='html'>Hoje, Dia do Trabalho, decidi trabalhar um pouco de graça, só pelo prazer da coisa. Ontem estava comendo macarrão quando me veio à memória a letra inteira da "Primeiro de maio", se não me engano a primeira parceria de Chico Buarque com Milton Nascimento. Num momento da minha vida em que já não consigo acertar de cara nem o nome da minha filha, fiquei espantado. Eu tenho esse disco em algum lugar, um compacto simples, acho: de um lado "Primeiro de maio", do outro "Cio da terra". Mesmo pros PCBões mais emperdenidos, não há como negar que a letra de "Primeiro de maio" se insere naquela mitologia socialista, aquelas idealizações do operário típicas dos anos 30, 40, sei lá. "Hoje ele é senhor das suas mãos e das ferramentas" - finalmente a classe trabalhadora assumindo o controle dos meios de produção... A mulher, a tecelã, forjando "o homem de amanhã"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me lembrei logo de "Te recuerdo, Amanda", do Victor Jara. E também dos romances stalinistas (a expressão é do próprio escritor) do Jorge Amado, do início da carreira dele, como o belíssimo "Mar morto", com o affair trágico de Guma e Lívia (espero estar acertando os nomes dos personagens), o livro que me fez gostar de ler no já longínquo limiar da minha adolescência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que eu tô sendo crítico. Mas ainda gosto muito de "Primeiro de maio". A melodia é linda e a letra é muito bonita também. A voz do Milton ainda estava nota 10, a instrumentação é ótima, assim como o andamento etc. Talvez eu só tenha tido um arroubo de velho nostálgico, num momento de morte da melodia. Sorte que existe a internet e eu não preciso vasculhar minha bagulhada aqui em busca do disco.&lt;br /&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-c68a11851b26707" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v13.nonxt7.googlevideo.com/videoplayback?id%3D0c68a11851b26707%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330273306%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D4F987931E382B95A1E2EE249AAA2E7CFAAD44084.258C9846C8099E6DFDA175712959EB00774D38D4%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Dc68a11851b26707%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DEis5gnS0eL1SvHsGy4tvIzSMurw&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v13.nonxt7.googlevideo.com/videoplayback?id%3D0c68a11851b26707%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330273306%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D4F987931E382B95A1E2EE249AAA2E7CFAAD44084.258C9846C8099E6DFDA175712959EB00774D38D4%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Dc68a11851b26707%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DEis5gnS0eL1SvHsGy4tvIzSMurw&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-4294336144229477829?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/4294336144229477829/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=4294336144229477829' title='15 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/4294336144229477829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/4294336144229477829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2011/05/primeiro-de-maio.html' title='Primeiro de Maio'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-5735177999556516942</id><published>2010-11-25T19:55:00.000-08:00</published><updated>2010-11-25T21:38:53.870-08:00</updated><title type='text'>Réquiem</title><content type='html'>&lt;a href="http://deusemnos.files.wordpress.com/2009/03/fogo.jpg?w=378&amp;h=310"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 378px; height: 310px;" src="http://deusemnos.files.wordpress.com/2009/03/fogo.jpg?w=378&amp;h=310" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A imagem mostra traficantes armados, falando por radiotransmissores e se movimentando em torno da Igreja da Penha. Pra quem não é do Rio: a Igreja da Penha fica no alto dum morro, tem uma escadaria com 300 e tantos degraus, onde o pessoal paga promessa subindo de joelhos. Ou pagava, sei lá, porque com o tempo a região foi tomada pelos criminosos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao pé da Igreja da Penha existe um parque de diversões, chamado Parque Shangai. Era uma atração bem popular. Quando eu era criança, fui lá não sei quantas vezes com o meu pai. Eu gostava do trem fantasma. Também subi a escadaria e fui até a igreja várias vezes. Uma vez, quando a gente deixava o parque, meus olhos começaram a arder. Era um ataque dos terríveis lacerdinhas, insetos que viviam nas árvores e que, quando caíam no olho, queimavam. Ganharam o apelido por causa do Carlos Lacerda, um cara que incomodava pra caramba também, mas que foi de longe o melhor governador que a gente já teve, alguém que "formatou" (bonito isso) o Rio moderno. Isso tem coisa de 40 anos. E até hoje o Lacerda é o modelo do qual a mediocridade que o sucedeu tenta se aproximar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Igreja da Penha fica, é claro, na Penha, um dos principais pontos de conflito na explosão de violência que tem sacudido a cidade nos últimos dias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Penha, evidentemente, não era assim. Não estou falando da época em que Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil. Estou falando de 30 anos atrás, quando eu, já adulto, costumava ir à casa de um amigo na região pros ensaios da nossa banda. Não existia então a expressão "área de risco".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente a Penha ficou assim. A TV Globo mostrou, o mundo todo viu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta vez, o negócio começou com um arrastão ali, outro aqui; um carro incendiado lá, outro acolá. Aí se lançou na imprensa a ideia de que, se antes os traficantes já haviam ateado fogo a ônibus, inclusive com passageiros dentro, agora eles estavam incendiando carros pra assustar a "classe média". Como se sabe, só proletário anda de ônibus e só classe média tem carro. Aí um comentarista na TV observou algo mais ou menos assim: as classes populares sempre estiveram submetidas ao jugo dos criminosos, agora chegou a vez da classe média.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esqueceram de combinar com os bandidos, porque logo eles estavam praticando atentados nos quatro cantos da cidade, incendiando ônibus, carros de passeio e vans de transporte público. Aterrorizando o lumpemproletariado, o proletariado e a classe média (não tenho acesso aos abastados, mas acho que eles também devem estar um tanto preocupados).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os traficantes do Rio são politizados. Usam slogans que lembram uma certa ideologia, slogans como "paz, justiça e liberdade", "liberdade já"... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí uma autoridade afirma: Esse tipo de coisa (os atentados) acontece em qualquer lugar do mundo quando se implanta uma política blábláblá... Esqueceram de perguntar à douta autoridade em que outro lugar do mundo acontece algo assim. E é preciso que seja uma regra, não exceção, porque não se pode argumentar em cima de exceção, pelo que eu aprendi num curso de argumentação feito por correspondência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nem precisou de qualquer resposta ou pergunta crítica, porque logo a realidade se tornou tão avassaladora que virou uma questão secundária saber se esse tipo de argumento é válido ou não. O momento é de união. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai lamenta: Como deixaram o Rio chegar a este ponto? Quanto mais velho o carioca, mais ele sofre, por causa da lembrança de uma cidade que um dia foi humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já escolhi há muito tempo meus vilões. Não me refiro aos bandidos em si. Esses são vilões também, é claro. Mais que vilões, são criaturas monstruosas, pra quem a pena de morte seria pouco. Mas sobre eles não resta a menor dúvida. Eu me refiro aos outros vilões, os ocultos, perpetuadores de ideologias que fomentaram e fomentam o mercado da criminalidade. Essa gente destruiu a cidade, essa gente tem sangue nas mãos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha doce vingança, que na verdade é amarga, é que estamos todos no mesmo barco. Eu ouvi com esses ouvidos que a terra há de comer. Após o assassinato brutal de um amigo por traficantes, um colega se lamentou com outro: Você vê, a gente sempre defendeu os direitos humanos dos bandidos e agora eles fazem um negócio desse; eles perderam todo o respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade, bandidos são ingratos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-5735177999556516942?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/5735177999556516942/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=5735177999556516942' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/5735177999556516942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/5735177999556516942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2010/11/requiem.html' title='Réquiem'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-7930789563734365373</id><published>2010-11-17T08:43:00.001-08:00</published><updated>2010-11-17T09:15:40.796-08:00</updated><title type='text'>Eles venceram</title><content type='html'>&lt;a href="http://nickmartins.com.br/atualidades/wp-content/uploads/2009/08/formiga1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 202px; height: 164px;" src="http://nickmartins.com.br/atualidades/wp-content/uploads/2009/08/formiga1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Calma, não me refiro a "eles", com seu "projeto de país". Me refiro aos insetos. E não estou fazendo metáfora. Me refiro àquelas criaturas esquisitas mesmo, cheias de pernas, esqueleto externo, boas de se esmagar com o pé ou o dedão. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Pelos meus últimos cálculos, as baratas, por exemplo, estão no planeta há uns 250 milhões de anos. Nós, humanos, andamos por aqui há quanto tempo? Acho que já li algo em torno de oito milhões. Então, como pensar que a gente pode derrotar os insetos?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não vou falar de baratas, porque sei que é um assunto desagradável, ainda mais as baratas do Flamengo, bairro onde moro e onde as bichas são gigantescas, bem nutridas, cheias de asas. O John Updike tem um conto em que compara a angústia noturna à visão de baratas correndo pela pia quando a gente acende a luz de madrugada na cozinha. Ele tem razão. Mas não vou falar sobre isso, porque senão quem ler jamais vai querer vir aqui em casa fazer um lanchinho, achando que a gente vive na sujeira. Não é nada disso, heim?!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Eu queria falar das formigas. Há uns dez anos, antes da gente se mudar pro apartamento atual, ele ficou um tempão em obras. Eu costumava visitar o apartamento vazio e nunca vi uma mísera formiga. Tudo que eu via era aquela montanha de vagas possibilidades futuras que uma casa vazia sempre desperta na gente. Pois bastou a gente se mudar pras formigas aparecerem. Desde então, eu venho tentando de tudo: colocar iscas de veneno, sabão de coco nas frestas das paredes, espalhar pela casa potinhos de uma mistura de alecrim com sei lá o quê... Um dia minha mãe falou: eu uso cravo, tem que espalhar cravo pelos lugares onde elas gostam de andar. Lá fui eu encher a casa de cravos. Aí eu li: o negócio é jogar detergente nos caminhos que as bichas costumam fazer, porque elas se guiam pelo cheiro e isso vai fazer as criaturas se perderem. Gastei litros de detergente. Aí um amigo veio falar no cravo de novo. Eu reagi mal, mas ele insistiu: eu estava fazendo errado, tinha que preparar um chá de cravo, colocar num borrifador e aspergir em todas as áreas formigáveis. Devo ter tomado mais uma dúzia de providências contra as formigas, mas não lembro agora. Sem esquecer, é claro, o infalível método do assassinato puro e simples com o dedão.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O resultado disso tudo é que as formigas continuam pela casa. Às vezes elas somem, mas acho que é apenas um recuo estratégico. Logo aparecem e mostram quem é que manda. É um trabalho de Sísifo. Você mata dez e nascem mil. Elas gostam de tudo: doce, salgado, amargo, quente, gelado, verão, inverno, outono, noite, dia... frutas, cimento, chips de computador, papel... até num livro sobre Israel já encontrei um ninho dessas taradas. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Pensando bem, agora que ninguém mais vai querer fazer um lanchinho aqui em casa. Era preferível eu dizer que o apartamento tá infestado de baratas cascudas gigantes.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Então continuo com meu sprayzinho de cravo, aspergindo aqui e ali, jogando detergente num canto e no outro, mas é tudo pro forma. Na prática, já reconheci minha derrota. Li várias vezes uma publicação sobre formigas, editada por uma instituição científica. Já esqueci quase tudo, mas parece que num formigueiro as criaturas são todas fêmeas. Parece também que, sempre que criam um formigueiro, elas espalham nas imediações uns tantos outros formigueiros adicionais, pra onde poder levar a colônia e a rainha no caso de problemas no ninho principal. Uma rainha pode viver até 30 anos, botando sei lá quantos milhares de ovos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A gente não é páreo pra esses bichos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas, pra não terminar o post com o travo da derrota na boca, faço uma nota otimista. Recentemente, depois de tentar milhares de táticas também contra os mosquitos (veneno em spray, veneno na tomada, repelente elétrico, repelente cutâneo, incenso, alfazema sobre a roupa de cama etc), adquiri algo que era um antigo objeto de desejo: uma raquete elétrica. Dez reais no camelô. A raquete elétrica é a prova cabal de que a pena de morte é eficaz. Claro, sei que nunca vou derrotar os mosquitos, mas sei também que aqueles que eu tenho eletrocutado nos últimos dias jamais voltarão a chupar meu sangue e o da minha família. Existe ainda uma questão de moral, mas moral substantivo masculino, aquele que é sinônimo de ânimo etc. Exercer o papel de carrasco desses insetos vampiros faz bem à nossa auto-estima. Tenho me flagrado circulando alegremente pela casa, vasculhando os cômodos em busca dos mosquitos, que inapelavelmente são vítimas da minha justa sanha assassina. O barulho da descarga atingindo o infeliz é tão alto que a minha filha costuma gritar: "Tadinho, pai!!". E de fato é de dar pena, ou seria se meu coração já não fosse de pedra, porque o desgraçado, ao ser eletrocutado, cai na mesma hora e começa a girar desesperado, fazendo bzzzzzzzzzzzzzzzz nas vascas da agonia e logo dando o último suspiro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Recomendo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-7930789563734365373?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/7930789563734365373/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=7930789563734365373' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/7930789563734365373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/7930789563734365373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2010/11/eles-venceram.html' title='Eles venceram'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-8485799046473437633</id><published>2010-07-27T22:48:00.001-07:00</published><updated>2010-08-10T19:38:16.015-07:00</updated><title type='text'>Capitão de longo curso</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/TE_Fcwn1BfI/AAAAAAAAANk/d-A5GbqKtIY/s1600/IMG_0197.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/TE_Fcwn1BfI/AAAAAAAAANk/d-A5GbqKtIY/s320/IMG_0197.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5498830767921628658" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Se eu navegasse, seria capitão de longo curso. Fiz essa profunda reflexão quando meu chefe me estendeu um envelope e me apertou a mão. No envelope, uma caneta, um pin e um papel me informando que eu tinha direito a dois dias de folga. Era meu prêmio por completar 20 anos na empresa. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;É a história da minha vida - os compromissos de longo termo. Ano passado ou retrasado, não estou certo, me casei com minha mulher, com quem já vivo, com algumas intermitências, há uns 20 anos. O casamento foi no cartório e deixou minha filha frustrada. Ela reclamou muito, achou o casamento mais sem graça do mundo. Um camelô vendia uns copos de arroz na porta do cartório. Comprei dois copos e minha filha esqueceu momentaneamente a frustração, se divertindo enquanto jogava arroz em cima da gente e de uns desocupados que pararam na calçada pra ver a cena.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Uma amiga me falou: "Você, assim como eu, foi um dos poucos da nossa turma que não subiram na profissão". É verdade, até com o fracasso sou um cara de assumir compromissos de longo prazo, renováveis por período idêntico.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Eu deveria me sentir frustrado, mas é difícil. Algumas coisas são pra vida inteira, como os casais de albatrozes de Galápagos. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Então, no embalo da reflexão, decidi compor um inventário do que já fiz na vida, profissionalmente falando. Pelo que me lembro agora, fui contínuo, datilógrafo, professor de violão, faturista, repórter, caixa, copidesque, digitador, revisor, fotocompositor, músico da noite, redator publicitário, lavador de pratos, roteirista de rádio, faxineiro de bar, motorista, empregado doméstico e ghost writer. Deveria incluir ator pornô e gigolô, mas essas atividades eu exerci de forma amadorística. Tá bom, é fantasia, nunca fiz essas duas coisas. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O que significa tudo isso? Não significa nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto àquele ponto: eu deveria me sentir frustrado. Mas é difícil, não dura muito, embora é claro que eu seja um frustrado. O problema de se sentir frustrado é que, por incrível que pareça, sempre vai ter alguém pra fazer você sentir o oposto. Eu estava numa reunião quando um amigo me apresentou a um casal de jovens, músicos bem-sucedidos, integrantes de uma importante orquestra no Rio. Lá pelas tantas, a menina falou pra mim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como eu te invejo. Com a vida estabelecida, segurança, uma família. A gente não. Sempre essa incerteza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ficou louca? Eu é que te invejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não, EU é que te invejo! Você não sabe do que tá falando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Taí outra coisa difícil também: saber do que se fala.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-8485799046473437633?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/8485799046473437633/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=8485799046473437633' title='16 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/8485799046473437633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/8485799046473437633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2010/07/capitao-de-longo-curso.html' title='Capitão de longo curso'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/TE_Fcwn1BfI/AAAAAAAAANk/d-A5GbqKtIY/s72-c/IMG_0197.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-2032839836365983011</id><published>2010-07-26T20:00:00.000-07:00</published><updated>2010-07-26T22:04:17.552-07:00</updated><title type='text'>Minha glória literária</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/TE5oYq4J6XI/AAAAAAAAANc/PRaCEF-LbnE/s1600/Nova+York+com+Raquel+150.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/TE5oYq4J6XI/AAAAAAAAANc/PRaCEF-LbnE/s320/Nova+York+com+Raquel+150.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5498446968101923186" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Vi num blog e repasso: esse site aqui ó, http://iwl.me/b/ac075e8f, tem uma brincadeira inofensiva: você escreve qualquer coisa lá e ele diz na hora com que escritor seu estilo é parecido (esse trecho aí tá meio capenga, mas minha mente cansada não consegue corrigir). O site diz que eu escrevo como o Hemingway. Hahaha, coitado do Hemingway, assim ele mete mais um tiro nos miolos. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A minha verdadeira glória literária aconteceu muitos anos atrás. Eu era muito fã do Rubem Fonseca (ainda sou) e escrevi um conto cheio de violência e palavrões, em que dá tudo errado com uns bandidos num assalto. Aí coloquei o título "Botando pra f*der". Ridículo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Eu mandei o conto pra algum lugar e o tempo passou. Certo dia, eu estava não sei onde e, conversando com minha mãe ao telefone, ela me contou que uns caras ligaram pra casa pra dizer que eu tinha ganho um concurso literário. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Minha mãe: Ótimo. Vou falar pra ele!.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Os caras: A senhora tem que se orgulhar. Parabéns. O conto que ganhou se chama "Botando pra f*der".&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Minha mãe: Quê? (ela achou que não tinha entendido muito bem)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Os caras: É "Botando pra f*der"! (os caras gritavam, como se minha mãe fosse uma velha surda. E ainda destacavam bem as sílabas) "Bo-tan-do pra f*-der"!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Minha mãe: Que palhaçada é essa?!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Os caras: Imagina, minha senhora. Vai sair na coletânea do concurso, com chamada na capa, "Botando pra f*der"! (os caras estavam segurando o riso, segundo minha mãe)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia voltei pra casa, mas os caras nunca mais entraram em contato. Eu tinha exposto em vão a minha mãe ao opróbio. Minha irmã ainda tentou dar uma força, me pediu pra ler o conto. Passou um tempo e ela me devolveu os originais - sem dar uma palavra. Acho que não gostou muito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-2032839836365983011?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/2032839836365983011/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=2032839836365983011' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/2032839836365983011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/2032839836365983011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2010/07/minha-gloria-literaria.html' title='Minha glória literária'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/TE5oYq4J6XI/AAAAAAAAANc/PRaCEF-LbnE/s72-c/Nova+York+com+Raquel+150.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-8742145901869298413</id><published>2010-07-12T21:42:00.000-07:00</published><updated>2010-07-12T22:27:02.535-07:00</updated><title type='text'>Infância</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/TDv2z3qEp5I/AAAAAAAAANU/VCejAjz5kjw/s1600/DSC00228.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/TDv2z3qEp5I/AAAAAAAAANU/VCejAjz5kjw/s320/DSC00228.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5493255541482629010" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A infância sempre me pareceu uma coisa triste. Me lembro de estar há muito tempo, numa praça aqui no Rio, olhando uma menina que, do lado de dentro do portão de casa, brincava sozinha. Eu disse: "Olha lá, ser criança é muito triste". Minha mulher respondeu: "Deixa de ser ridículo. A menina tá superfeliz. Você é que foi uma criança triste! Agora é um adulto triste!" Era verdade aquilo? Eu estava projetando em todas as crianças do mundo uma tristeza congênita? Não me lembro de ter sido uma criança triste. Também não me lembro de ter sido uma criatura esfuziante. Tá bom, eu na verdade não lembro de nada, ou quase nada, só uns flashs. Então vou trocar de parágrafo e deixar essa questão pra trás. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O que talvez me fizesse pensar na infância como triste é a monumental dependência das crianças. Dependência psicológica, dependência material. Dependência do conhecimento alheio, tanta coisa pra aprender... Mas também, se a gente pensar muito, como diria o Verissimo, até andar fica difícil. Devo estar complicando a guerra.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em "O parente mais próximo", Roger Fouts conta uma história incrível: um antigo rei fez um experimento pra descobrir qual a língua original do ser humano, a língua de Adão e Eva. Ele apostava que era o hebraico. Então, ordenou que uma criança fosse criada longe de todo o mundo, sendo devidamente alimentada, mas sem ouvir a voz de ninguém, nem ter contato com ninguém. Quando chegasse a idade apropriada, ela falaria na língua do nosso primeiro ancestral. A criança morreu - por falta de afeto. O livro é, na verdade, sobre chimpanzés. E conta que, em determinada época, virou mania nos EUA famílias adotarem chimpanzés. Os animais eram umas gracinhas até chegarem lá pelos 2, 3 anos, quando começavam a ficar mais fortes que seus donos e viravam monstros destruidores. Uma geração inteira de chimpanzés foi então abandonada nessa pré-adolescência e teve destinos diferentes. Muitos morreram logo - também por falta de afeto.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Até minha filha nascer, eu nunca havia pensado no afeto como uma espécie de alimento, como o arroz e feijão que a gente come pra continuar vivo, uma necessidade biológica. Agora, essa idéia me parece fazer todo o sentido. E acho que já tá bem provada pelos especialistas na área, não sendo uma teoria esdrúxula ou um arroubo romântico. Pelo menos foi o que andei lendo por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu fico imaginando é se os adultos também desenvolveriam essa dependência em relação às suas crianças. Mas digo dependência mesmo, algo fundamental, essa espécie de pilar que, se removido, faz a construção cair. Ou seria uma idéia, essa sim, totalmente romântica?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das cenas mais tristes que já vi foi a de um cara que, no meio de uma calçada movimentada, de repente arrancou uma menina do colo da mãe. A menina começou a chorar, aos berros, enquanto a mãe batia no sujeito. Pros curiosos que tinham parado pra ver a cena, o cara gritava: "Ela é minha filha! Ela não me deixa ver a minha filha!". Ele próprio chorava, enquanto beijava repetidamente a menina, apertava a garota contra o peito e não parecia sentir nenhuma dor das pancadas que levava da mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho um amigo que perdeu um filho de uns 6 anos. Vários casamentos e vários filhos se seguiram depois disso. Outro dia, minha mulher perguntou: "Se você pudesse fazer tudo de novo, quantos filhos teria?". Ele: "Nenhum. Eu passei a vida inteira tentando substituir o filho que morreu. Mas não consegui".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu penso diferente. Acho que a infância não é triste por definição, muito pelo contrário. Não chego ao ponto de sair cantando por aí aquela música do Gonzaguinha ("Eu fico com a pureza/ da resposta das crianças...), porque tudo tem limite. Mas acho que eu estava basicamente errado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-8742145901869298413?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/8742145901869298413/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=8742145901869298413' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/8742145901869298413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/8742145901869298413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2010/07/infancia.html' title='Infância'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/TDv2z3qEp5I/AAAAAAAAANU/VCejAjz5kjw/s72-c/DSC00228.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-7516907459706547110</id><published>2010-06-30T20:42:00.000-07:00</published><updated>2010-06-30T22:58:52.907-07:00</updated><title type='text'>A alma encantadora das ruas</title><content type='html'>Nada mais inspirador para um verdadeiro flâneur que vaguear pelas ruas desta abençoada urbe num dia de inverno, com o brando sol em seu zênite a oscular-nos a morada da razão. Tome-se a aprazível Rua do Catete, aninhada no coração pulsante do centenário bairro do Catete. Que cenário convidativo a um footing! Começamos nossa excursão pela recôndita Rua Corrêa Dutra, transversal à do Catete, em demanda de nosso destino final, antefruindo os prazeres e delícias que tal jornada nos prometia. Já se nos anunciava aos ouvidos a sedutora bulha característica da secular via, quando uma farândola se desloca em velocidade equinamente galopante em direção a um carro parado a um mobiliário semafórico. Logo podemos testemunhar, sob o céu que nos protege, o gesto altruísta da motorista que, num rasgo de desapego e comiseração, entregou às tétricas figuras andrajosas preciosos bens como relógio, dinheiro e celular. Quando a escumalha se pôs em marcha, pude observar que a filantropa chorava a catadupas, emocionada talvez com seu próprio gesto ou com a indigência da malta recém-socorrida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emocionados também, dobramos o passo e desembocamos na frenética Rua do Catete, com suas torrentes multitudinárias nas calçadas e seus raivosos automotores chiando pneus na combalida capa asfáltica da via, que cobre trilhos de fantasmagóricos bondes dum passado evanescente. Alçamos a mirada e, extasiados, contemplamos embevecidos a beleza dos casarões oitocentistas, de imponentes fachadas e platibandas ricamente decoradas. Acertamos o passo e reencetamos nossa excursão quando, à sorrelfa, um esmolambado esmoler nos corta o caminho, estendendo sua mão cadavérica, talvez em busca da misericórdia emparedada em nossos pétreos corações. Ainda alarmados por tão medonha persona, somos agredidos por um ofensivo bedum emanente de outro pedinte que trota ligeiro à nossa frente, com as calças encarvoadas rasgadas nos fundilhos e as magras nalgas à vista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentamos nos desvencilhar do farrapo humano, mas, oh, esperança vã!, um terceiro esmoler atalha nosso intinerário, de olhos esgazeados e peito nu, com um naco de tripa bordeaux a lhe saltar por uma fenda no abdome, postulando nossa clemência para que possa da horrenda e de nauseabunda visão ferida ser tratado. Tontos e com passos labirínticos, vencemos a custo mais alguns metros da calçada. Durante todo o tempo, o pregão monocórdio de um vendelhão nos acompanha, como o ar nos rodeia: "Olha a minha rosca! Quem vai querer a minha rosca?!". Aturdidos, quase tropeçamos num homem-batráquio postado à porta duma padaria, que bate com um cacete no chão e lança olhares concupiscentes às belas passantes: "Metia até o talo!", berra o sátiro. Quando nos horrorizamos com tamanha falta de cavalheirismo, o devasso quasímodo nos encara com olhar desvairado e debocha: "Quê que é, maricona? Não como, não! Meu negócio é mulher!".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-7516907459706547110?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/7516907459706547110/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=7516907459706547110' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/7516907459706547110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/7516907459706547110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2010/06/alma-encantadora-das-ruas.html' title='A alma encantadora das ruas'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-8256526158060530331</id><published>2010-06-28T20:03:00.000-07:00</published><updated>2010-06-28T20:13:25.029-07:00</updated><title type='text'>A noite cai depressa</title><content type='html'>No meio de um jantar, minha mulher perguntou à amiga que não via há muito tempo do que a mãe dela morrera. "Foi a pior morte possível", a amiga respondeu. "Ela se matou". Houve um rápido silêncio, não contrangido, mas de surpresa, ou de atordoamento. A mãe da amiga sempre fora uma mulher muito forte, severa. Fora morar num outro país, sem conhecer ninguém, ainda adolescente, fugindo do nazismo na Europa. Viera pro Brasil, tivera filhos, conduzia a família com rigor. Diante de um histórico desse, como reagir adequadamente àquele suicídio agora revelado? &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Minha mulher perguntou a razão do suicídio. A amiga não tinha a resposta. A mãe dela não tinha dado qualquer sinal de que aquilo poderia acontecer. Também não deixou qualquer explicação.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;É famosa a frase do Camus, sobre o suicídio ser realmente o único problema filosófico do homem. Ah, ele não disse isso? Sei lá então, não vou pesquisar, &lt;em&gt;alguém &lt;/em&gt;disse isso ou algo na linha. Na minha ignorância, acho que a frase induz a gente a pensar que o suicídio, de um modo geral, seria uma espécie de "opção", um fim escolhido por mentes sofisticadas após demoradas e profundas reflexões. Enfim, acho uma frase bem idiota, pernóstica.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Minha filha participou outro dia de uma homenagem a uma adolescente do colégio dela que morreu há uns dois anos. "Ela foi pegar o gato no telhado, caiu e morreu", minha filha me contou. Um dia ela vai saber a verdade: que a menina, infelizmente, se matou.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Seria totalmente leviano tentar encontrar explicações sem conhecer profundamente cada caso. O que resta então é a perplexidade. Assim de longe, a gente pode entender que uma pessoa idosa, digamos, com doença terminal etc, tente ou cometa o suicídio. Mas e no caso, por exemplo, de um jovem que acabou de entrar na faculdade, em primeiro lugar, com toda a vida pela frente? Ou no de um empresário bem-sucedido, com produtos espalhados por todo o mundo e cheio de dinheiro? &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Leio sobre vários casos de suicídio e vejo que o espanto diante da falta de explicação não é incomum, mesmo entre aqueles que conheciam muito bem as vítimas, mesmo entre terapeutas. Mas há também aqueles episódios em que o doente arrasta por anos seu sofrimento, até chegar ao limite.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Acho que numa época mais ou menos recente, pelo menos é a minha impressão, passou a ser meio "chique" achar que o suicídio poderia ser uma questão de livre arbítrio. Algo assim como remover da vida uma "suposta" sacralidade que ela só teria devido às religiões, que a ideologia materialista não perde a chance de demonizar, embora se aproprie descaradamente de conceitos dessas mesmas religiões e do apelo que elas podem ter sobre as pessoas. Mas, lendo "Night falls fast", da psiquiatra americana Kay Jamison, a gente vê que, mesmo antes do judaísmo ou do cristianismo se espalharem pelo mundo, em algumas sociedades já se considerava crime uma pessoa tirar a própria vida. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O livro tem um monte de estatísticas. E cada uma tem variáveis que devem ser levadas em conta, segundo a autora, pra gente estar ciente de que muitos casos podem não estar registrados, a tal da subnotificação. Em sociedades e épocas em que o suicídio era considerado crime, condenado pela religião, em que havia até punição (que sobrava, claro, pra família da vítima) etc, os casos não registrados tendem a ser mais numerosos. Isso se descobre, por exemplo, refazendo os levantamentos, a partir de uma nova análise dos episódios e de novos critérios. Ou comparando-se os registros do tempo em que o suicídio era considerado crime ou condenado com as estatísticas a partir do momento em que o suicídio passou a ser visto de outra forma. Outra variável: quando a vítima é jovem, pode haver mais resistência a reconhecer o suicídio como tal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De um modo geral, o suicídio tem aumentado entre os jovens. Isso, de acordo com a Kay Jamison, pode ter várias razões. Uma delas decorre do próprio avanço da ciência no tratamento de transtornos afetivos: com remédios cada vez mais eficientes pra controlar a depressão, mais doentes melhoram sua qualidade de vida e formam famílias. Os filhos dessa "geração Prozac" estariam mais propensos a sofrer dos mesmos transtornos dos pais e com isso estariam engordando as estatísticas de suicídio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mulheres se matam mais. Já os homens podem se matar menos, mas têm um percentual maior de "sucesso" em suas tentativas de suicídio que as mulheres. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como toda pessoa normal, também tive meus pensamentos suicidas quando era jovem. Me lembro de quando fiz um teste prum trabalho que eu queria muito e tive a certeza de que havia fracassado. Era um sábado e eu deveria voltar à empresa na segunda-feira. Naquele fim de semana, sentindo por horas a angústia dentro da barriga (minha angústia é abdominal), pensei que eu era uma porcaria que não deveria continuar respirando. Com minha natureza passiva, acomodada e covarde, evidentemente não fiz nada. Na segunda-feira, me disseram que eu tinha me saído bem e fui contratado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje penso: me matar por causa daquela merda? Que imbecil!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que tô sendo frívolo falando sobre isso, porque é algo que não tem relação com o terrível sofrimento vivido pelos suicidas, que sequer posso imaginar, ou talvez só possa fazer isso mesmo. Mas vale pelo exercício. Se eu tivesse morrido lá pelos meus 20 e poucos anos, não teria conhecido nem feito um monte de coisa boa. Por exemplo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) Nunca teria experimentado azeite extravirgem. Sou viciado. Meu prato predileto é pastel de queijo acompanhado de pão francês molhado no azeite com sal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) Nunca teria conhecido Nova York.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) Nunca teria conhecido o jazz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) Nunca teria visto minha filha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5) Nunca teria tocado trompete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6) Nunca teria jogado tênis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7) Nunca teria tocado um violão Yamaha APX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8) Não conheceria a internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9) Não conheceria amigos que eu, misantropo, acabei fazendo já velho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10) Não mergulharia em Abrolhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lista é muito grande, parei porque achei esse troço meio boboca, não saiu como eu esperava. Paciência. Mas acho que 90% a 95% das coisas boas e que contam na minha vida aconteceram depois daquele fim de semana com a angústia na barriga. Mesmo que minha memória esteja uma porcaria, eu assinaria embaixo de uma declaração nesses termos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-8256526158060530331?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/8256526158060530331/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=8256526158060530331' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/8256526158060530331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/8256526158060530331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2010/06/noite-cai-depressa.html' title='A noite cai depressa'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-9041539483085099887</id><published>2010-05-07T21:11:00.000-07:00</published><updated>2010-05-08T21:58:40.159-07:00</updated><title type='text'>Amy, Amy, Amy! - o imbecil aqui sou eu</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/S-UAd7MqOAI/AAAAAAAAAMQ/Ks3V3Xk7w74/s1600/DSC00467.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/S-UAd7MqOAI/AAAAAAAAAMQ/Ks3V3Xk7w74/s320/DSC00467.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5468777836618332162" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Fiquei surpreso quando a Viviane (aquela de Zion) disse que eu tinha chamado a Amy Winehouse de "imbecil". Eu não lembrava disso, mas fui checar e realmente foi o que aconteceu. Por coincidência, acabei de ler um livro sobre a Amy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que eu chamei a Amy de “imbecil” num arroubo de fã, naquela mistura de amor, pela grande artista que ela é, e de ódio, por ela se destruir, servindo de piada prum monte de retardado ao redor do mundo. Mas isso não justifica. Eu devia ter vergonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Amy Jade Winehouse é uma menina judia do norte de Londres. Foi uma criança alegre, curiosa e também tímida. Cresceu cercada de música. Seu pai estava sempre cantando pros filhos (a Amy tem um irmão mais velho) e incentivava o interesse deles por música. Desde cedo, a Amy também estava sempre cantando, inclusive na escola, onde os professores às vezes tinham que dizer a ela pra parar com aquela cantoria porque estava atrapalhando as aulas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na adolescência, ela conseguiu uma bolsa de estudos numa escola em Londres famosa pelo ensino ligado ao teatro, ao canto e à dança. Mas a escola também exigia que os alunos fossem bons nas matérias tradicionais, o que acabou atrapalhando a vida da Amy, porque, tirando a parte artística, ela só era boa em inglês. A direção chegou a colocar a Amy numa turma de alunos mais velhos, pra ver se ela se sentia mais estimulada, mas isso não aconteceu. Além disso, ela tinha probleminhas de disciplina. Acabou sendo convidada a se retirar. Assim como a separação dos pais, ocorrida poucos anos antes, a saída dessa escola foi motivo de grande tristeza pra ela na idade jovem. Talvez uma das primeiras crises depressivas da Amy, que nesse período passava o dia inteiro escutando Ray Charles. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Amy sempre escutou muita coisa de diferentes estilos, como Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Caroline King, Michael Jackson, Madonna, Salt ´n´ Pepa, Erikah Badu e uns rappers esquisitos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Amy toca guitarra e escreve suas próprias músicas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro disco da Amy é “Frank” e foi lançado em outubro de 2003, quando ela estava com 20 anos. É um disco meio jazzístico, e a voz dela ali me lembra um pouco a da Billie Holiday e um tantinho mais a da Erikah Badu. A instrumentação é simples. Foi um sucesso de crítica dentro da Inglaterra. Visualmente, nessa época a Amy era uma menina saudável, bonita e coxuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo e último disco até agora, “Rehab”, é de 2006, quando ela estava com 23 anos. Foi com esse que ela estourou no mundo, depois que o álbum foi levado pros Estados Unidos. As músicas foram todas escritas na seqüência de mais uma crise depressiva, pelo fim do romance com um cara com quem ela depois reataria e se casaria. Na época, a Amy estava escutando muita música de conjuntos vocais de mulheres dos anos 60. Ela queria fazer aquele tipo de som, daí muita gente achar que a Amy faz cover de canções daquele tempo. Pra dar uma roupagem “vintage” às canções de “Rehab”, os caras recorreram a músicos especialistas em fazer som típico dos anos 60, inclusive com instrumentos da época, e a tecnologia de ponta. A voz da Amy tá mais profunda, poderosa. No visual, ela adotou uma peruca pra fazer o cabelo estilo colméia. Foi influência da cantora Ronnie Spector, que comandava um grupo de mulheres chamado The Ronnettes. A Amy também já estava mais magra. Ela atribuiu isso a distúrbios alimentares (anorexia e bulimia) e ao fato de ter começado a freqüentar uma academia de ginástica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois disso, foi aquela desgraça que todo o mundo sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Amy é propensa a crises depressivas e tem uma personalidade autodestrutiva. Já teve episódios em que se feriu propositalmente. Ela começou a beber e a fumar maconha muito cedo. Depois entrou na cocaína e na heroína.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora surgem notícias de que ela voltou a compor com seu antigo produtor. Ela estaria preparando um novo disco. Seria muito bom - assim como nunca mais ver aquelas fotos grotescas da Amy que circularam o mundo nos últimos anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/S-UEl43yTMI/AAAAAAAAAMw/J_wq5qZaPm8/s1600/DSC00472.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/S-UEl43yTMI/AAAAAAAAAMw/J_wq5qZaPm8/s320/DSC00472.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5468782371479375042" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/S-UECwzwsJI/AAAAAAAAAMg/vOpg99WBQfQ/s1600/DSC00469.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/S-UECwzwsJI/AAAAAAAAAMg/vOpg99WBQfQ/s320/DSC00469.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5468781768019587218" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/S-UD2OKnbSI/AAAAAAAAAMY/mWqfb_Mvrp0/s1600/DSC00468.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/S-UD2OKnbSI/AAAAAAAAAMY/mWqfb_Mvrp0/s320/DSC00468.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5468781552561777954" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/S-UEXpu2ZXI/AAAAAAAAAMo/A57Uqwop6zc/s1600/DSC00471.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/S-UEXpu2ZXI/AAAAAAAAAMo/A57Uqwop6zc/s320/DSC00471.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5468782126897194354" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs.: As informações (e as fotos) são do livro “Amy, Amy, Amy - the Amy Winehouse story”, de Nick Johnstone. Como tô escrevendo de memória, espero não ter errado muito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-9041539483085099887?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/9041539483085099887/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=9041539483085099887' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/9041539483085099887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/9041539483085099887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2010/05/amy-amy-amy-o-imbecil-aqui-sou-eu.html' title='Amy, Amy, Amy! - o imbecil aqui sou eu'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/S-UAd7MqOAI/AAAAAAAAAMQ/Ks3V3Xk7w74/s72-c/DSC00467.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-8323693501417041000</id><published>2010-03-14T03:09:00.000-07:00</published><updated>2010-03-17T12:09:39.396-07:00</updated><title type='text'>"É do meu amigo Macalé, ahn!"</title><content type='html'>É verdade, a música "Passarinho do relógio", com o Macalé, que eu coloquei no post anterior, é esquisita mesmo. Não a música em si, mas a interpretação. A música é uma marchinha, tipo marchinha de carnaval, eu já ouvi uma gravação antiga, não sei de quem. Eu não suporto carnaval e em geral não gosto de marchinhas. Acho um troço meio enjoado, pra dizer o mínimo. Quando eu comprei o LP "Contrastes", do Macalé, que é de 1977, me lembro que alguns parentes meus também torciam o nariz quando eu colocava a "Passarinho do relógio". O Macalé pegou uma marchinha que relata de forma bem-humorada um problema - o despertador que toca muito antes da hora devida - e jogou uma carga de realidade em cima do lado dramático muito de longe sugerido pela música. Colocou elementos do cotidiano (o bebê chorando, o sujeito reclamando, a respiração ofegante, o sono difícil) e um desfecho trágico (o acidente com o trem). O resultado pode ser considerado de mau gosto, não só porque se acresceu à marchinha, gênero leve e despreocupado, esse lado dramático, mas porque isso é feito, aparentemente, com deboche. Pelo menos é a minha sensação. Acho que de todo o disco essa música é aquela em que o conceito de "contraste" fica mais evidente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu gostava e gosto até hoje dessa versão. E pela primeira vez, levado pela ressalva feita pela Clara Lopez, decidi tentar analisar a música, tarefa muito custosa e que drenou minhas forças...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre gostei do Macalé. Ele tem uma voz ótima, embora a dicção não seja das melhores. Toca muito violão. Compõe coisas ótimas, traz do passado coisas ótimas também e sempre imprime a sua marca. É eclético. Já fez reggae, música de fossa, choro, valsa, samba, samba de breque etc. No quesito samba de breque, gravou um disco inteiro dedicado ao repertório do Moreira da Silva. É sensacional. Não conheço nenhum outro artista que ainda grave samba de breque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me lembro até hoje do Macalé no festival "Abertura", cantando, sozinho com o violão, "Princípio do prazer, um samba maravilhoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez fui a um show de lançamento de outra jóia dele, o disco "Quatro batutas e um coringa", só com músicas de Geraldo Pereira, Paulinho da Viola, Nelson Cavaquinho e Lupicínio Rodrigues. Tinha meia dúzia de pessoas na platéia, mas o show foi nota 10.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora lançaram um documentário sobre o Macalé. Não sei como é, talvez eu vá ver. Enquanto isso, vou colocar aqui embaixo uma outra faixa de "Contrastes", que talvez seja o melhor disco dele, já que quase todas as faixas são muito boas. A música, de autoria do Macalé, se chama "Choro de Arcanjo" e é interpretada pela Orquestra Tabajara. Acho que é o Severino Araújo, que Macalé considerava seu pai musical, quem fala a frase que dá título a este post. A música foi tema de um personagem do filme "Tenda dos milagres". Não lembro se o Macalé atuou no filme, mas poderia, porque ele também é ótimo ator. Talvez alguém diga que essa música aí não é choro, e talvez não seja mesmo, mas é uma ótima mistura de sei lá o quê (samba?) com o swing típico das big bands.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/LIwEutjYhEg&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/LIwEutjYhEg&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-8323693501417041000?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/8323693501417041000/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=8323693501417041000' title='16 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/8323693501417041000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/8323693501417041000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2010/03/e-do-meu-amigo-macale-ahn.html' title='&quot;É do meu amigo Macalé, ahn!&quot;'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-8869986641865446125</id><published>2010-03-01T06:53:00.000-08:00</published><updated>2010-03-05T09:31:57.883-08:00</updated><title type='text'>The end of a love affair</title><content type='html'>Um tio meu dizia que todo homem teve seu verão de 42. Chamar de alumbramento também é bonito e adequado. Eu devia ter meus 16 anos quando namorei uma mulher do meu trabalho. Ela caminhava pros 40, era casada e tinha um filho. O negócio começou com caminhadas românticas até a Central do Brasil, onde pegávamos o trem pro subúrbio. Com o tempo, passamos a dar uma parada num hotel no meio do caminho e depois seguíamos viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela era linda, inteligente, charmosa, feminina (parece estranho falar isso). Eu era doido por ela. E nem me passava pela cabeça questionar se a situação lhe causava algum desconforto. Mas é claro que ela um dia trouxe isso pro meio da gente, como se colocasse um bebê entre nós na cama. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu podia dizer? Meu único objetivo na vida então era respirar o suficiente pra chegar vivo até o nosso próximo encontro. Eu era um bruto, não ignorava a realidade, mas fazia de conta que ela não existia. Era muito fácil (às vezes ainda é). Um dia ela perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você já pensou que cada vez mais as minhas chances de poder me apaixonar vão ficar menores? Que as minhas chances de sonhar vão ficar menores?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não pensava, nunca tive vocação pra pensador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela queria voltar a estudar, completar a faculdade, colocar mais não sei o quê na vida. Aí um dia, sem me avisar, ela foi embora do trabalho. E sumiu. Eu não sabia nada dela, telefone, endereço. Nem procurei saber. Durante semanas, eu saía do trabalho e, chegando na Central, ficava lá até tarde da noite, pra ver se ela aparecia. Mas nunca aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, eu passava pelos jardins do Palácio do Catete e, ao fazer uma curva, dei de cara com ela. "É desconcertante rever um grande amor", diz a música. Não é nada. Nos abraçamos, rimos e nos atualizamos rapidamente sobre a vida um do outro. Ela se formou, se separou, teve mais um filho de um breve romance e continua linda, ativa, trabalhando. Fiquei feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu precisava tirar você da minha vida. Desculpe - ela disse, com atraso de uns 30 anos, e cada um foi pro seu lado, satisfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom... isso é o que PODERIA ter acontecido. O que houve mesmo foi o seguinte: quando começamos a conversar, ela parecia ansiosa pra se explicar, embora eu não fizesse a menor questão de exumar um defunto com mais de 30 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu precisava tirar você da minha vida. Desculpe - ela disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro. E antes que eu me esqueça: vai tomar no cu! - respondi, e cada um foi pro seu lado, constrangido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá bom, não vou mentir. Isso aí de cima também é o que poderia ter acontecido. O que houve mesmo foi o seguinte: ao fazer a curva, ficamos de frente um pro outro, mas ela não pareceu me reconhecer e eu tive sérias dúvidas sobre se aquela mulher era ela mesma. Aí cada um seguiu o seu caminho. Ela, se é ela realmente, tá acabada. Eu, que sou eu mesmo, tô pelancudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Pra acompanhar o post, em vez da belíssima música composta por Michel Legrand pra "Summer of 42", ou mesmo a lindíssima "The end of a love affair", coloco aqui a versão de Macalé pra antiga marcha "Passarinho do relógio", do Haroldo Lobo e do Milton de Oliveira. O desenho é da minha filha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/1YZBXqvBIlE&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/1YZBXqvBIlE&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-8869986641865446125?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/8869986641865446125/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=8869986641865446125' title='20 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/8869986641865446125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/8869986641865446125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2010/03/end-of-love-affair.html' title='The end of a love affair'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-2997622469212697586</id><published>2010-02-26T20:37:00.000-08:00</published><updated>2010-02-26T21:57:55.014-08:00</updated><title type='text'>O lenço</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.leopardi.com.br/loja/img_prod/42443/90_2744_2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 90px; height: 90px;" src="http://www.leopardi.com.br/loja/img_prod/42443/90_2744_2.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Acho que o cinema brasileiro deve ser um dos piores do mundo, se não o pior. Mas tem um clichê do cinema nacional que eu adoro: sempre que tá fazendo muito calor, o personagem saca um lenço e começa a se enxugar. De um modo geral, o sujeito é meio calvo, tem uma cara antiquada e usa roupas de modelo antigo. Claro que estou exagerando, talvez as obras dessa tal de Retomada não tenham tanto esse personagem. Não sei, vi pouco filme dessa tal de Retomada, a maioria ruim. Mas até ali, os anos 80, é batata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quarta-feira o trânsito no Humaitá estava um caos. Depois de muito tempo no congestionamento, passei pela causa do problema: um ônibus tinha enguiçado bem no meio da pista. Atrás dele, o clichê: um motorista torrando sob o sol enxugava a careca com o lenço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho nenhum amigo ou conhecido que carregue lenço no bolso de trás da calça. Eu sou antiquado: nunca saio de casa sem ele. Desde que me lembro, sempre carreguei um lenço. Agora, nunca usei um lenço como lenço: esse negócio de se assoar me dá nojo. Mas você nunca sabe quando vai precisar de um lenço. Você pode estar fazendo um trilha, por exemplo, ser picado por uma cobra e ter que providenciar um torniquete. Só não lembro se ele deve ser aplicado acima ou abaixo da mordida, e isso faz toda a diferença pra sobrevivência, então é bom checar no Google.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou ainda mais antiquado e uso lenço com monograma. Não com as minhas iniciais, mas as da pessoa de quem herdei o lenço. Tem gente que não gosta de usar coisa de pessoa que já morreu. Eu não tenho o menor problema com isso e sinto até orgulho neste caso específico. O lenço era do meu sogro, que, pra desespero da família, ainda jovem, se apresentou como voluntário pra lutar na Segunda Grande Guerra. Queria matar nazista. Desembarcou na Europa, mas não chegou ao front. Passou muito frio e outras dificuldades. Voltou com uma turberculose e fez um tratamento que comprometeu seus pulmões pro resto da vida, que no entanto foi bem vivida. Minha mulher, pequenininha, perguntava ao pai o que era aquela cicatriz que ele tinha. Era resultado do tratamento, mas meu sogro dizia que era um tiro que tinha levado na guerra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem que joga tudo pro alto pra ir matar nazista em outro país tem toda a minha admiração. Pode me dar o lenço que eu uso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa antiquada é homem de queixo quadrado. Nos anos 40, todos os homens tinham queixo quadrado. E é só o que me ocorre no momento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-2997622469212697586?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/2997622469212697586/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=2997622469212697586' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/2997622469212697586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/2997622469212697586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2010/02/o-lenco.html' title='O lenço'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-593825314729227644</id><published>2010-02-15T07:11:00.000-08:00</published><updated>2010-02-15T22:24:28.766-08:00</updated><title type='text'>Super-Osvjor</title><content type='html'>Talvez por que interessasse a determinada(s) corrente(s) de pensamento em determinada(s) época(s) que (eu) não saberia precisar, espalhou-se a idéia de que o ser humano, em situações-limite, invariavelmente volta a ser o babuíno que (acredita-se) uma vez fomos e (supõe-se) continua adormecido lá dentro (de nós), aguardando um (mero) cutucão pra ser despertado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parando de fazer palhaçada com os parênteses, a realidade é bem diferente. Há inúmeros e conhecidos episódios de gente que, pondo em risco a própria vida, a própria saúde, a própria segurança, enfrentando seus medos, se dispõe a ajudar o próximo. Aconteceu em campos de concentração. Aconteceu muito recentemente no Rio, em áreas castigadas pelas chuvas. Aconteceu na minha família. Eu cheguei a fazer uma lista de exemplos disso, mas não sei onde enfiei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não queria me gabar, mas eu mesmo já protagonizei episódios de heroísmo. Como a modéstia fala mais alto, vou contar na terceira pessoa do singular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher de Osvjor deve a vida a ele. Os dois estavam em Natal e decidiram (tradução: ELA decidiu) fazer um passeio no mar numa espécie de jangada movida a pedais, acionados pelos próprios passageiros. Lá pelas tantas, o vento virou, a maré mudou e o mar ficou mexido. O barqueiro falou, meio preocupado: "Se segura aí que eu vou dar meia volta". A mulher de Osvjor, no entanto, não só não o estava ajudando a pedalar, deixando todo o hercúleo esforço a cargo dele, como não atendeu ao aviso do barqueiro. Pra fugir do violento sol potiguar, ela segurava uma toalha envolta na cabeça. No exato segundo em que a embarcação virou a proa pra leste, ficando portanto paralela à praia, uma onda a atingiu, levantando-a violentamente a bombordo. Quando Osvjor viu, sua mulher desabou feito um pacote bêbado nas águas revoltas. O barqueiro, alarmado, gritou: "Mergulha e pega ela que o troço aqui tá perigoso!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher de Osvjor não sabia nadar. Ela usava um colete salva-vidas, mas isso não adianta nada pra quem não sabe nadar, vai por mim. A mulher de Osvjor caiu num ponto em que não ia nem pra frente nem pra trás, ficou presa entre duas correntes. Quando uma onda a empurrava pra frente, a outra estava recuando da praia. Logo as ondas que iam a estavam cobrindo e ela começou a beber água. Tudo isso foi observado numa fração mínima de tempo, porque Osvjor mergulhou assim que a mulher foi lançada na água. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Osvjor estava meio fora de forma, mas ele sabia nadar bem. Assim que chegou perto da mulher, procedeu da forma mais adequada pro momento. "Por que diabo você não se segurou, cacete??!!", ele perguntou. A resposta não veio porque a mulher de Osvjor, ainda de óculos escuros e SEGURANDO A TOALHA, estava sendo coberta pelas ondas e engolia água, o que a impedia de falar. Muito gentilmente, Osvjor pegou a mulher pelas costas e disse: "Sobe!". Ao que a mulher finalmente conseguiu falar: "Não vai dar. Quebrei minha perna!". "A gente engessa depois. Sobe que a jangada tá indo embora!". Na sequencia, Osvjor empurrou a mulher em direção à embarcação e a ajudou a subir. A mulher não quebrara a perna. Apenas a machucara um pouco ao bater com ela na borda da jangada no momento da queda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso tudo aconteceu, talvez, a uns 20 metros da praia. Mas na mesma área Osvjor viu uma mulher, toda histérica, se afogando num trecho em que DAVA PÉ (ela foi salva). Ruminando a experiência, Osvjor balançou a cabeça e filosofou pra si mesmo: "Nunca se deve subestimar o mar. E a nossa capacidade de se afogar nele".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/S3o5wv5C_sI/AAAAAAAAALo/8TKP6b9bK5Y/s1600-h/Nova+York+com+Raquel+037.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/S3o5wv5C_sI/AAAAAAAAALo/8TKP6b9bK5Y/s320/Nova+York+com+Raquel+037.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5438723009655537346" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A imagem, meramente ilustrativa, pode ajudar na compreensão do post&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-593825314729227644?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/593825314729227644/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=593825314729227644' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/593825314729227644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/593825314729227644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2010/02/super-osvjor.html' title='Super-Osvjor'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/S3o5wv5C_sI/AAAAAAAAALo/8TKP6b9bK5Y/s72-c/Nova+York+com+Raquel+037.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-4177735163748018423</id><published>2010-02-06T20:04:00.000-08:00</published><updated>2010-02-07T06:49:25.093-08:00</updated><title type='text'>Foi bonita a festa, pá!</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.fotolibre.org/albums/userpics/10006/Lisboa-Arco-Triunfo.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 366px; height: 550px;" src="http://www.fotolibre.org/albums/userpics/10006/Lisboa-Arco-Triunfo.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Eu trabalhei numa editora em Lisboa, no setor de fotocomposição.  &lt;br /&gt;Não lembro como eles me acharam qualificado pro negócio (aliás, a pavrava "qualificado" não havia sido inventada ainda). Eu não tinha experiência, e era preciso usar computador e sei lá mais o quê. Mas lembro que em Portugal se usava na época um outro tipo de teclado, não era esse QWERT da gente. Então eu recortava uns papeizinhos com cada uma das letras do alfabeto e demais sinais e colava no teclado da máquina de datilografar que havia levado do Brasil, pra ficar do jeito do teclado deles. Aí eu ficava treinando em casa. Não levou muito tempo pra eu estar craque no sistema deles. Também não levei muito tempo pra decorar as diferenças de grafia e acentuação de muitas palavras do português de Portugal em relação ao português do Brasil -- que alguns portugueses chamavam de "pretoguês". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente fazia a composição de uma série de publicações, entre elas uns tablóides sensacionalistas, cheios de notícias bizarras, mulheres de peitos de fora e outras safadezas agradáveis. Me lembro que a Kim Basinger, por alguma razão, tava sempre nas manchetes. Parecia que toda semana ela era abduzida por marcianos, ou era estuprada pelo padrasto, ou descobriam que ela na verdade era um hermafrodita de peruca loura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar desse lado divertido, os textos eram medonhos, muito mal escritos. Não sei se havia alguma OBRIGAÇÃO de corrigir os textos, mas isso era ESPERADO da gente. E, mesmo se não fosse, eu não conseguiria simplesmente transcrever aquelas patacoadas sem ao menos tentar dar uma atenuada. Então a gente sempre corrigia as burradas mais flagrantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa equipe não era grande. Devíamos ser uns seis ou oito. Tinha um pessoal mais jovem e outro mais velho. No meio dos jovens - entre os quais, por incrível que pareça, eu me encontrava -, havia uma menina alta, muito bonita, que era uma espécie de xodó da equipe. Ela, no entanto, tinha ALGUMAS dificuldades. Uma delas: toda vez que se deparava com alguma palavra com "uí", como construído, destruído etc, ela ficava em dúvida e gritava pra gente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Construído tem acento?&lt;br /&gt;- Tem - a gente respondia em coro.&lt;br /&gt;- Onde?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram meses e meses nisso. Até o dia em que deixei a empresa, ela não tinha ainda decorado onde ficava o acento daquele tipo de hiato.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-4177735163748018423?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/4177735163748018423/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=4177735163748018423' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/4177735163748018423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/4177735163748018423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2010/02/foi-bonita-festa-pa.html' title='Foi bonita a festa, pá!'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-2710321742704216103</id><published>2010-02-03T05:55:00.000-08:00</published><updated>2010-02-03T06:06:20.633-08:00</updated><title type='text'>Curso de música</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/S2mCJSyo3OI/AAAAAAAAALE/og1pWmXvyxM/s1600-h/CASA_e+outros+108.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/S2mCJSyo3OI/AAAAAAAAALE/og1pWmXvyxM/s320/CASA_e+outros+108.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5434017521573879010" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Primeira e última lição: nunca diga "não lembro como é o ritmo da música"; diga "não lembro como é a melodia" ou "não lembro como é a música". Em 95% dos casos, isso vai evitar que você use a palavra "ritmo" erradamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-2710321742704216103?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/2710321742704216103/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=2710321742704216103' title='12 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/2710321742704216103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/2710321742704216103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2010/02/curso-de-musica.html' title='Curso de música'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/S2mCJSyo3OI/AAAAAAAAALE/og1pWmXvyxM/s72-c/CASA_e+outros+108.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-8664506147264270369</id><published>2010-01-27T18:15:00.000-08:00</published><updated>2010-01-29T09:28:11.621-08:00</updated><title type='text'>Leituras 2009</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/S2EARCf_rdI/AAAAAAAAAK8/1CaABdJJnKM/s1600-h/CASA_e+outros+224.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/S2EARCf_rdI/AAAAAAAAAK8/1CaABdJJnKM/s320/CASA_e+outros+224.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5431622918314372562" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Inspirado pelo post da Anna V. (www.terapiazero.blogspot.com) sobre alguns dos livros que ela leu em 2009, decidi fazer eu também a relação das minhas principais leituras no ano passado. Claro que não farei nenhuma análise profunda dos textos, até porque já esqueci quase tudo. Serei bem raso e, na medida do possível, darei uma ideia do que tratam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) "Como tirar proveito de seus inimigos", Plutarco: não consegui botar em prática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) "Em defesa de Israel", de Alan Dershowitz: o autor defende Israel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) "Juliette" vols. 1, 2 e 3, Marquês de Sade, e "Bíblia", autores diversos: têm muita sacanagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) "Uma vida extraordinária", Diana Athill: tem sexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5) "Aprendendo a viver", Sêneca: difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6) "Dicionário das idéias feitas", Gustave Flaubert: economiza cérebro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7) "Café, um guia do apreciador", Francisco Alberto Pinto e Celso Luis Rodrigues Vegro: a capa vem com cheiro de café.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8) Bulas do ibuprofeno e do diclofenaco dietilamônio gel creme: descrevem a poderosa ação dessas substâncias no combate a dores e outros males.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9) "Jimi Hendrix, a dramática história de uma lenda do rock", Sharon Lawrence: ruim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10) "A dama da solidão", Paula Parisot: lindo, lembra o Rubem Fonseca às vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11) "O seminarista", Rubem Fonseca: ótimo, lembra a Paula Parisot às vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12) "A trégua", Mario Benedetti: maravilhoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13) "História de um louco amor", Horacio Quiroga: sensacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14) "A vírgula", Celso Pedro Luft: emocionante guia sobre como usar a vírgula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15) "Lições de um cachorro livre-pensante", Ted Kerasote: gosto de tudo que tem cachorro no meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16) "Mad for decades", coletânea da revista "Mad": muito edificante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17) "História das crianças no Brasil", Mary del Priore (organizadora): de um modo geral muito bom; o primeiro texto é sensacional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18) "Open", Andre Agassi: história de um tenista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19) "Breaking back", James Blake &amp; Andrew Friedman: história de um tenista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20) "A champion´s mind", Pete Sampras &amp; Peter Bodo: história de um tenista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21) "You cannot be serious", John McEnroe &amp; James Kaplan: história de um tenista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22) "Aqui tem!", Fernando Meligeni e André Kfouri: história de um tenista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23) "Como ficar velho e não se repetir"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24) "All quiet on the Orient Express", Magnus Mills: muito divertido, só não sei o que o Orient Express tem a ver com a história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;25) "Deus, um guia para os perplexos", Keith Ward: não faço idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;26) "The emotional lives of animals", Marc Bekoff: o autor descreve casos que provam por A + B que os bichos também são gente. Tem um episódio, por exemplo, de solidariedade entre ratinhos em apuros. Os bichos superam ainda os humanos em alguns aspectos, como sua capacidade incrível de se recuperar emocionalmente e de não guardar rancor, tocando o barco pra frente. É citado o caso de um urso que, por 15 anos, foi mantido numa jaula minúscula na China. O animal era comprimido, sem poder se deitar direito nem se levantar, pra dessa forma produzir mais bile, usada na medicina chinesa. Resgatado, o urso se recuperou plenamente, se mostrou uma criatura brincalhona e sobretudo amigável com os seres humanos, seus antigos torturadores. Acho que fiquei emocionado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;27) Telelistas (antigo catálogo telefônico): nunca tinha o que eu precisava.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-8664506147264270369?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/8664506147264270369/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=8664506147264270369' title='10 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/8664506147264270369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/8664506147264270369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2010/01/leituras-2009.html' title='Leituras 2009'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/S2EARCf_rdI/AAAAAAAAAK8/1CaABdJJnKM/s72-c/CASA_e+outros+224.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-8028356915027706389</id><published>2010-01-18T17:54:00.000-08:00</published><updated>2010-01-18T19:55:04.173-08:00</updated><title type='text'>Vingança carioca</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/S1UszGlIt-I/AAAAAAAAAK0/RztO6inClWc/s1600-h/Imagem+123.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/S1UszGlIt-I/AAAAAAAAAK0/RztO6inClWc/s320/Imagem+123.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5428294182316324834" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Eu tava dormindo e o celular tocou. Era o Pernambuco. Queria me lembrar do combinado: às 10h na Glória. Claro, claro. Eram 9h e eu queria continuar dormindo. Fiz as contas. Se eu dormisse mais uma meia hora, ainda dava tempo de levantar, tomar café e chegar à Glória às 10h. Botei o relógio pra despertar às 9h30m. Mas peraí: essa conta estaria OK se eu quisesse realmente ser pontual. Mas acontece que o Pernambuco é do tipo que gosta de ser esperado. Então sempre chega uns 10, 15 minutos atrasado. Isso me irrita profundamente, porque sempre costumo chegar uns 10, 15 minutos adiantado, então lá se vão 20 a 30 minutos de espera. Eu disse isso pro Pernambuco da última vez que combinamos um jogo. E falei que ia dar o troco. Então decidi que dessa vez ia me atrasar uns 10, 15 minutos. Mas aí pensei que o Pernambuco devia estar pensando de mim: "Aquele otário vai chegar uns 10, 15 minutos atrasado, pra não ter que me esperar; mas vou me atrasar mais uns 10, 15 minutos além do habitual e pegar o pateta no contrapé". Aí me dei conta de que, seguindo meu plano original, não me vingaria coisa nenhuma porque chegaríamos na mesma hora. Eu tinha que chegar era mais uns 10, 15 minutos atrasado além do previsto inicialmente. Mas agora isso já não ia adiantar nada, porque o Pernambuco tinha adivinhado a minha estratégia e ia se atrasar mais 10, 15 minutos além do habitual. Então eu teria que me atrasar ainda mais, acrescentando uns 10, 15 minutos à última conta que fiz. O Pernambuco é que tinha que me esperar dessa vez! Acertei o despertador de novo. Mas aí pensei que o Pernambuco tinha ficado esperto demais quando eu disse que ia me vingar. Ele provavelmente agora tá pensando: "Aquele otário tá pensando que vai me deixar mofando só porque tá pensando que eu tô pensando que ele vai chegar uns 45 minutos depois, mas se ferrou porque vou botar mais uns 10, 15 minutos nessa conta e ele é que mais uma vez vai ter que me esperar. Hahahaha!" Como eu não tinha pensado nisso antes??!!! Acrescentei mais uns 10 a 15 minutos na conta, acertei de novo o despertador e dei a gargalhada dos vitoriosos. Ele ia ver dessa vez com quem tava lidando! Mas aí pensei: o Pernambuco é tudo menos idiota! Deve estar imaginando todo o meu processo mental e blablablá... Já é mais de meio-dia e eu continuo aqui na cama. Se ele ligar dizendo que já tá lá, eu me arrumo rapidinho e chego em 10, 15 minutos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-8028356915027706389?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/8028356915027706389/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=8028356915027706389' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/8028356915027706389'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/8028356915027706389'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2010/01/vinganca-carioca.html' title='Vingança carioca'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/S1UszGlIt-I/AAAAAAAAAK0/RztO6inClWc/s72-c/Imagem+123.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-7188158337745412843</id><published>2009-12-23T19:14:00.000-08:00</published><updated>2009-12-23T19:42:38.606-08:00</updated><title type='text'>Baseado em fatos reais</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SzLgdCUS0kI/AAAAAAAAAIk/41n8gjHM_Ws/s1600-h/Imagem+1114.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SzLgdCUS0kI/AAAAAAAAAIk/41n8gjHM_Ws/s320/Imagem+1114.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5418640091122946626" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Não gosto de ficar colocando material de segunda mão aqui, mas, sei lá se por algum efeito colateral de fim de ano, andei topando com umas velharias e encontrei as três críticas abaixo. São uma gozação dum tempo em que eu e um amigo ficávamos lendo os críticos de cinema e música e ríamos muito com os textos que uns caras faziam. Aí cada um de nós escreveu umas críticas mais ou menos no estilo dos cidadãos e nos divertimos com essa bobeira. Talvez não tenha a menor graça pros outros, mas lendo hoje eu voltei a rir muito. Tem gente que se diverte com pouco mesmo... OBS: como dizem os professores, nunca escrevam "baseado em fatos reais", porque, segundo eles, se é fato já é real. Vocês devem escrever: "baseado numa história real", porque a história tá cheia de mentira mesmo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                        x*x*x*x*x*x*x&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reza a lenda que o mítico Alfred Jarry, autor de "Ubu Rei", obra seminal do movimento surrealista que varreu a França na década de 20 e impôs novos paradigmas a toda uma geração entreguerras na Europa, costumava andar sempre armado com sua pistola. Toda vez que ia a um café e pedia seu queijo emmentaler, fazia uma encenação: revoltava-se por causa da escassez de furos e começava a dar tiros a esmo. Ora, é bom que o espectador não seja nenhum Alfred Jarry porque, ao adentrar as salas de projeção para assistir ao último filme de Spielberg, o eterno Peter Pan, o que tem é vontade de sair fazendo disparos para todos os lados. Não que "O resgate do soldado Ryan" seja um mau filme. Longe disso. Mas é foda porque o espaço acabou e não deu para falar do filme. Mas vocês pegaram o espírito da coisa, né?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                        x*x*x*x*x*x*x&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reapresentação de "L'ascenseur pour l'échafaud" permite ao espectador hodierno tomar contato com a obra mais visceral de Louis Malle. Figura de proa e ao mesmo tempo um gauche no movimento nouvelle vague, Malle exercitou aqui suas qualidades mais paradoxais: a tensão entre o comum e o extraordinário, o choque entre o finito e o perene, a implausível porém onipresente dicotomia tudo/nada. Isso, pasmem!, numa obra de 1958. A música de Miles Davis, que com os acordes de seu trompete criou novos patamares harmônicos para escalas modais, pontua a narrativa como uma gilete cortando a carne sob a unha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                         x*x*x*x*x*x*x&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há mais mais coisas entre o céu e a terra do que a nossa vã filosofia pode supor. Levando este adágio ao seu paroxismo, o mítico Ed Wood concerta paradigmas (no sentido freudiano do termo) numa parábola dos tempos modernos que, a um só tempo, reúne o que há de melhor e o que há de mais desprezível em nossa civilização pós-industrial. Permeado de efeitos especiais que só fazem maximizar o desconforto do espectador e potencializar sua própria perplexidade diante das perguntas que o saber tecnológico (e, claro, todas as religiões, sem exceção) deixou sem respostas, "Plan 9 of outter space" é mais um típico exemplar do que o mainstream hollywoodiano, em sua superficialidade e imediatismo, rejeita com todo o furor, como o útero expele o feto num aborto espontâneo. Formando um quadro hiper-realista (numa espécie de grito edwardmunchiano às avessas), a obra seminal de Ed Wood desponta na tradição da nouvelle vague, mas com um viés todo próprio, como a proa do submarino que assoma à superfície do mar da procela. Enfim, não entendi picas do filme.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-7188158337745412843?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/7188158337745412843/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=7188158337745412843' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/7188158337745412843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/7188158337745412843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2009/12/baseado-em-fatos-reais.html' title='Baseado em fatos reais'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SzLgdCUS0kI/AAAAAAAAAIk/41n8gjHM_Ws/s72-c/Imagem+1114.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-7471567986578105598</id><published>2009-12-17T05:55:00.000-08:00</published><updated>2009-12-17T08:39:43.851-08:00</updated><title type='text'>Efemérides</title><content type='html'>&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-bc322982687ce4ca" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v23.nonxt7.googlevideo.com/videoplayback?id%3Dbc322982687ce4ca%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330273307%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D18DADC82C212C83F5CD69453C97898CA160E2682.77E3573EF0149E8C2BDAE827AECC9AEA4C75B4A6%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Dbc322982687ce4ca%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DWlgM64uOGMIpKJA25VOQ_tPi5oE&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v23.nonxt7.googlevideo.com/videoplayback?id%3Dbc322982687ce4ca%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330273307%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D18DADC82C212C83F5CD69453C97898CA160E2682.77E3573EF0149E8C2BDAE827AECC9AEA4C75B4A6%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Dbc322982687ce4ca%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DWlgM64uOGMIpKJA25VOQ_tPi5oE&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tinha um amigo que dizia odiar efemérides. Alias, foi graças a ele que eu conheci a palavra efemérides, o que prova que nem toda amizade é inútil. Então, aproveitando o Natal e o ano novo iminentes, aqui vai "Here´s to life", com a Shirley Horn, que é uma das coisas mais bonitas que já ouvi na vida. O que eu posso falar sobre a Shirley é o seguinte: ela tocava muito piano, desde pequena, foi menina prodígio, e além disso cantava demais. Minha filha falou: nossa, ela era feia! É verdade, mas a criatura já cantava e tocava demais, vc ainda queria que ela fosse bonita? Vamos acreditar um pouco na Lei das Compensações... Já sobre o clipe o que eu posso falar é o seguinte: como não sei como postar música aqui (acho que não é possível, a menos que o arquivo esteja num site), fiz o clipe com o Movie Maker, pois vídeo é possível carregar pro Blogger. Foi minha primeira obra nesse tal de Movie Maker, ficou triste, então não liguem muito pras imagens e apreciem a música.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-7471567986578105598?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/7471567986578105598/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=7471567986578105598' title='11 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/7471567986578105598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/7471567986578105598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2009/12/efemerides.html' title='Efemérides'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-4131712369793995931</id><published>2009-12-10T19:02:00.001-08:00</published><updated>2009-12-10T20:04:26.676-08:00</updated><title type='text'>Luzes da ribalta</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SyHDMMpH5iI/AAAAAAAAAIU/THaBc6THn68/s1600-h/teatro.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SyHDMMpH5iI/AAAAAAAAAIU/THaBc6THn68/s320/teatro.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5413822841395602978" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Não existe arte mais vilipendiada do que o teatro. Qual a razão de eu ter escrito isso? É que eu queria uma frase de efeito pra começar o post, só isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o começo, sempre apoiei minha mulher por querer que nossa filha fosse ao teatro. A gente tem que acostumar a criança desde pequena às mais diferentes manifestações de arte, pra que ela não vire um adulto limitado, eu filosofava. O problema é que muitas vezes minha mulher estava trabalhando e eu é que tinha que levar a menina ao teatro. Quer dizer, não era um problema, sair com a minha filha sempre foi um programão. Então lá ia eu pro sacrifício...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi muita coisa boa, outras ruins. Um problema recorrente era culpa da minha filha: ela queria sempre se sentar na primeira fila (até hoje é assim). Por que um problema? Porque às vezes, só às vezes, eu sentia uma certa sonolência. E definitivamente não pega bem dormir na cara dos atores. Porque este é um dos problemas do teatro, é gente de carne e osso que tá lá. No cinema, é beleza: os caras não vão ficar cheios de melindres se você tirar uma soneca. Afinal, vc pagou pelo assento e faz o que bem entender com ele. Mas vai fazer isso no teatro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei por experiência própria. A gente tava num teatro no Leblon e, antes da peça começar, senti uma certa sonolência e sucumbi. Mas acordei com o sinal e já tava bem desperto quando a peça começou. Lá pelas tantas, no entanto, a Lady Francisco, que era a estrela, começou com aquele número manjado de mexer com alguém do público. Aí me pegou pra cristo, alegando que era pra eu não dormir mais no teatro. Mas como é que eles viram? Toda a platéia caiu na gargalhada. Até minha filha jogava a cabeça pra trás e segurava a barriga, não se aguentando de tanto rir, se divertindo com a minha humilhação pública. Um ator me apontou o dedo: eu tava nos bastidores e te vi dormindo, isso é pra você aprender a respeitar o trabalho dos outros! Mais gargalhadas, mão na barriga, tapinhas nas costas. Foram meus quinze minutos de fama. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas pelo menos a peça era boa. Numa outra vez, num teatro caidaço, nos sentamos mais uma vez na primeira fila e, como estava vazio, minha filha pulou uma poltrona. Aí veio um maluquinho e se sentou entre nós. Minha filha me olhou alarmada, mas eu fiz sinal pra ela relaxar, eu conhecia o doidinho. Era um cara talvez da minha idade, mas, como tinha o problema lá dele, devia ter uma idade mental de uma criança e ia a peças infantis. A peça demorou a começar, mas não dava nem pra dormir, porque o assento era uma porcaria, de pau, sei lá. Além disso, o maluquinho de dois em dois minutos estendia a mão pra mim e dizia, prazer, Fulano de tal. Eu respondia ao cumprimento, prazer, Osvjor. A gente se apresentou umas 20 vezes até a peça começar. Era um negócio horrível, sobre a Amazônia, com uns índios mal ajambrados, uns cacos medonhos com linguajar esquerdista, acho que um dos infelizes do elenco fez até piada com o Bush. As cerca de cinco pessoas da platéia não pareciam estar se divertindo nem um pouco, com exceção talvez do doidinho. Prazer, Fulano de Tal. Prazer, Osvjor. Minha filha ficava arregalando os olhos. Aí numa hora um índio de cueca rasgada, coitado, perdeu um pena da indumentária indígena dele e a pena veio pousar na beira do palco, perto da gente. Meu vizinho me cutucou: pega pra mim. Não, respondi. Deixa lá, é da peça. Pega pra mim. Não, é do figurino, vai fazer falta. Pega aí. Não, kcta, vai dar prejuízo pra produção. A peça seguia e eu já não tava acompanhando nada. O maluquete então iniciou um movimento ascendente. Eu esqueci de dizer que ele tinha uma certa dificuldade de locomoção. Então ele foi lentamente se levantando e eu peguei no braço dele, não, deixa a pena lá. Mas ele era forte como o diabo e foi me arrastando enquanto se inclinava na direção do palco e eu tentava deter a fera. Deixa, não faz isso, mas ele não tava nem aí: pegou a pena e voltou a se sentar. Fiquei irritado. Não falei pra você não pegar? Mas ele não se abalou: sacudiu a pena na minha frente e ficou sorrindo, satisfeito da vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-4131712369793995931?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/4131712369793995931/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=4131712369793995931' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/4131712369793995931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/4131712369793995931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2009/12/luzes-da-ribalta.html' title='Luzes da ribalta'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SyHDMMpH5iI/AAAAAAAAAIU/THaBc6THn68/s72-c/teatro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-1268996232620071723</id><published>2009-11-27T18:30:00.000-08:00</published><updated>2009-11-30T04:51:32.674-08:00</updated><title type='text'>Momento sensibilidade II</title><content type='html'>Eu não gosto de mudar, acho que mudança a princípio é ruim. Sou conservador. Se conheço um restaurante que gosto, só quero ir nele. Minha mulher fica querendo experimentar outros. Não quero experimentar nada, não vou me decepcionar à toa. Vou lá no meu restaurante mesmo. Com a música é a mesma coisa. Depois que descobri o jazz dos anos 40-60, só quis saber dele. Discos, songbooks, vídeos, livros... só me interessavam se tivessem a ver com aquilo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas de uns tempos pra cá já não não me sentia tão excitado quando encontrava, por exemplo, um CD nunca lançado dum show do trompetista Kenny Dorham gravado ao vivo em 59 num club do Queens. Pq seria? Meu espírito se tornara cascudo como a minha pele envelhecida??&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí fui topando com outras coisas que não o jazz do eixo 40-60 que me fizeram sentir o antigo elã. Ah, então existe vida além daquele mundo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Instigado pela Marta, que quer conhecer gente nova, vou mostrar alguns artistas que conheci nos últimos tempos, alguns com atraso de décadas, mas aí que tá a vantagem de ser ignorante: vc sempre pode ter ótimas surpresas com o óbvio. Vou me concentrar nas mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) &lt;a href="http://www.alwaysontherun.net/bethorton2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 300px;" src="http://www.alwaysontherun.net/bethorton2.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Beth Orton: Foi a estrela do post passado. Adoro a voz da Beth, o jeito largadão dela cantar, as músicas dela. A menina tem um monte de discos, é só ir no Google. Eu gosto de todos que conheço. "Paris train", a do vídeo que postei, é uma das minhas músicas preferidas. A Beth tem até uma interpretação de uma música meio caipira do Leonard Cohen, "Sisters of mercy", que acho linda, apesar desse tipo de canção não apelar muito pros meus grugumilos. Devo ser muito fã mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_vDeEZc3iujA/R3kiPwUg3dI/AAAAAAAAA58/iDeGDjZOY0Y/s320/MusicCatalog_L_Lizz+Wright+-+Salt_Lizz+Wright+-+Salt.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_vDeEZc3iujA/R3kiPwUg3dI/AAAAAAAAA58/iDeGDjZOY0Y/s320/MusicCatalog_L_Lizz+Wright+-+Salt_Lizz+Wright+-+Salt.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Lizz Wright: Os fãs da Maria Bethânia e da Ana Carolina que me perdoem, mas não sou muito chegado a cantora de voz grossa. Então por que diabos fui gostar da Lizz Wright, que tem voz grossa? Sei lá, mas acho que a Lizz, entre as novas, é uma das maiores cantoras que ouvi nos últimos 20 anos. Conheço dois discos dela. O que mais gosto é "Salt". Acho todo o disco sensacional. A combinação da voz dela, da interpretação e dos arranjos produz um resultado de uma beleza difícil de igualar. As três músicas que mais gosto são "Eternity", "Goodbye" (canção americana antiga, interpretada de forma fantástica) e "Blue rose". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) &lt;a href="http://images.uulyrics.com/cover/c/camille/album-le-fil.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 300px;" src="http://images.uulyrics.com/cover/c/camille/album-le-fil.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Camille: dá gosto ouvir essa francesa, que faz um som diferente, usando superposição de vozes e ruídos diversos. A foto é da capa do álbum "Le fil", em que há um mesmo som contínuo (o "fio") ao fundo de todas as músicas. Gosto muito também do álbum "Le sac des filles", e principalmente da música "La demeure d'un ciel". Eu ia colocar o vídeo dessa música aqui, mas deu um piripaque qualquer no blogger e ele não aceitou. Mas o vídeo pode ser visto no YouTube. Dá pra ter bem uma idéia de como a menina constrói o seu som.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) &lt;a href="http://doisespressos.files.wordpress.com/2009/02/keren-ann1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 300px;" src="http://doisespressos.files.wordpress.com/2009/02/keren-ann1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Keren Ann: se já sei muito pouco sobre as outras artistas, sobre a Keren Ann sei menos ainda, além de que ela é israelense e parece que viveu na França ou ainda vive. A foto é do disco que tenho. Muitas músicas são bem lentas, mas sem aquela coisa enjoada que virou a Simone, por exemplo, quando começou a cantar em andamento lento. É bontinho ouvir a Keren, por exemplo, cantando "Manhã de carnaval", em português mesmo, com seu jeito de interpretar que é quase falado. Gosto muito de "It´s all a lie", "The harder ships of the world" e "Lay your head down". Pra quem gosta do estilo, tem também a quilométrica "Hallelujah", do Leonard Cohen, aquela da trilha sonora do "Shrek".  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5) &lt;a href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/c/c9/Sam_Brown_-_Stop%21_%28CD%29.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 300px;" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/c/c9/Sam_Brown_-_Stop%21_%28CD%29.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Sam Brown: como crítico musical, eu não tenho a menor objetividade. Minhas resenhas são escassas em informação e estão repletas de adjetivos vazios e conceitos vagos. E aqui ainda vai uma fraude: eu me propus a indicar artistas que tivesse conhecido há mais ou menos pouco tempo, mas conheço a Sam Brown há mais de 20 anos, quando ela estourou com "Stop", um blues sensacional, que ela, uma branquinha loura, cantava com uma voz extraordinariamente potente, em registro agudo, berrando de um jeito que a gente poderia jurar que só a Aretha Franklin ou uma daquelas negras do gospel poderiam fazer. De lá pra cá, a inglesinha deixou de ser loura, virou uma mulher madura com tantos filhos, gravou não sei quantos discos e experimentou diferentes estilos, com resultados irregulares. Tenho vários discos dela, mas continuo achando que o "Stop" ainda reúne o melhor conjunto de músicas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6) &lt;a href="http://images.starpulse.com/Photos/Previews/A-Fine-Frenzy-v23.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 450px;" src="http://images.starpulse.com/Photos/Previews/A-Fine-Frenzy-v23.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A Fine Frenzy: Essa menina é uma pianista que compõe e canta lindamente. Adotou esse pseudônimo sei lá por quê. Suas músicas são sei lá como definir, um negócio suave, acessível e sofisticado. Gosto demais. O disco que tenho é "Bomb in a birdcage" e uma das músicas que mais me agradam é "Bird of the summer".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7) &lt;a href="http://www.dance-lyrics.com/ama/other_songs_b0000dyjm4.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 300px;" src="http://www.dance-lyrics.com/ama/other_songs_b0000dyjm4.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Dixie Chicks: Se tem uma coisa que me dá certo enjoo é música country. O Wynton Marsalis, um trompetista de primeira linha, gravou há pouco tempo um disco com o Willie Nelson, em que o Willie canta umas músicas do repertório tradicional de jazz daquele jeito lá dele. No final, você se pergunta: pra quê que serviu isso? Que troço chato, que resultado pobre. Já basta o Rod Stewart se meter a gravar standard, agora o Willie?! Mas as Dixie Chicks são outra história. Fazem música caipira muito boa, moderna, roqueira, muito bem arranjada, gostosa de ouvir. E as garotas são lindas e ótimas instrumentistas, uma combinação poderosa. Parece que elas andaram sendo boicotadas por criticarem o Bush malvado, o que torna os seguidores do Bush uns desqualificados totais. A foto é de um disco duplo gravado ao vivo, ótimo. Gosto muito de "There´s your trouble", "Cold day in July" e "Top of the world". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8) &lt;a href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/59/PJ_Harvey_1.jpg/800px-PJ_Harvey_1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 430px; height: 300px;" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/59/PJ_Harvey_1.jpg/800px-PJ_Harvey_1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;PJ Harvey: Não ter conhecido antes a PJ Harvey é um dos grandes vexames da minha vida, mas agora pelo menos já posso morrer feliz. Vi uma entrevista da Polly Jean (a PJ) em que ela diz que gosta de fazer música que não deixe as pessoas indiferentes. Ai, minhas partes pudendas, que chavão de artista! Mas, ó, no caso da PJ, acho que ela consegue isso mesmo. Quando eu coloco a PJ no player do carro, por exemplo, não importa se de uma fase roqueira ou acústica, minha mulher e minha filha descem na mesma hora e vão de táxi. Quer dizer, ela pode não ser lá muito palatável. A PJ toca vários instrumeentos e é realmente uma artista eclética. Faz muito bem tanto um rock pesado, um punk, como um trabalho mais suave, melodioso. Canta muito, tanto no registro grave como no agudíssimo. Adoro os gritos que ela dá em "To bring you my love". Outras músicas que gosto muito são "This is love", "You come through", "The piano" e várias outras. Eu queria colocar aqui o vídeo dela cantando "The piano", música do disco acústico "White chalk", mas não consegui de jeito nenhum. Vai então um vídeo de "Dress", do tempo em que ela, hoje nos seus 40, ainda tava novinha. &lt;br /&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-7fb26b423e7cdb57" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v18.nonxt4.googlevideo.com/videoplayback?id%3D7fb26b423e7cdb57%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330273307%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D761A1EA7B285A6F6DEDB722ED5D7BD0F5DF47366.1D9F8E062B86A45248F951D2764A4A64C9B962D2%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D7fb26b423e7cdb57%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DuAf6IYnuvMCJAoeuxIdFurR9EhI&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v18.nonxt4.googlevideo.com/videoplayback?id%3D7fb26b423e7cdb57%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330273307%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D761A1EA7B285A6F6DEDB722ED5D7BD0F5DF47366.1D9F8E062B86A45248F951D2764A4A64C9B962D2%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D7fb26b423e7cdb57%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DuAf6IYnuvMCJAoeuxIdFurR9EhI&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9) &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SxM93siUsSI/AAAAAAAAAIM/qr3bh86m4cs/s1600/Ingrid_Jensen_By_Scott_Macleod.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 203px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SxM93siUsSI/AAAAAAAAAIM/qr3bh86m4cs/s320/Ingrid_Jensen_By_Scott_Macleod.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5409735604459319586" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ingrid Jensen: Não é muito comum ver mulher tocando trompete. Eu acho muito sexy (como meus escassos leitores são pessoas de classe, não vão fazer nenhuma piadinha). Deve existir alguma razão pras mulheres tocarem flautas transversas, flautas barrocas, oboés etc, mas não optarem muito pelo trompete. Será que é pelo instrumento demandar muito fisicamente? Será que é feio? Por isso, fiquei surpreso quando vi aquela loura linda na capa do disco "Here on Earth". A canadense toca muito. Tem um estilo que lembra o do Woody Shaw, se é que isso faz algum sentido pra alguém, se não fizer, basta saber que o Woody Shaw também tocava como o diabo e era um compositor e improvisador muito inspirado. Coloquei aqui embaixo o vídeo da Ingrid tocando na orquestra da americana Maria Schneider, num show no Brasil. O pessoal apresenta "Lembra de mim", do Ivan Lins. Algum cricri pode dizer que aquilo não é bem jazz, mas o título da programação -- "Tudo é jazz" -- esvazia a controvérsia. No vídeo, a Ingrid toca flugelhorn, instrumento que se toca como o trompete, mas que tem uma sonoridade mais grave, algo entre o trompete e o trombone. Ela tem pouco espaço pra improviso (ela lê a partitura a maior parte do tempo) e dá uns agudos ali que são dificílimos no flugel. No final, faz aquela cara de alívio por ter conseguido passar pela pedreira.&lt;br /&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-2f161ed5e1ad0398" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v11.nonxt2.googlevideo.com/videoplayback?id%3D2f161ed5e1ad0398%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330273307%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D32182AA8E5DFF99D1F7CF1477C6FD1FCB944D18D.B993A10DA8E360B629D0F4988AB509CC69560B5%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D2f161ed5e1ad0398%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DctboXrRkgGaRS8GMgwvRi7hyEuA&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v11.nonxt2.googlevideo.com/videoplayback?id%3D2f161ed5e1ad0398%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330273307%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D32182AA8E5DFF99D1F7CF1477C6FD1FCB944D18D.B993A10DA8E360B629D0F4988AB509CC69560B5%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D2f161ed5e1ad0398%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DctboXrRkgGaRS8GMgwvRi7hyEuA&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-1268996232620071723?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/1268996232620071723/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=1268996232620071723' title='15 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/1268996232620071723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/1268996232620071723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2009/11/mulheres-que-tornam-o-mundo-um-lugar.html' title='Momento sensibilidade II'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_vDeEZc3iujA/R3kiPwUg3dI/AAAAAAAAA58/iDeGDjZOY0Y/s72-c/MusicCatalog_L_Lizz+Wright+-+Salt_Lizz+Wright+-+Salt.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-4801677410232342371</id><published>2009-11-26T18:05:00.000-08:00</published><updated>2009-11-26T18:49:57.562-08:00</updated><title type='text'>Momento sensibilidade</title><content type='html'>Saindo um pouco do rame-rame, e como este é um blog sensível, compartilho um vídeo da Beth Orton, cantora que eu adoro. A música é "Paris train".&lt;br /&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-af449719eb66fd4c" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v18.nonxt4.googlevideo.com/videoplayback?id%3Daf449719eb66fd4c%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330273307%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D1F324BCE5763C7EF69BF676FB615B85D293C9B4A.59EEF844D0495DB2FD37E45E674330F226D7AACE%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Daf449719eb66fd4c%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DlMpHv38-srtOUnYfUXops--lNQc&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v18.nonxt4.googlevideo.com/videoplayback?id%3Daf449719eb66fd4c%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330273307%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D1F324BCE5763C7EF69BF676FB615B85D293C9B4A.59EEF844D0495DB2FD37E45E674330F226D7AACE%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Daf449719eb66fd4c%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DlMpHv38-srtOUnYfUXops--lNQc&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-4801677410232342371?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/4801677410232342371/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=4801677410232342371' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/4801677410232342371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/4801677410232342371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2009/11/momento-sensibilidade.html' title='Momento sensibilidade'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-8910851009813239340</id><published>2009-11-23T18:51:00.000-08:00</published><updated>2009-11-23T19:59:09.861-08:00</updated><title type='text'>O amor não tem fronteiras ou ó, só, por que a gente não deve trabalhar de graça</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SwtXU1ObA1I/AAAAAAAAAH0/n5QWU-IS8po/s1600/encontro.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SwtXU1ObA1I/AAAAAAAAAH0/n5QWU-IS8po/s320/encontro.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407511792984982354" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O telefone tocou e minha mulher atendeu. Do outro lado, B. conta que conheceu um americano numa boate, passaram momentos muito especiais juntos, o cidadão voltou pros EUA e eles agora estavam mantendo contato por e-mail. Problema: B. não entende inglês e precisa de alguém pra traduzir. Aí diz que vai repassar os e-mails pra minha mulher, pra ela fazer a ponte da paixão entre os pombinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não. Faz o seguinte: manda pro meu marido que ele entende mais dessas coisas de tecnologia. Anota aí o e-mail dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ouvi aquilo e abri os braços como quem diz: comé que é? Ela fez outro gesto como quem diz, deixa pra lá, ele não vai mandar nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, recebo no e-mail do trabalho: "Caro osvjor, aqui está o e-mail de M. Muito obrigado por traduzir e desculpe o incômodo, tá? Serei eternamente grato". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B. e M. tinham se conhecido numa boate gay. Minha mulher conhecia M., mas com seu jeito expansivo logo estava amiga de B., que ligou várias vezes aqui pra casa pra pedir conselhos amorosos. M. era um homem maduro, B., um garoto ainda, meio perdido na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abro o e-mail e começo a traduzir. Diz M.: "Sinto sua falta. Foram momentos muito agradáveis a seu lado". Encerro o trabalho e envio pra B.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, outra mensagem de B., dessa vez menos cerimoniosa: "Oi, olha outro email aí. Valeu, heim". Diz M.: "Se você vier mesmo pra Nova York, eu vou cuidar bem de você. Beijos, te amo". Traduzi e enviei pra B. As mensagens dele pra M., outra pessoa traduzia, segundo ele contou à minha mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim se iniciou esse romance epístolo-cibernético. Não era nada demais, o conteúdo das mensagens na maioria das vezes era bem brega, bobo, como costumam ser as conversas dos apaixonados. Mas eu me sentia desconfortável. Não pela veadagem, mas: 1) achava que aquilo era um pouco de abuso com a minha pessoa; e 2) eu estava invadindo a intimidade do americano, que não sabia que alguém lia os e-mails dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como? Se B. não falava inglês, então como M. achava que ele estava se virando aqui com os e-mails? Como eles se comunicavam antes? Não vale dizer que era pela linguagem universal do amor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o tempo, B. foi ficando mais folgado. Passou a simplesmente reenviar os e-mails de M., sem qualquer mensagem pra mim, colocando apenas no subject: "Pra traduzir". M. foi ficando mais saudoso: "Muitas vezes, à noite, abraço meu travesseiro e me masturbo pensando em você". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso não tá certo, voltei a reclamar, esse foi o último. Quando B. ligou, dizendo que estava apaixonado por M., mas que agora também estava em dúvida entre um português e um italiano que conhecera recentemente, minha mulher comunicou minha decisão. O romance murchou. Mas o garoto ficou bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-8910851009813239340?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/8910851009813239340/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=8910851009813239340' title='19 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/8910851009813239340'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/8910851009813239340'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2009/11/o-amor-nao-tem-fronteiras-ou-o-so-por.html' title='O amor não tem fronteiras ou ó, só, por que a gente não deve trabalhar de graça'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SwtXU1ObA1I/AAAAAAAAAH0/n5QWU-IS8po/s72-c/encontro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-2120727314325501980</id><published>2009-11-22T17:53:00.001-08:00</published><updated>2009-11-24T18:39:55.437-08:00</updated><title type='text'>Cadê o joelho que tava aqui?</title><content type='html'>Um dia acordei e o dedão do pé estava doendo. Eu estava pra viajar, mas à medida que o tempo passava o negócio piorava. Logo o dedão estava parecendo uma beterraba de tão inchado. Logo o meu pé inteiro era uma beterraba gigante. Cancelei a viagem. Eu tive que ir aos Correios pegar um treco, uma caminhada de uns meros seis quarteirões, e aquilo foi uma tortura, porque eu não conseguia mais usar a perna, estava aleijado. Pensei egoistamente que feliz era quem tinha muleta. Nos Correios, vi uma cega com seu cachorro-guia, um lindo e taludo labrador, e pensei ainda mais egoísta e imaturamente que ela é que era feliz, porque não via, mas podia andar normalmente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso pra repetir a idéia chavão de que a gente não sente falta do negócio até que aquele negócio falte. Ou seja, eu nunca tinha atentado pra importância do dedão do pé, até me ver privado do bom funcionamento dele. Não sei o que aconteceu. Ele simplesmente acordou assim um dia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu joelho também. Um dia ele acordou esquisito. Tentei ignorar por alguns meses, mas ele só piorou. Fui ao médico, fiz exame. O diagnótico: lesão de menisco. Mas que diabo é menisco? O médico pegou um esqueleto e mostrou: é esta cartilagem que fica entre os ossos do joelho. Mas o que é uma cartilagem?, perguntou minha filha em casa. É uma substância macia, tipo jujuba, expliquei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SwyY33JwMEI/AAAAAAAAAIE/qnoxW89D5M4/s1600/joelho.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SwyY33JwMEI/AAAAAAAAAIE/qnoxW89D5M4/s320/joelho.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407865338030207042" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Infográfico de um membro inferior: em vermelho, a jujuba que fica entre os ossos no joelho&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como no caso do dedão, não sei o que aconteceu com aquela jujuba. O médico perguntou: vc sofreu algum acidente, algum grande impacto? É estranho porque, no caso de pessoas JOVENS como você, é preciso haver um evento importante como causa, e você lembraria... Fiquei grato a ele por ter me considerado jovem, mas foi a única coisa boa da consulta. A primeira coisa ruim: nada de tênis. A segunda: fisioterapia. A terceira: fazer academia pra fortalecer a região. A quarta: se não melhorar, é preciso operar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas onde foi parar aquele joelho que eu tinha até ontem? Eu estava com um amigo ortopedista e ele perguntou, qual a sua idade? 48, respondi. Ele: então tem que ver o seguinte, você tá no lucro, tudo que vem depois dos 40 é lucro. Não era bem o que eu precisava ouvir pra me animar. Ele: eu mesmo já operei os joelhos QUATRO VEZES, e continuam ruins. Peraí, você quer que eu me jogue no Canal do Mangue? Não tem saída? Ele refletiu um pouco: rezar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse meio-tempo, já recebi outros conselhos aparentemente mais úteis: fazer acupuntura, andar na areia, consultar outro médico, aplicar massa de gengibre, iniciar uma hemoterapia (retirar meu próprio sangue e injetar no joelho), praticar natação, esquecer o tênis, matar um bode na esquina. Vou tentar tudo isso, menos matar um bode, porque o bode é um dos bichos mais nobres da criação e eu amo os bodes e seus correlatos. Um dia, passando pelo Jardim do Méier, vi um cidadão vendendo um cabritinho por 50 paus. Quase comprei pra criar no meu apartamento, porque os bodes são animais tão inteligentes quanto os cachorros e excelente companhia. Eu costumava ir a um hotel-fazenda onde havia um belo bode à frente de um grupo de cabras e cabritos. Muitas vezes, em fins de tarde melancólicos, me sentei junto ao cercado deles e falei dos meus problemas ao chefe daquele clã de cheiro ativo. O bode velho me ouvia com grande atenção, compreensivo, me olhando de lado com suas pupilas retangulares, nunca me negando seus ouvidos, e tudo que pedia em troca era um pouco de cafuné na sua cabeça dura e um naco da minha jaqueta, que ele saboreava como um refinado gourmet. Mas eu me acovardei, achando que minha mulher poderia reclamar um pouco de ter um bode em casa, e não comprei o cabritinho do Jardim do Méier...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois desse circunlóquio digno de Tristram Shandy, volto à rotina dos exercícios, à espera do veredicto final, com a certeza de que, de qualquer maneira, eu tô no lucro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-2120727314325501980?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/2120727314325501980/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=2120727314325501980' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/2120727314325501980'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/2120727314325501980'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2009/11/cade-o-joelho-que-tava-aqui.html' title='Cadê o joelho que tava aqui?'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SwyY33JwMEI/AAAAAAAAAIE/qnoxW89D5M4/s72-c/joelho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-8289907728339865999</id><published>2009-11-16T10:11:00.000-08:00</published><updated>2009-11-16T10:15:26.869-08:00</updated><title type='text'>Infográfico pro post "Minha alma canta..."</title><content type='html'>Sem citar nomes, aqui vai uma pequena ajuda pra quem tem alguma dificuldade de se localizar quando se fala em norte, sul e por aí vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SwGWSfFZJ1I/AAAAAAAAAHs/5c44MnBQy_s/s1600/cardeais.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SwGWSfFZJ1I/AAAAAAAAAHs/5c44MnBQy_s/s320/cardeais.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5404766272147236690" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-8289907728339865999?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/8289907728339865999/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=8289907728339865999' title='18 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/8289907728339865999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/8289907728339865999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2009/11/infografico-pro-post-minha-alma-canta.html' title='Infográfico pro post &quot;Minha alma canta...&quot;'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SwGWSfFZJ1I/AAAAAAAAAHs/5c44MnBQy_s/s72-c/cardeais.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-3256536052766637855</id><published>2009-11-15T05:04:00.000-08:00</published><updated>2009-11-15T05:22:08.212-08:00</updated><title type='text'>Minha alma canta: isso nunca vai dar certo...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/Sv_9sx_tc6I/AAAAAAAAAHk/vrK-1coSF2A/s1600-h/Nova+York+com+Raquel+215.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/Sv_9sx_tc6I/AAAAAAAAAHk/vrK-1coSF2A/s320/Nova+York+com+Raquel+215.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5404317023644513186" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;É simples: ao norte, o complexo de favelas da Maré; a nordeste, o complexo de favelas de Penha/Olaria/Ramos/Inhaúma; a noroeste, o complexo de favelas de Beira-Mar; a centro-oeste, o complexo de favelas de Pinatubo (tem uma piscina no meio); a sudoeste, o complexo de favelas de Santa Cruz/Itaguaí; a sudeste, o complexo de favelas de Acari&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-3256536052766637855?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/3256536052766637855/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=3256536052766637855' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/3256536052766637855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/3256536052766637855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2009/11/minha-alma-canta-isso-nunca-vai-dar.html' title='Minha alma canta: isso nunca vai dar certo...'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/Sv_9sx_tc6I/AAAAAAAAAHk/vrK-1coSF2A/s72-c/Nova+York+com+Raquel+215.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-7751780103827369747</id><published>2009-11-13T20:23:00.000-08:00</published><updated>2009-11-25T05:00:42.350-08:00</updated><title type='text'>Sie Verlassen den Amerikanischen Sektor</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/Sv421BsL1AI/AAAAAAAAAHM/_vElXsHP6Ao/s1600-h/muro+aspecto+geral.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 143px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/Sv421BsL1AI/AAAAAAAAAHM/_vElXsHP6Ao/s320/muro+aspecto+geral.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5403816887505900546" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;  Estão comemorando a queda do muro de Berlim. Eu estive lá ainda na época do muro e era um negócio impressionante mesmo. Lembro que as áreas da cidade próximas ao muro eram desoladas, com terrenos vazios ou prédios depredados. Mais impressionantes ainda eram os artifícios que os infelizes do lado comunista usavam pra fugir pro lado bom. Tinha nego que viajava em fundo falso de porta-malas de Fusca. Tudo isso a gente podia ver num lugar lá que não lembro qual era, acho que um museu perto do Checkpoint Charlie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Viajar por terra pra Berlim Ocidental dava um gostinho da ditadura socialista, porque a gente era obrigada a passar pela Alemanha Oriental pra chegar à cidade. Os guardas da fronteira comunista faziam cara de mau, olhavam nosso passaporte e nos encaravam com jeito nazistão. Brrr.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Chegar a Berlim era respirar ares de maior liberdade, não só porque a gente deixava a porcaria comunista pra trás, mas porque a cidade era mais bagunçada, diferente do padrão a que a gente estava acostumada na Alemanha. Morávamos em Munique, cidade belíssima, de gente ordeiríssima, gentilíssima e outros superlativos. Mas tinha aquelas coisas de alemão: se você chegasse um segundo depois que o ônibus deixasse o ponto, não adiantava fazer sinal, porque o motorista não dava aquela meia-trava pra você embarcar. Ele seguia em frente e você que esperasse outro ônibus. Uma vez, quando a gente morava numa área meio rural, testemunhei um fato que demonstrou esse tipo de comportamento elevado ao paroxismo. Havia um ponto de ônibus junto a uma cancela da linha férrea. O motorista saiu do ponto e teve que parar dois metros adiante, porque a cancela havia fechado pra passagem do trem. Chegou um infeliz atrasado e bateu na porta, pedindo pra embarcar. O motorista não se mexeu. O cidadão do lado de fora também não protestou. Foi pro ponto esperar outra condução -- que ali demorava a passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Não posso exagerar dizendo que estava integrado à sociedade alemã, porque isso está mais longe da verdade que chamar aquela ex-guerrilheira que morreu de defensora da democracia. Eu não estava integrado a nada, estava em subempregos, lavava pratos, fazia faxina. Mas me sentia muito bem. Gosto das coisas certinhas, de 2 + 2 ser 4. Odeio esse negócio de jeito de corpo, esperteza, performance, engenharia social etc. Mas apesar disso gostei muito da bagunça (pros padrões alemães a que eu estava acostumado, claro) de Berlim. Era uma cidade mais internacional, com muitos negões, muitos estrangeiros, uma população mais misturada. E, pra coroar, pegamos um ônibus e lá pelas tantas o motorista parou fora do ponto!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;  Pra chegar a Berlim, a gente recorreu a um negócio chamado Mitfahrzentrale, se não me falha a memória ortográfica. Era uma central de carona (Mitfahr), carona paga, mas ainda assim uma boa idéia. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/Sv43brb4OuI/AAAAAAAAAHc/OaUI7LEn5uc/s1600-h/muro+voc%C3%AA+deixa+oc.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 218px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/Sv43brb4OuI/AAAAAAAAAHc/OaUI7LEn5uc/s320/muro+voc%C3%AA+deixa+oc.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5403817551546825442" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Depois da unificação, ouvi dizer que a vida ficou mais difícil, ou menos fácil, na Alemanha -- por causa do imenso custo e demais choques de integrar ao país o pessoal que veio do outro lado, assunto já bastante conhecido -- e principalmente que Munique não é mais a mesma. Ouvi também queixas sobre os alemães de cá não aceitarem muito bem os de lá. Esse papo já rolava no tempo do muro. Eu conheci um alemão oriental que era um pé no saco. Ele havia fugido do paraíso comunista e trabalhava na mesma cozinha de hotel que eu, em Munique. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;  Na primeira vez em que nos encontramos, no plantão noturno, ele veio cheio de alegria me cumprimentar. Eu ainda não falava as dez palavras em alemão que aprendi mais tarde. Informei à criatura:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;  - Mim não falar alemão.&lt;br /&gt;  Ele murchou e o sorriso se apagou de forma abrupta no seu focinho desagradável.&lt;br /&gt;  - Ingrêis falar du? -- ele perguntou, depois de um tempo, num inglês ruim.&lt;br /&gt;  - É, nóis poder ingrêis conversar -- respondi, num inglês ainda pior.&lt;br /&gt;  Depois de alguma reflexão, ele se animou.&lt;br /&gt;  - Mim vir da Oriente Alemanha. Fugir inferno. Stalin, Lênin. Bandido tudo eles!&lt;br /&gt;  Ele me trazia os carrinhos com a louça e as panelas sujas. Eu, na pia, usava uma mangueira de jato poderoso pra tirar a craca de cada item, que depois era colocado na esteira da máquina de lavar.&lt;br /&gt;  - Ah, mim ser de Brazil. Fugir de cocô de país. &lt;br /&gt;  - Ah, Buenos Aires! Assistir TV um americano filme. Praia. Sol.&lt;br /&gt;  - Isso. Mas num ter dinheiro. Bandido ter, tiro nas fuça.&lt;br /&gt;  - Favela você morar?&lt;br /&gt;  - Morar. Favela de Buenos Aires. &lt;br /&gt;  - Carnaval, ah! Quero zambar na mulato!&lt;br /&gt;  - Escola de tango! Desfile Sapucaí, mim bater tamborim na Apoteose.&lt;br /&gt;  - Uh, muita bom, muita bom. Buenas gracias!&lt;br /&gt;  - Hasta la bista, cumpanhêro!&lt;br /&gt;  - hahaha.&lt;br /&gt;  - hahaha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  A noite tinha tudo para ser agradável, com a visão dos carrinhos de metal carregados de louça suja chegando a toda hora, o barulho da máquina de lavar e a mistura nojenta de cheiros no ar. Mas a besta lá começou a beber. A toda hora vinha com um carrinho de prato sujo e um copo de cerveja. Logo passou a aparecer com mais frequencia com um novo copo de cerveja do que com um novo carrinho. Aí começou a encher o saco. Ficou melancólico.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;  - Os alemauns num gostar nóis, pessoal do Oriente. Achão que num sumo gente...&lt;br /&gt;  Seus olhos se encheram de lágrimas.&lt;br /&gt;  - Ser solitário, não amigo...&lt;br /&gt;  Ele tinha parado de trabalhar pra ficar com as lamúrias. Passei a tirar a craca dos pratos e também a abastecer a esteira da máquina de lavar e a recolher os itens limpos, senão o troço não andaria.&lt;br /&gt;  - Não amigo, não família, não país, distante, noite negra...&lt;br /&gt;  O babaquara continuava fungando enquanto só eu trabalhava. A certa altura, deixei completamente de prestar atenção naquilo. Ele ainda seguiu choramingando por um tempo, até que explodiu:&lt;br /&gt;  - EU ESTAR FALANDO VOCÊ!!&lt;br /&gt;  Levei um susto, mas não tava a fim de retomar o suposto diálogo.&lt;br /&gt;  - Eu ter que trabalhar! Pratos lavar muitos! Máquina! Carrinho! Hora chega relógio e nada lavado!&lt;br /&gt;  - MAS EU SOFRER, FALAR AQUI, VOCÊ PRA MIM, OLHO! SER GENTE! NÃO SER COISA NADA! OLHAR EU!&lt;br /&gt;  - Não querer saber! &lt;br /&gt;  - OLHAR EU!&lt;br /&gt;  - DEIXAR EU NA PAZ!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;  O energúmeno avançou pra mim. Peguei uma concha das grandonas usadas na cozinha. Vou enfiar nos cornos dele. Mas não foi preciso. Ele se aproximou, ficou com a cara a uns dois centímetros de mim. Cruz, que bicho feio! O olho caído, o buço de freira portuguesa... Sou obrigado a olhar pra isso? Ele suava como cachoeira. Ficou vermelho, engasgou, parecia que ia explodir, como os caras do "Scanners", do Cronenberg. Aí murchou de novo e se afastou. Passou o resto da noite sem falar comigo, todo triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/Sv43Sh05NBI/AAAAAAAAAHU/XHRHF9nybEU/s1600-h/muro+carros+abandonados.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 219px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/Sv43Sh05NBI/AAAAAAAAAHU/XHRHF9nybEU/s320/muro+carros+abandonados.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5403817394348569618" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-7751780103827369747?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/7751780103827369747/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=7751780103827369747' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/7751780103827369747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/7751780103827369747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2009/11/sie-verlassen-den-amerikanischen-sektor.html' title='Sie Verlassen den Amerikanischen Sektor'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/Sv421BsL1AI/AAAAAAAAAHM/_vElXsHP6Ao/s72-c/muro+aspecto+geral.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-3292439804203225552</id><published>2009-10-27T05:35:00.001-07:00</published><updated>2009-11-25T20:25:37.144-08:00</updated><title type='text'>Cadê o Capeta que tava aqui?</title><content type='html'>Leio um crítico de cinema afirmando algo na linha de que um determinado diretor usa a história tal e tal pra na verdade expor as entranhas da sociedade americana, fazer uma crítica ácida etc. Ferrou! Então o cara não quis dizer o que ele mostrou no filme? Aquilo era um símbolo? Essa vai ser minha principal dificuldade pra tarefa que me impus a seguir, de fazer a crítica de um filme. Sou péssimo em símbolos, subentendidos, razões inconscientes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vou tentar abrir minha mente. Pra começar, eu invejo a Clara Lopez (link ao lado), não por causa do jeito dela de esmiuçar criticamente uma obra. Isso é coisa pra caramba, claro, mas eu não vou querer pendurar o chapéu onde não alcanço. Minhas ambições são chinfrins. Sinto inveja dela por ter ido ver um filme de terror ("Distrito 9") que eu queria ver. Mas, no tempo que eu tinha no domingo retrasado, só era possível ir a uma sessão, no Estação Botafogo, dum negócio chamado "Anticristo". Gostei de cara do nome. Adoro filmes com o Capeta. Isso mostra, é claro, que eu não sabia nada do filme. Mas li que o diretor era o Lars Von Trier. Me lembrei vagamente dele -- deve ter a ver com aquele negócio do Dogma, fiz uma vaga associação com a belezura da Nicole Kidman, fiquei animado e toquei pro Estação.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Minha filha quando foi comigo no Estação uma vez falou uma coisa certa: aquele lugar é deprimente. É verdade. Não digo a sala maior; aquela tudo bem. Mas as outras duas menores, como a 2, onde o filme estava passando, são bem lúgubres mesmo. A gente fica macambúzia e sorumbática na mesma hora. Acho que o carpete surrado e o forro das paredes velho devem contribuir pra isso, não sei. Mas talvez o pior sejam os frequentadores. O jeito deles deixa a gente deprimida na hora. Reparei bem dessa vez. Todo mundo parecia irremediavelmente triste e solitário enquanto esperava a abertura da sala. Encarei uma menina cor de vela e óculos fundo de garrafa. Ela desviou o olhar do meu pro chão. Vários ali na fila tinham cara de camundongo órfão. Me senti na mesma hora um derrotado pela vida.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A porta se abriu e, pra piorar, escolhi mal o assento. Era um lugar colado na parede, o que só aumentou a minha sensação de opressão. Na minha frente, a menina cor de vela se arriou na poltrona, com a cabeça entre as mãos. Passou um tempo e entrou um cara que acenou pra ela. Ela acenou de volta. Fiquei interessado, esperando os dois se sentarem juntos, já que o cinema estava vazio. Mas não foi o que aconteceu: eles trocaram umas poucas palavras desanimadas e logo ficaram calados, um tanto embaraçados. Aí cada um ficou no seu lugar, longe um do outro, com o olhar vazio perdido na tela apagada.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Um careca maluco ficava se sentando e levantando a toda hora. Saía da sala e entrava em seguida. Apagaram as luzes e ele veio pro meu lado, perguntar como é que se saía da sala. Indiquei pro anormal a porta por onde ele tinha acabado de entrar. O mentecapto foi até lá, deu umas três voltas na sala e se sentou. Algumas pessoas riram. Eu também achei que devia rir, mas não consegui. Em vez disso, tive uma reação estúpida que me envergonhou logo em seguida. Falei alto, irritado: "Só dá maluco nessa porcaria". O cara tristonho da minha frente que tinha saudado a garota cor de vela ficou com o pescoço tenso, girou uns cinco graus a cabeça na minha direção, mas não se virou pra me olhar. Deve ter ficado preocupado com a possibilidade de eu ser um demente agressivo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Me ajeitei na poltrona, que não é do tipo bom pra dormir. Isso pode parecer um detalhe desprezível, mas não é de forma alguma, pelo menos na minha concepção do que seja um bom cinema, que inclui, entre outros atributos, a possibilidade de permitir ao espectador uns bons períodos de sono reparador. Estou sendo um tanto gongórico, mas olhaí, o filme começa. Enquanto ouvimos uma cantora lírica interpretando uma bela música, aparece um casal fazendo sexo em câmera lenta. Me animei um pouco. Aparece um close de um pênis adentrando uma vagina, sempre em câmera lenta. Me animei ainda mais. Adoro pornografia, me alfabetizei lendo Marquês de Sade. Lembrei logo do clássico do cinema pornô "Atrás da porta verde", com a deusa Marilyn Chambers, que eu guardo num relicário aqui em casa (o filme, claro,não a Marilyn). Uma das cenas é um balé de esperma em câmera lenta. Sou um entusiasta da arte. O casal faz sexo debaixo do chuveiro. Sempre em câmera lenta. Aparece uma máquina de lavar roupa girando (não a máquina, claro, mas a cuba que a gente vê pela escotilha). Isso já cortou um pouco o barato. Aí se alternam imagens de sexo, de um neném saindo do berço e do casal se esfalfando. E a cantora lírica continua a música. O que já me faz pensar, atrapalhando o clima: isso vai durar a música toda? Como num videoclipe? Parece que é isso mesmo. Dou umas piscadas, bato a cabeça. A máquina de lavar gira e a câmera mostra closes da cara da mulher. Mas ela tá com cara de sofrimento! Não parece que tá fazendo sexo, parece que tá tomando uma peridural. Que diabo, eu, só de conseguir uma ereção, já começo a gargalhar. Já estragou de novo o clima. O menino vai pra janela. Enquanto o casal faz aquele sexo sofrido, sempre em câmera lenta, o bebê cai de não sei qual andar, se estatela no chão, sendo seguido por seu ursinho de pelúcia. Chuif. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/Subp4ZCaGQI/AAAAAAAAAHE/x5BejQfhysk/s1600-h/Imagem+744.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/Subp4ZCaGQI/AAAAAAAAAHE/x5BejQfhysk/s320/Imagem+744.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5397258358453049602" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Um dos momentos mais aterrorizantes do filme&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O que isso simboliza, meu Deus? Por que a câmera lenta? Por que a cantora lírica? Por que o diretor gasta intermináveis minutos naquilo? Por que a máquina de lavar? Por que o chuveiro? Por que a fotografia cinzenta (esqueci de citar esse detalhe)? É pra passar algum tipo de clima, de sentimento, alguma sensação estética específica? Ele devia ter informado pra gente ter a chance de sentir...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Essa introdução mostra o drama que levará o casal a se isolar numa cabana no meio do mato, onde o marido, um psicanalista, tentará curar a mulher da perda do filho. A mulher endoida e no começo ainda sossega levando umas pinadas do marido. Depois destrambelha totalmente e fica violenta. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Essa introdução marca também um período em que as brumas da mata onde o casal se refugia se confundem com as brumas que envolvem as memórias que tenho do filme dali em diante. Por causa da poltrona contra-indicada pros sonos dos justos, só consegui dormir a intervalos, que, no entanto, somados, podem ser considerados uma boa soneca pós-almoço. Lembro vagamente de algumas cenas: a mulher dando uma paulada no pênis ereto do marido, que desmaia mas mantém a ereção; a mulher masturbando o marido desmaiado até ele ter um orgasmo de puro sangue AINDA desmaiado; a mulher furando a perna do sujeito AINDA DESMAIADO com uma furadeira manual, enfiando o dedo no buraco sangrento pra ver se tava mesmo aberto e metendo nele uma haste de ferro, que sustenta uma roda de concreto, devidamente presa com uma espécie de porca, atarrachada com o uso de uma chave inglesa (atenção, isso é importante!); a mulher cortando com uma tesoura o próprio clitóris; uma raposa bonitinha falando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tudo que consegui ver, só me incomodei com a destreza com que a doida usa a chave inglesa e o fato dela até saber o nome daquela ferramenta. Sei lá, me pareceu meio irreal...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-3292439804203225552?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/3292439804203225552/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=3292439804203225552' title='12 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/3292439804203225552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/3292439804203225552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2009/10/leio-um-critico-de-cinema-afirmando.html' title='Cadê o Capeta que tava aqui?'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/Subp4ZCaGQI/AAAAAAAAAHE/x5BejQfhysk/s72-c/Imagem+744.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-4888284183708852100</id><published>2009-05-01T04:53:00.000-07:00</published><updated>2009-05-02T08:45:15.968-07:00</updated><title type='text'>Terra boa</title><content type='html'>Atendendo a incontáveis pedidos, farei um breve relato da minha viagem aos EUA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A CHEGADA&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus amigos haviam tocado o maior terror, dizendo que, com minha cara de pobre e suburbano, e minhas roupas condizentes com essas condições desfavoráveis, eu comeria o pão que o diabo amassou com os oficiais da Imigração americana. Tirar o sapato era fichinha perto do que os caras certamente fariam comigo. Além da revista anal, agora haveria uma inspeção uretral, tudo dentro da política de combate ao tráfico internacional de drogas. Eu já estava me retorcendo de dor na fila da Imigração quando chegou a minha vez. Fui logo baixando as calças e me colocando à disposição. A oficial, muito simpática, informou que no meu caso só seria possível a entrada de uma quantidade para uso pessoal, o que não configura tráfico. E começou a rir. Chamou os colegas e de repente todos os caras dos guichês da Imigração estavam à minha volta, rindo muito, me dando tapinhas nas costas e conselhos do tipo que a gente vive recebendo por email. Levantei as calças e fui embora humilhado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SfxqRRBS6CI/AAAAAAAAAF0/PoeXfteyQ-c/s1600-h/Imagem+006.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SfxqRRBS6CI/AAAAAAAAAF0/PoeXfteyQ-c/s320/Imagem+006.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5331252903758981154" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Vista do Empire: os minúsculos pontos à esquerda são as duas japonesinhas&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;TURISMO&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O objetivo da minha viagem era científico, mas eu não deixaria escapar a chance de fazer um pouco de turismo. Afinal, estava em Nova York. Fui pro Empire State. É um edifício muito alto que tem lá. Depois de uns três dias numa fila que serpenteava por uns 43 andares, chegamos ao observatório no alto do bicho. Fazia um frio desgraçado e o vento parecia um tufão. De repente duas japonesinhas de quimono, muito gracinhas, saíram voando pela sacada. Todos tiramos belas fotos do momento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;CLIMA INCLEMENTE&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente, eu não estava preparado pra tanto frio. Eu andava pelas belas ruas de Nova York e invejava os mendigos da cidade, com sua indumentária apropriada ao clima: belas botas, casacos forrados, gorros e luvas de boa qualidade. Numa esquina do Upper West Side, um esmoler dormia sob um andaime e tive que refrear a torpe tentação de roubar os sapatos dele. Com a cara plastificada pelo frio e temendo ter perdido minhas orelhas (eu botava a mão nelas, mas não sentia nada), entrei numa loja no Greenwich Village. Como eu estava pra participar de uma excursão de cunho científico-ambientalista, fiquei satisfeito ao ver a bandeira com as cores do arco-íris na porta. Achei que fosse um estabelecimento do Greenpeace. Muitas botas e uniformes de todos os tipos. Os atendentes foram todos muito simpáticos. Como não falo inglês, não entendi bem o que eles diziam, mas tiraram minha roupa, meus tênis, e me fizeram experimentar dezenas de modelos, parece que da grife Tom da Finlândia. Quiseram me colocar ainda um bigode postiço, mas achei meio exagerado. Saí de lá bem aquecido, mas parecendo aquele sargento de "Nascido para matar". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/Sfr8Kyfo1aI/AAAAAAAAAFs/xg3rrlRvCCE/s1600-h/Imagem+001.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/Sfr8Kyfo1aI/AAAAAAAAAFs/xg3rrlRvCCE/s320/Imagem+001.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5330850371229767074" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Templo egípcio no Met: perto dali, o melhor banheiro do Upper East Side&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;NECESSIDADES BÁSICAS&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o turista necessitado de ir ao banheiro, as melhores instalações públicas disponíveis no Upper East Side se encontram no Metropolitan Museum of Art. Especialmente recomendados por todos os guias especializados são os banheiros localizados no primeiro andar, na American Wing, logo após o setor egípcio. O ingresso do museu dá direito também a admirar a gigantesca coleção de obras de arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comer bem é muito fácil em NY. Nas délis, os enormes sanduíches de pastrami costumam ser o destaque. O pastrami vem quente e em geral acompanhado de salada russa, sauerkraut e que tais. Há uma campanha pra que os consumidores desse tipo de refeição plantem 27 árvores pra neutralizar as emissões de CO2.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(a seguir, a expedição científica nos confins da América)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-4888284183708852100?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/4888284183708852100/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=4888284183708852100' title='22 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/4888284183708852100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/4888284183708852100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2009/05/terra-boa.html' title='Terra boa'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SfxqRRBS6CI/AAAAAAAAAF0/PoeXfteyQ-c/s72-c/Imagem+006.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-1826239567989279048</id><published>2009-03-26T15:42:00.001-07:00</published><updated>2009-03-26T15:42:49.614-07:00</updated><title type='text'>Paspalhices globalizadas</title><content type='html'>Mais uma pra lista. Vão apagar a iluminação duns pontos turísticos no Rio pra marcar a participação da Cidade Marabichada no Dia Mundial do Planeta, movimento planetário contra o aquecimento global. Isso faria algum sentido num país com energia elétrica de origem térmica (sua produção gera CO2). A nossa é quase totalmente de origem hídrica. Então qual o objetivo? Parece que é pra mostrar que a gente se importa com o planeta. Como a gente é legal. Então quem mora no Rio já sabe: fique longe do Flamengo e da orla de Copacabana, dois dos pontos onde vão apagar as luzes neste sábado, dia 28 de março, às 19h, por não sei quanto tempo. Prometeram reforçar o patrulhamento nas áreas que ficarão às escuras. Tradução: salve-se quem puder.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-1826239567989279048?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/1826239567989279048/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=1826239567989279048' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/1826239567989279048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/1826239567989279048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2009/03/paspalhices-globalizadas.html' title='Paspalhices globalizadas'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-7522395166800388772</id><published>2009-03-22T22:19:00.000-07:00</published><updated>2009-03-25T21:59:13.458-07:00</updated><title type='text'>Aquele que tem por mister ser incerto (copyright Malan)</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/ScccyU-dvVI/AAAAAAAAAEs/MtysLZI8dDM/s1600-h/DSC00247.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/ScccyU-dvVI/AAAAAAAAAEs/MtysLZI8dDM/s320/DSC00247.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5316249536083901778" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Minha filha ligou chorando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pai, eu odeio o Freddy Krueger!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Freddy Krueger é o apelido que a gente botou no pediatra dela. Ele é meio "mau", ou seja, rigoroso com algumas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quê que houve? - perguntei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O Freddy Krueger fica adivinhando meu futuro! - ela respondeu, soluçando. - Disse que eu vou ficar menstruada com 12 anos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, mas isso não é prever futuro. Quero ver ele me dizer os números da Mega-Sena de amanhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não tem graça!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;************************************************************************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tinha uns 4 anos, sei lá, e a astróloga falou no rádio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Escorpião: hoje é o seu dia de sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peguei a bicicleta, tirei as rodinhas e pensei: é hoje! Montei na bicicleta e comecei a andar. Dei uns dois giros pelo quintal, em velocidade cada vez maior, até que perdi o equilíbrio de vez e me estabaquei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A velhota cigana me cercou: queria ler a minha sorte. Recusei e entrei na cabine telefônica. Ela insistiu. Eu disse que não novamente, me virei de costas e comecei a ligar. A bruxa então começou a bater com fúria na porta da cabine:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Teu futuro é negro! Alguém que te quer muito mal vai desgraçar tua vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei em casa e perguntei à minha mulher: será que é a tua mãe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela morreu e nunca nos conhecemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tava desempregado e comecei a me cadastrar numas agências de recursos humanos (acho que era assim que se chamavam). Numa delas me ofereceram não sei que emprego lá que eu recusei. Aí o consultor (não acho que era assim que se chamavam) se aproximou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh, se eu fosse você, não ficava escolhendo muito, não. Tem que ver sua idade: pro mercado, você tá velho já. Não vai conseguir nada assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tinha 23 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu chefe acabara de me dar uma espécie de promoção (quer dizer, eu ia prum setor e pruma posição de maior visibilidade - não se usava essa palavra na época -, mas o meu salário ia continuar na mesma). Constrangido, tímido, cheguei nele e disse que ia embora. Ele absorveu rapidamente a notícia, me olhou e perguntou: você sabe que se sair nunca mais volta pra empresa, não sabe? Respondi que sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uns dois meses depois ele foi mandado embora. Não voltou. Eu voltei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre bocejos sofridos, o médico figurão me aplicou a dedada e olhou os exames.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é estéril. Nunca vai ser pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já falei algures do Nicolas Negroponte prevendo o fim do papel há uns 20 anos. E acho que nunca se usou tanto papel como hoje em dia. Com os preços baixos, nunca se vendeu tanta impressora no Brasil como agora. Conversando com um alto dirigente de uma multinacional líder nesse mercado, ele me listou uma série de providências para tornar seus produtos eco-friendly. Mas, na boa, é uma certa contradição, porque o sujeito quer vender mais e mais impressoras, e elas servem pra gastar papel mesmo, seja de que jeito for (reciclado, reaproveitado). E não importa que medidas sejam tomadas pra que a produção das impressoras reduza seu impacto na natureza (como reaproveitamento de partes plásticas dos equipamentos descartados etc). Não que isso seja ruim. Mas o negócio é mesmo gastar papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, o mais engraçado (tá bom, não tem graça nenhuma, mas tem gente que se diverte com pouco)é ver aquelas mensagens padrões que tudo que é empresa anda colocando no pé dos seus emails. Então o sujeito me manda um email com um simples "OK". Aí logo depois vêm umas 40 linhas dizendo que, antes de imprimir aquela mensagem, eu devo pensar bem se isso é necessário, porque o meio ambiente, a sustentabilidade, os oito objetivos do milênio e o escambau. Aí ainda tem a versão em inglês. Algumas empresas combinam dois tipos de mensagens automáticas no pé do e-mail: uma falando pro cara antes de imprimir blablablabla e outra alertando que o conteúdo daquela comunicação é estritamente pra uso dos correspondentes, e que a confidencialidade das informações blablabla - com versão em inglês também, é claro. Aí eu dou um print no meu computador e, ao pegar a cópia na impressora, constato que, se não fossem essas mensagens patetas que o pessoal globalizado decidiu macaquear, e que deixam os e-mails muito maiores do que o necessário, a gente conseguiria economizar papel pra caramba.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-7522395166800388772?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/7522395166800388772/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=7522395166800388772' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/7522395166800388772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/7522395166800388772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2009/03/aquele-que-tem-por-mister-ser-incerto.html' title='Aquele que tem por mister ser incerto (&lt;em&gt;copyright Malan&lt;/em&gt;)'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/ScccyU-dvVI/AAAAAAAAAEs/MtysLZI8dDM/s72-c/DSC00247.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-5599961210091472647</id><published>2009-03-22T21:09:00.000-07:00</published><updated>2009-03-22T22:18:43.440-07:00</updated><title type='text'>Talento nato</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/Scca5iiUCfI/AAAAAAAAAEk/yupP_YlemBA/s1600-h/DSC00258.JPG"&gt;&lt;img style="float:center; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/Scca5iiUCfI/AAAAAAAAAEk/yupP_YlemBA/s320/DSC00258.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5316247460959750642" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Parece que o João Bosco, ao ser perguntado como conseguia tocar violão daquele jeito maravilhoso, disse algo como: ou você faz e não pensa muito nisso, ou não faz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode ser uma resposta realista, mas não deixa de ser um pouco desanimadora. Quer dizer, ou você nasce com o negócio ou já era, parte pra outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nós, os medíocres, como ficamos? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só tenho dois talentos natos: arrumar geladeira e tirar farpa. Pra que serve essa porcaria? Tá certo que vivemos na era dos serviços, mas vou fazer o quê? Montar uma empresa de arrumação de geladeira? Uma rede Dr. Scholl de tirar farpa do dedão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem seja naturalmente simpático, agregador, cativante, carismático, musical, esportivo, destemido... Essas sim são qualidades úteis, agradáveis, interessantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabam de me soprar que tem aquela história do leão que não conseguia tirar uma farpa da pata. Acho que era um espinho, mas de qualquer forma é um consolo muito besta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-5599961210091472647?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/5599961210091472647/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=5599961210091472647' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/5599961210091472647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/5599961210091472647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2009/03/talento-nato.html' title='Talento nato'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/Scca5iiUCfI/AAAAAAAAAEk/yupP_YlemBA/s72-c/DSC00258.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-7348965545284073675</id><published>2009-03-22T20:47:00.000-07:00</published><updated>2009-03-22T21:05:24.160-07:00</updated><title type='text'>Ninho (quase) vazio IV</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SccIroI-gMI/AAAAAAAAAEc/xHtc0HhS8l4/s1600-h/DSC00185.JPG"&gt;&lt;img style="float:center; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SccIroI-gMI/AAAAAAAAAEc/xHtc0HhS8l4/s320/DSC00185.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5316227430736625858" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ao voltar da Serra, onde passara o dia com amigas, a menina disse aos pais que tinha se divertido muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O melhor foi ter ficado longe de vocês - ela acrescentou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei! - protestei. - Isso a gente pensa, mas não fala!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, desculpe. Só queria abrir o meu coração.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-7348965545284073675?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/7348965545284073675/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=7348965545284073675' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/7348965545284073675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/7348965545284073675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2009/03/ninho-quase-vazio-iv.html' title='Ninho (quase) vazio IV'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SccIroI-gMI/AAAAAAAAAEc/xHtc0HhS8l4/s72-c/DSC00185.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-3979867314556073484</id><published>2009-03-11T20:18:00.000-07:00</published><updated>2009-03-11T22:15:51.979-07:00</updated><title type='text'>Questão de imagem</title><content type='html'>Instigado pela Anna V. (www.terapiazero.blogspot.com), que comentou ter se surpreendido com um "post ternurinha" meu, talvez porque a imagem do canto superior da página do blog seja o desenho de uma pessoa raivosa, decidi fazer uma substituição. Tô colocando uma foto minha fazendo uma das coisas que me dão prazer: jogando tênis. Mesmo que não dê pra ver a expressão da minha cara feia e pelancuda &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiL5cMdi6I/AAAAAAAAADI/_SU0O6Wgy34/s1600-h/Imagem+124.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiL5cMdi6I/AAAAAAAAADI/_SU0O6Wgy34/s320/Imagem+124.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5312149579420765090" /&gt;&lt;/a&gt;de velho, garanto que estou me divertindo, na boa, sob o sol de rachar coco. Pra dar o crédito devido, a autora da foto é a Bianca Marques, uma promessa frustrada do tênis, aquela que voltou antes de ter ido. A imagem foi clicada num bom tempo em que eu podia treinar e jogar quase todo dia, então estava viciadão em endorfina, um vício que demora um pouco pra curar, é preciso passar por uma crise de privação cujos principais sintomas são uma leve melancolia e achar que a vida não faz o menor sentido. Mas não tô reclamando. O tempo agora também é bom, embora eu esteja jogando muito mal, o que é assaz irritante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A observação da Anna me lembrou um pouco quando um repórter foi entrevistar na prisão o Hiroíto de Moraes Joanides, o rei da Boca do Lixo em SP nos anos não sei quais. Era um bandido, mas perto dos bandidos de hoje entraria na fila da canonização. Então o jornalista tava lá na cadeia e o Hiroíto disse pra ele: escreva o que quiser sobre mim, só não vá dizer que não sou capaz de amar. Mais ou menos isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a palavra escrita pode ser traiçoeira, em especial pros semi-analfas como eu, tb pensei que eu poderia estar passando de vez em qdo a idéia de que escrevo com rancor, furibundo, babando de ódio ou deprê, à beira do suicídio etc. E nada disso poderia estar mais longe da realidade, mesmo quando falo sobre coisas que me revoltam, entediam, enauseiam, acabrunham e outros verbos esquisitos. Só costumo escrever quando estou bem disposto e com os humores num nível aceitável pelos padrões da OMS. Quando estou de saco cheio ou um tanto derribado, vou cuidar das minhas coisas. Se algum ser de carne e osso chegar pra mim e perguntar (é raro), fico na minha tb. Deixa eu digerir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-3979867314556073484?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/3979867314556073484/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=3979867314556073484' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/3979867314556073484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/3979867314556073484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2009/03/questao-de-imagem.html' title='Questão de imagem'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiL5cMdi6I/AAAAAAAAADI/_SU0O6Wgy34/s72-c/Imagem+124.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-7853956960258227524</id><published>2009-03-09T22:27:00.000-07:00</published><updated>2009-08-07T06:43:31.258-07:00</updated><title type='text'>Chet</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbYRXVlZgmI/AAAAAAAAACw/QEKeQhj8g0s/s1600-h/DSC00241.JPG"&gt;&lt;img style="float:center; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbYRXVlZgmI/AAAAAAAAACw/QEKeQhj8g0s/s320/DSC00241.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5311451903158747746" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Seguindo na mesma linha de revanchismo, ajuste de contas com o passado e luta por uma sociedade mais justa, vou criticar o mais recente (será mesmo?) livro do Ruy Castro, o "Tempestade de ritmos". Tudo vai muito bem até que ele resolve falar do Chet Baker. Basicamente, o Ruy diz que o Chet Baker, tirando aquela produção do início da carreira dele, lá pelos anos 50, foi apenas um zumbi que atravessou as décadas arrastando no cangote o macaco do vício e a sua fama, alimentada pelos fãs nostálgicos do jovem Chet de voz angelical e rosto de James Dean (tô citando de memória, já li o livro há muito tempo, mas o espírito da coisa é mais ou menos esse).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando li esse troço, primeiro me deu raiva. Se não deu pra notar, sou fã do Chet. Depois me deu desânimo: mais um pra alimentar a lenda. Por fim atingi um estágio de serenidade contemplativa: o episódio só provava que mesmo os gênios não podem saber de tudo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que o Chet jovem, que fez tanto sucesso cantando como tocando com o Gerry Mulligan e outros caras, teve uma produção de primeira lá nos primórdios do cool jazz da Costa Oeste. O Miles Davis, com seu ego de sapo cururu, seja lá o que isso signifique, dizia que o Chet o havia imitado na maior cara de pau. Na verdade, quem ouvir os dois na época vai perceber que o som do Chet era mais "redondo", "macio", o do Miles mais "duro", com mais "arestas". Mas havia muitas semelhanças mesmo, o Chet nunca negou que gostava do Miles e sempre, aliás, tocou o repertório dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, apesar todos os problemas que o Chet teve por causa da heroína, e foram muitos, sua melhor produção está na idade madura. É quando ele desenvolve o seu som mais bonito, característico, profundo e até hoje inimitado. É quando ele se aperfeiçoa numa expressividade extrema naquele registro de médio pra grave, que era onde ele tocava. É quando ele toca de forma absurdamente lírica temas que a gente se ouvir com outros vai achar até banais. É quando ele toca como ninguém naquele andamento lentíssimo, o junky beat, como alguém chamou.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbYURy1VDZI/AAAAAAAAADA/AjG7arZ6OQU/s1600-h/DSC00240.JPG"&gt;&lt;img style="float:center; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbYURy1VDZI/AAAAAAAAADA/AjG7arZ6OQU/s320/DSC00240.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5311455106465861010" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Isso não quer dizer que a sua produção foi uma maravilha na idade madura. Foi extremamente irregular. Numa mesma gravação ou num mesmo show poderia haver exemplos extremos. Mas o melhor da produção do Chet aconteceu na idade madura. Pô, mas isso é subjetivo! É e não é. Algumas pessoas concordam comigo. O biógrafo holandês do Chet, por exemplo (acho que é Jeroen De Valk). E, last but not least, o próprio Chet dizia isso: pô, ficam falando do passado, mas eu hoje toco muito melhor do que antes. Me lembro de ter colocado um vídeo do Chet maduro pro meu professor de trompete ver e ele deu um pulo na poltrona da sala: ele ainda tá tocando muito! Meu professor era um dos integrantes da legião dos que achavam que o músico era apenas um fantasma arrastando correntes por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra entender o que eu digo, basta ouvir algumas coisas que o Chet fez maduro, já com aquele rosto vincado, de farrapo humano, que o fazia parecer uns 20 anos mais velho que sua idade cronológica. Um exemplo é o disco "Candy", lindo, gravado numa biblioteca na Suécia. Tirando a música-título, que é cantada, e muito mal, o disco é nota 10, com destaque pra "Love for sale" e "Nardis" (do Miles). Outro exemplo é "Diane", com o tal do junky beat, com destaque pra "If I should lose you", normalmente tocada num andamento mais acelerado e que ali a interpretação faz com que pareça uma música romanticíssima. Os improvisos são fenomenais. Um terceiro exemplo exemplar é o "Live in Tokyo" ou qualquer coisa assim, gravado quando o Chet estava num tratamento com metadona. O cara tá voando baixo e tocando muito, tanto rapidíssimo como lentíssimo, e em notas mais agudas que as habituais. Até os seus erros soam lindos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha teoria é que o Ruy Castro caiu no "conto do Bruce Weber". Esse sujeito fez um filme com o Chet Baker, "Let´s get lost", que é simplesmente assustador. Me lembro de, muito tempo antes de conhecer o Chet, ter visto apenas o trailer desse filme num cinema numa cidade fria, num dia escuro de inverno, e ter ficado profundamente abalado. É todo em preto e branco, enfumaçado, sombrio, algo grotesco, deprimente. A imagem que fica ali é de que o Chet é mesmo um zumbi, uma sombra, um ectoplasma, uma caveira que vaga pelo mundo com restos de carne putrefata e da fama de menino bonito e grande músico. Alguém que esqueceram de enterrar. Por algum motivo, depois do filme, muita gente passou a ver o Chet dessa maneira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criou-se então a lenda do músico que não tinha mais nada pra dar. O Chet é cercado de lendas. Uma é que passou a cantar porque não conseguia mais tocar. Mentira, pois ele cantou desde sempre, inclusive quando era criança, a mãe dele adorava aquela voz feminina dele. Outra é que ele não sabia ler partitura. Ele sabia, sim, o que ele não conhecia bem era composição de acordes. Outra é que ele teria sido assassinado em Amsterdã. Mas a polícia holandesa há muito tempo concluiu que ele caiu da janela do quarto num hotel. Se pulou ou caiu acidentalmente, aí é outra história. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade que ele, ao fim da vida, tinha um repertório cada vez mais restrito e que nunca alçou vôos mais ousados, não quis reinventar a sua música, como tantos outros músicos de jazz. Ele dizia: pra que partir pra outras coisas se ainda tem tanta música dentro das músicas? As variações que ele podia fazer numa mesma música eram impressionantes. Tenho várias gravações do seu carro-chefe, "My funny Valentine", e cada uma é diferente, tem sua beleza, tem algo de surpreendente. Aliás, alguém produziu um disco dele só com interpretações de "My funny Valentine". Se alguém encontrar, por favor, me avise que eu tô atrás.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbYTHYTfQQI/AAAAAAAAAC4/EzM8CkMAVOI/s1600-h/DSC00242.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbYTHYTfQQI/AAAAAAAAAC4/EzM8CkMAVOI/s320/DSC00242.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5311453828034281730" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-7853956960258227524?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/7853956960258227524/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=7853956960258227524' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/7853956960258227524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/7853956960258227524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2009/03/justica-ainda-que-tardia.html' title='Chet'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbYRXVlZgmI/AAAAAAAAACw/QEKeQhj8g0s/s72-c/DSC00241.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-275200328547987034</id><published>2009-03-08T09:51:00.000-07:00</published><updated>2009-03-08T11:44:13.952-07:00</updated><title type='text'>Os mais excluídos dos excluídos</title><content type='html'>O título não é meu, é de uma palestra do filósofo Olavo de Carvalho que pode ser encontrada no site dele (www.olavodecarvalho.org). Num tempo em que todo o mundo é minoria, vítima de preconceito e sério candidato a beneficiário de uma legislação específica pra protegê-lo da sociedade malvada, o Olavo chama a atenção pra um grupo especialmente negligenciado: o dos defuntos, gente que não pode se defender, cuja obra e contribuiçâo à nossa cultura são alvo do descaso dos tempos modernos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é uma leitura muito rasteira, evidentemente, do negócio. É a que eu posso fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu me lembrei do título da conferência quando a Clara Lopez (www.linhadepesca.blogspot.com) citou que tenho o Tolstói na bagunça da minha estante. É verdade, coitado, ele talvez esteja ao lado de um livro de piadas pornográficas, de um outro sobre como construir mesinhas de cabeceira (faça você mesmo!) e de um terceiro sobre um mercenário que vai procurar ouro numa selva tropical. Pobre Tolstói, em tão má companhia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o perdão da arrogância, no entanto, tem gente que fez pior. Não sou crítico literário, não sou intelectual, não sou um amante das letras. Sou um merda ignorante, então é na condição de merda ignorante que vou escrever o que vem aí. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A espanhola Rosa Montero fez sucesso por aqui quando saiu o "A louca da casa" (tô citando de memória, vários detalhes podem errados). O livro me causou uma forte impressão, com sua mistura de biografia e literatura. Logo tive vontade de ler outras coisas dela. Um dia uma amiga veio com "Paixões", da Rosa. Essa amiga lê de &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbQIsa24YeI/AAAAAAAAACo/z-tDmOc6qs4/s1600-h/DSC00234.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbQIsa24YeI/AAAAAAAAACo/z-tDmOc6qs4/s320/DSC00234.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5310879419793433058" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;tudo. Lê rápido (que inveja) e costuma estar atualizada em relação aos últimos lançamentos. E tem a mania de querer me emprestar livro. Eu não gosto de livro emprestado. Não consigo ler livro emprestado. Mas peguei o diabo do livro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bem legal, fala sobre casais famosos etc. Aí lá pelas tantas tem um capítulo sobre o Tolstói. Tudo ia bem até que ela chamou o sujeito de energúmeno, por causa das suas esquisitices e de seus conflitos com a mulher, aliás, na visão da Rosa, pelo sofrimento imposto à mulher. A mulher é apresentada simplesmente como uma vítima e o outro como um monstro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não costumo fazer "leitura crítica" de nada. Ou eu gosto de um negócio ou não. Meus argumentos a favor ou contra de uma obra são pobres, platitudes vergonhosas e dispensáveis. Claro, numa mesa no fundo do botequim, entre goles de guaraná e beliscadas no pratinho de calabresas, eu posso até confessar minhas razões. Senão prefiro calar a boca. Mas eu sempre gostei demais do Tolstói. E acho que nesse caso nem preciso dar razão nenhuma. O cara é um dos grandes da literatura mundial, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu primeiro livro do Tolstói foi uma edição linda, velhusca, de 1927 (é mentira, Terta?), da "Sonata à Kreutzer". É uma história sensacional, que lembra um pouco o "Dom Casmurro" (será mesmo?). A partir da "Sonata...", li muita coisa dele, cada uma melhor que a outra. Sendo um pouco pessoal: muitas vezes, o cara me fazia bem à alma conturbada. Uma parte da literatura dele a partir de determinado momento - reflexo de mudanças na sua vida pessoal - é meio religiosa, espiritualizada, seja lá como se chama isso, e mesmo essa, em geral não muito atraente pruma besta alfabetizada com Marquês de Sade como eu, mesmo essa é linda, genial e outros adjetivos imprecisos e vazios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí vem a dona Rosa Montero e classifica o cara como um energúmeno?! Pelo que vi no Houaiss, energúmeno é um cara boçal, ignorante, ou seja, alguém como eu. OK, uma coisa é o escritor e outra é o cara como gente, como "pessoa humana". Vamos separar. Mas é assim, é? Que tipo de investigação profunda ela fez?? A Rosa cita o livro do William Shirer, que escreveu sobre o casal Tolstói. Eu li o Shirer. E não lembro de nada que justifique alguém assumir assim, de forma tão parcial, o lado da mulher do Tolstói. Isso é o quê? Corporativismo de sexo? Uma das filhas do Tolstói escreveu um livro sobre o pai e conta que a mãe era extremamente problemática e infernizava a vida do sujeito, com ciumeira, surtos de doideira e outras baixarias típicas de qualquer família normal. Claro, pode-se argumentar que a Tatiana Tolstói, a filha, na brigalhada ficou ao lado do pai, que outros filhos não etc, e que então ela apresentou uma versão parcial. Ok, pode ser isso mesmo. Mas como a gente não tava lá pra saber, e só pode se basear nos escritos, vamos mostrar os dois lados da moeda. Ou, se concluir por um, que justifique, afinal o livro da Rosa não é um blog qualquer de um Osvjor qualquer, mas uma obra que vai circular o mundo e será vista como um trabalho jornalístico-histórico acurado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, acho que foi um tiro no raso. Mas pode ser que ela até tenha razão. A única coisa que me leva a escrever um post gigantesco, contrariando minha filosofia de vida, é o fato de eu ser fã do Tolstói. E fã não é muito regulado pela razão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-275200328547987034?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/275200328547987034/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=275200328547987034' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/275200328547987034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/275200328547987034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2009/03/os-mais-excluidos-dos-excluidos.html' title='Os mais excluídos dos excluídos'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbQIsa24YeI/AAAAAAAAACo/z-tDmOc6qs4/s72-c/DSC00234.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-5151732073196073411</id><published>2009-03-05T19:57:00.001-08:00</published><updated>2009-03-06T09:15:13.305-08:00</updated><title type='text'>Marmita</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbFZCbOvxEI/AAAAAAAAACA/lLQxIZHsrnw/s1600-h/DSC00232.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbFZCbOvxEI/AAAAAAAAACA/lLQxIZHsrnw/s320/DSC00232.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5310123333850743874" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A chefe chegou do Adegão Português com uma quentinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Na boa, sobrou muito bacalhau. Você não quer, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adoro bacalhau, mas declinei. Sou fresco pra comer. Entre outras veadagens, não gosto de comida em quentinha. Você levanta a tampa e vem aquele cheiro de comida de quentinha, não importa qual seja o prato. Sou como cobra: enxergo mal, mas cheiro bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando comecei a trabalhar, ainda dimenor, o pessoal levava marmita pro trabalho. Ainda existe marmita? Aquele negócio de metal? Ficava tudo numa geladeira da cozinha do escritório e, na hora do almoço, todo mundo pegava a sua e aquecia num negócio que a gente chamava de estufa - um forno elétrico. Agora, escrevendo sobre isso, volto a sentir aquele cheiro enjoativo empestando o ar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desisti logo da marmita que a minha pobre mãe preparava todo dia e decidi comer numa das pensões do Centro. Eu ia com o meu tio às vezes. Um preço único dava direito a comida, refresco e sobremesa (acho que era gelatina sempre). Ao chegar ao salão no segundo andar do sobrado, a gente escorregava nos grãos de arroz espalhados pelo chão. Aquele arroz me dava um pouco de nojo. O que vinha no prato mesmo, não o do chão. Tinha uma cara esquisita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois a gente tomava cafezinho no Palheta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nem vou escovar o dente. Quero ficar com o gostinho do café na boca - dizia o meu tio, saboreando com prazer a sua xícara. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Larguei a pensão e passei a ir no Rick perto da Praça Mauá. O Rick, acho que é assim que se escreve, era uma cadeia de lanchonetes tipo fast food. Dava pra comer em pé, no balcão, um hambúrguer com batata frita no prato. Que eu me lembre, era bom e rápido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez meu salário não desse pra alimentar o "luxo" de comer sempre ali, não sei. Ao mesmo tempo, eu não tinha responsabilidade nenhuma, não pagava conta etc. Mas sei &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbFZ1ms8xLI/AAAAAAAAACI/Sae7XT_3GSM/s1600-h/DSC00231.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbFZ1ms8xLI/AAAAAAAAACI/Sae7XT_3GSM/s320/DSC00231.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5310124213103543474" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;que em determinada época larguei o Rick. Passava a minha hora de almoço nos sebos do Centro da cidade. Não sei se me alimentava de vento, luz, mas o intervalo do almoço era dedicado a ficar percorrendo as estantes empoeiradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra quê? Eu comprava muito pouco em relação ao tempo que passava nas livrarias. Ficava "namorando" vários livros por meses, anos, e não "casava" nunca. Conhecia todos os sebos do Centro e a localização dos meus objetos de desejo, obras caras pro meu orçamento. Tive algumas frustrações, como descobrir um dia que haviam finalmente vendido um livro importado do Saul Steinberg. Mas também realizei alguns sonhos, como, anos depois, retornar aos sebos e comprar os dez volumes das memórias do Casanova, uma edição linda, capa dura, além da coleção encadernada da história da caricatura no Brasil. Tudo velho, mas conservado, com aquele papel antigo bem preservado e o cheiro gostoso de poeira de antanho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tudo começou com meu nojo de marmita.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-5151732073196073411?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/5151732073196073411/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=5151732073196073411' title='10 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/5151732073196073411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/5151732073196073411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2009/03/marmita.html' title='Marmita'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbFZCbOvxEI/AAAAAAAAACA/lLQxIZHsrnw/s72-c/DSC00232.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-4620637898124424752</id><published>2009-03-05T06:28:00.000-08:00</published><updated>2009-03-05T07:02:34.138-08:00</updated><title type='text'>As amargas, não</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/Sa_oD9HPvhI/AAAAAAAAABY/2ffvwlB6fQQ/s1600-h/IMG_0024.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/Sa_oD9HPvhI/AAAAAAAAABY/2ffvwlB6fQQ/s320/IMG_0024.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5309717640335310354" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Agora vou ser pessoal. Só um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre gostei muito dessa frase do título. É de um livro do Álvaro Moreyra, se não me falha a memória. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não consigo praticar essa, digamos, filosofia de vida. Nem acho que seja necessário ter a alma com a profundidade de um dedal pra colocá-la em prática, embora eu possa atender perfeitamente a esse requisito. Eu culpo a cidade. É claro que estou sendo parcial, burro, ignorante, patético, incompetente. Mas viver no Rio é muito ruim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-4620637898124424752?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/4620637898124424752/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=4620637898124424752' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/4620637898124424752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/4620637898124424752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2009/03/as-amargas-nao.html' title='As amargas, não'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/Sa_oD9HPvhI/AAAAAAAAABY/2ffvwlB6fQQ/s72-c/IMG_0024.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-617528500556493038</id><published>2009-03-04T20:01:00.000-08:00</published><updated>2009-03-05T06:26:50.091-08:00</updated><title type='text'>Insensível</title><content type='html'>Eu estava trabalhando em casa, minha filha ao lado, quando me ligaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem era? - ela perguntou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fulano. Ligou pra avisar que o Mendigo morreu. Foi atropelado - respondi, e voltei a trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mendigo era um mendigo amigo meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha filha me encarou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vem cá: você não vai chorar, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cara, você é muito insensível!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um representante do nosso grupo de enlutados foi ao necrotério. Abriram a gaveta: defunto errado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas foi esse que veio pra cá - argumentou o funcionário. - Qual o sobrenome do falecido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém sabia. Ele era apenas o Mendigo. Até que uns dias depois ele ressuscitou: alguém encontrou o Mendigo internado numa enfermaria do Souza Aguiar. Só quebrara a mandíbula ao atropelar o carro (é isso mesmo, ele é que abalroara a viatura, estava escrito lá no BO da delegacia).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Viu? - falei pra minha filha, depois do imbroglio desembrulhado. - Não é que eu seja insensível, mas viu como eu ia desperdiçar as minhas lágrimas? A gente deve aplicar nossas lágrimas em investimentos de baixo risco...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não entendi nada!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-617528500556493038?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/617528500556493038/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=617528500556493038' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/617528500556493038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/617528500556493038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2009/03/insensivel.html' title='Insensível'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-7843116845930318134</id><published>2009-03-02T19:27:00.003-08:00</published><updated>2009-03-02T19:27:44.987-08:00</updated><title type='text'>Ninho (quase) vazio III</title><content type='html'>Amiga ao telefone: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai ficar aí até quando, heim? O pai da sua namorada vai reclamar.&lt;br /&gt;- Ele não tá nem aí.&lt;br /&gt;- Mas eu tô.&lt;br /&gt;- A casa não é sua, mãe.&lt;br /&gt;- Também não é sua. Já tem quantos dias que você foi praí?&lt;br /&gt;- Não tô contando.&lt;br /&gt;- Mas eu tô. Então eu engravido, crio, alimento, dou carinho, educação, me preocupo, pra agora você me abandonar? Nem pensar. Volta pra casa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixa o menino, Jocasta!, eu gritei, mas dentro de mim estava sendo solidário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-7843116845930318134?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/7843116845930318134/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=7843116845930318134' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/7843116845930318134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/7843116845930318134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2009/03/ninho-quase-vazio-iii.html' title='Ninho (quase) vazio III'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-2200828859216126292</id><published>2009-03-02T19:18:00.001-08:00</published><updated>2009-03-02T19:18:47.132-08:00</updated><title type='text'>Ninho (quase) vazio II</title><content type='html'>Um amigo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe do que eu sinto saudade? De quando ele vinha correndo pra me abraçar sempre que eu chegava em casa. Hoje eu chego e ele nem me dá pelota.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-2200828859216126292?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/2200828859216126292/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=2200828859216126292' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/2200828859216126292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/2200828859216126292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2009/03/ninho-quase-vazio-ii.html' title='Ninho (quase) vazio II'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-1196160913462312133</id><published>2009-03-02T18:20:00.000-08:00</published><updated>2009-03-02T19:16:23.520-08:00</updated><title type='text'>Ninho (quase) vazio</title><content type='html'>Da primeira vez em que ela foi num acapamento de férias, em poucos dias telefonou, aos prantos, pedindo pra ser resgatada. Na rodoviária do interior onde a mãe foi pegá-la com os monitores, a menina estava descabelada, suja, cheia de picadas de inseto, a face agoniada: "Isso não é pra mim. Nunca mais". Chegando ao Rio, pediu churrasco: comeu como uma refugiada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas férias seguintes, como se nada tivesse ocorrido antes, ela tanto insistiu no assunto que acabou indo pro acampamento de novo. Em poucos dias voltou. "Eu não sirvo pra isso", decretou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas férias seguintes, como se fosse a primeira vez, lá foi ela de novo. Garantiu: tudo seria diferente, agora estava crescida. Ficou até o fim. Saltou contente do ônibus que trouxe o grupo de volta pro Rio de Janeiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nossa, você cresceu! - eu disse, realmente espantado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, você tem mania de falar isso - ela respondeu, gozadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora no carnaval, todo dia eu passava pelo quarto da minha filha e ele sempre do mesmo jeito: intocado, vazio, silencioso. Foi pra casa de uma amiga, dez dias fora, acho que ela nunca ficou tanto tempo longe. Com a incompatibilidade dos nossos horários, eu não a via há uns 15 dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vem cá, você não vai voltar, não? - eu reclamei num telefonema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sei, pai, eu também tô com saudade, mas que culpa eu tenho se aqui tá bom?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem ela voltou. Sorridente, toda animada, largou a mala na rua ao me ver e deu uma corridinha pra me abraçar na porta do prédio. Estava mais magra, mais alta, a voz mais grossa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Caramba, como você cresceu! - eu disse, mais uma vez sinceramente espantado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você tem mania de falar isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-1196160913462312133?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/1196160913462312133/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=1196160913462312133' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/1196160913462312133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/1196160913462312133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2009/03/ninho-vazio.html' title='Ninho (quase) vazio'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-5994188821166854448</id><published>2009-02-25T14:18:00.002-08:00</published><updated>2009-02-25T14:25:17.213-08:00</updated><title type='text'>Tem carná (4)</title><content type='html'>Eu, o velho, o acabado, de pé na cova: Por que não fazem carnaval de rua em Gericinó? Aquela antiga área de manobras do Exército já não serve pra nada mesmo há muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele, o conformado: Eles venceram, esquece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu: Poderiam até emancipar Gericinó, criar um novo município. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele, divisando a luz no fim do túnel: É verdade, aqueceria a economia local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu: Imagina quanto não arrecadariam de ISS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele: Você é um visionário!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-5994188821166854448?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/5994188821166854448/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=5994188821166854448' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/5994188821166854448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/5994188821166854448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2009/02/tem-carna-4.html' title='Tem carná (4)'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-6131443681399020674</id><published>2009-02-25T14:18:00.001-08:00</published><updated>2009-02-25T14:18:37.939-08:00</updated><title type='text'>Tem carná (3)</title><content type='html'>Eu, o velho ranzinza: Não é possível que a pessoa consiga se divertir sabendo que está causando transtornos ao próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele, o boêmio em recolhimento: Não é possível pelo simples fato de que o próximo nunca esteve tão distante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-6131443681399020674?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/6131443681399020674/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=6131443681399020674' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/6131443681399020674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/6131443681399020674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2009/02/tem-carna-3.html' title='Tem carná (3)'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-4345958128470083924</id><published>2009-02-25T14:10:00.000-08:00</published><updated>2009-02-25T14:13:06.470-08:00</updated><title type='text'>Tem carná (2)</title><content type='html'>Como se descobre se uma via esteve no roteiro do carnaval de rua carioca? É simples: inspire e vc sentirá o cheiro da folia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-4345958128470083924?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/4345958128470083924/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=4345958128470083924' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/4345958128470083924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/4345958128470083924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2009/02/tem-carna-2.html' title='Tem carná (2)'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-4453824939456338325</id><published>2009-02-25T14:07:00.000-08:00</published><updated>2009-02-25T14:09:50.183-08:00</updated><title type='text'>Tem carná (1)</title><content type='html'>O carnaval é realmente uma festa tipicamente carioca. Explicando: ninguém mais parece conseguir se divertir nesta cidade horrorosa sem aporrinhar os outros. E no carnaval essa regra atinge o seu paroxismo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-4453824939456338325?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/4453824939456338325/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=4453824939456338325' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/4453824939456338325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/4453824939456338325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2009/02/tem-carna-1.html' title='Tem carná (1)'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-5082396432441048830</id><published>2009-01-11T05:36:00.000-08:00</published><updated>2009-01-11T10:42:42.915-08:00</updated><title type='text'>Programado para obsolescer</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SWoAuCFyGgI/AAAAAAAAAA8/Eai4rbnWiFo/s1600-h/Imagem+125.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SWoAuCFyGgI/AAAAAAAAAA8/Eai4rbnWiFo/s320/Imagem+125.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5290041503135177218" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;À medida que o tempo avança em sua inexorável marcha, cada vez menos gente vai se lembrar de um tempo, na verdade recente, em que o conceito de descartável era propagado como algo bom. Havia então aparelho de barba descartável, a garrafa de refrigerante descartável etc. Uns 30 anos se passaram e, se você já teve a oportunidade de estar ao pé duma favela carioca ao fim de uma enxurrada, verá aquele mar de PETs coalhando a rua e terá uma imagem bem clara da encrenca em que o descartável nos enfiou. Ou seja, não se pensava naquela época que toda a porcariada descartável teria que ser... descartada de alguma forma, né? Porque infelizmente ela não desaparece no ar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui introduzido (sem gracinhas, por favor) recentemente a um conceito que explica tudo: a obsolescência programada. É claro que a gente já sabe muito bem o que é isso, mas nunca tinha ouvido uma expressão que definisse tão bem a coisa. Aí eu pergntei à pessoa que me revelou o conceito: mas isso é algo que você inventou? Não, que burro que eu sou, quanta ignorância. É um conceito com que a indústria trabalha há muito tempo. Então é assim que roda gira, é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra deixar de ser uma besta completa (e ser apenas uma besta parcial), tentei refletir sobre algumas das conseqüências práticas da obsolescência programada. Como não estou acostumado a refletir, seguem alguns poucos exemplos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A obsolescência programada faz...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... com que você tenha que trocar a toda hora de celular e outras porcarias da vida moderna. e, segundo consta, pra cada celular usa-se de recusos naturais de dez a 20 vezes o seu peso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... cria aquela necessidade imperiosa da qual vc não tem na verdade a menor necessidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... faz vc dizer: não vale a pena consertar, vou jogar fora e comprar um novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... faz vc se sentir um jeca por não conseguir acompanhar a evolução da tecnologia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... fez com que aquele iPod que eu pedi pra trazerem do Japão ficasse em seis meses desafado e 50% mais barato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... tornou regra a troca de carro a cada dois anos (e pra constar: pra fabricá-lo, usa-se de recursos naturais o dobro do peso dele). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... aí vem a crise e o que acontece? onde vão enfiar tanto carro 0km produzido e parado nos pátios das montadores e nas revendas? NÃO aceito sugestões.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-5082396432441048830?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/5082396432441048830/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=5082396432441048830' title='17 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/5082396432441048830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/5082396432441048830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2009/01/medida-que-o-tempo-avana-em-sua.html' title='Programado para obsolescer'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SWoAuCFyGgI/AAAAAAAAAA8/Eai4rbnWiFo/s72-c/Imagem+125.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-156111895365327891</id><published>2008-12-01T12:43:00.001-08:00</published><updated>2008-12-01T12:43:41.912-08:00</updated><title type='text'>Carregando o celular</title><content type='html'>"tecle 2 para carregar seu celular via banco."&lt;br /&gt;"pi" (barulho da tecla 2)&lt;br /&gt;"deseja recarregar este celular"&lt;br /&gt;"sim"&lt;br /&gt;após uns 3 minutos&lt;br /&gt;"não entendi."&lt;br /&gt;"siiiiiiiiiiimmmmm"&lt;br /&gt;"deseja recarregar este celular?"&lt;br /&gt;"SIM!"&lt;br /&gt;após uns 3 minutos.&lt;br /&gt;"Não entendi."&lt;br /&gt;"DESEJO, SIM, POSITIVO, CLARO QUE QUERO, KCT!!"&lt;br /&gt;"Para sua segurança, esta ligação está sendo gravada."&lt;br /&gt;"F***-**!"&lt;br /&gt;"não entendi!"&lt;br /&gt;"não se faça de desentendida..."&lt;br /&gt;"deseja recarregar este celular? Fale pausadamente."&lt;br /&gt;"SSSSSSSSSSSSSSSSIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIMMMMMMMMMMMMMM..."&lt;br /&gt;após uns 3min&lt;br /&gt;"não entendi. gostaria de ser transferido para um de nossos operadores?"&lt;br /&gt;"não, eu tô apaixonado pela sua voz..."&lt;br /&gt;"não entendi."&lt;br /&gt;"a gente não pode continuar se encontrando desse jeito..."&lt;br /&gt;"o banco Mtybgkmse agradece a sua ligação e lhe deseja um bom dia."&lt;br /&gt;piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-156111895365327891?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/156111895365327891/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=156111895365327891' title='13 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/156111895365327891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/156111895365327891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2008/12/carregando-o-celular.html' title='Carregando o celular'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-3902240580805633875</id><published>2008-11-29T05:55:00.000-08:00</published><updated>2008-11-29T05:56:29.782-08:00</updated><title type='text'>Pelo retrovisor</title><content type='html'>Estou longe de ser saudosista, mas topei com este excelente site (http://fotolog.terra.com.br/luizd), o Saudades do Rio, que mostra bem como conseguiram KHr (defecar) a cidade em tão pouco tempo. E nem precisou de guerra. Como também não sou adepto de culpas vagas, difusas e coletivas, sei bem que a responsabilidade é dos governos e principalmente daquela ideologia política do quanto pior melhor, sabe como é, pra acelerar as contradições sociais e pavimentar o caminho pruma sociedade melhor. Uma atração adicional do fotolog, que segundo matéria do Globo Online pertence ao médico Luiz D'arcy, é que tem muita informação boa também. Além disso, nos comentários e nos links encontramos outros sites de pessoas dedicadas a mostrar o Rio de antanho e nem tão antigo assim. É claro que uma foto não mostra, por exemplo, problemas como a precariedade do abastecimento de água e outras dificuldades vividas pela população nas décadas passadas. Mas o espírito da coisa não é esse, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixando o texto meio truncado, mas voltando às culpas vagas, difusas e coletivas, me lembrei de quando o MAM pegou fogo, em 1978. Se não me falha a memória senil, houve problemas no combate ao incêndio, como hidrante sem água e coisas do gênero. Uma colunista então escreveu na época um texto dizendo algo mais ou menos assim: que, no fundo, a culpa era dos cariocas. Eu, um inocente útil, ainda não tinha bem clara a noção de que esse tipo de pensamento é um método, um clichê, uma fôrma pra gente se sentir um espírito crítico. Mesmo assim, achei esquisito. Pensei no meu avô, operário, que começara a trabalhar pequeno e estava morrendo com mal de Alzheimer. O velhaco também era culpado pelo fogo no MAM, quem diria?! E meu pai? Começara a trabalhar de calça-curta, catando papel. Agora tinha três empregos e ainda se esforçava pra completar a faculdade, um sonho tardio que realizou. Não é que o safado era também culpado pelas chamas que lamberam a bela obra do Affonso Eduardo Reidy? E eu? Eu que só ficava pensando em livro e sexo, às vezes ao mesmo tempo, quê que eu tava ali analisando a culpa alheia se era também responsável por aquela desgraça? Cambada de piromaníacos...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-3902240580805633875?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/3902240580805633875/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=3902240580805633875' title='28 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/3902240580805633875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/3902240580805633875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2008/11/pelo-retrovisor.html' title='Pelo retrovisor'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>28</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-4809175874781069836</id><published>2008-11-23T05:21:00.000-08:00</published><updated>2008-11-23T05:52:06.924-08:00</updated><title type='text'>Saló</title><content type='html'>Estive no blog da Clara Lopez (http://linhadepesca.blogspot.com/) e, não só pelo conteúdo dele como pelo de outros visitantes do espaço, vi que -- e fiquei encantado com o fato -- muita gente se dedica a ler livros, ver filmes e fazer a crítica das obras. Há uns 20 anos eu teria paciência pra isso, mas não faria porque não tinha estofo intelectual pra tarefa. Hoje continuo sem o estofo e perdi a paciência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas naqueles tempos de antanho eu encarava qualquer uma numa boa. Via Goddard e achava divertido, mesmo sem entender piks. Uma vez levei minha futura mulher num "cinema de arte" pra ver "Saló". Eu era (talvez continue sendo) fã do Marquês de Sade, e esse filme do Pasolini é baseado nos "120 dias de sodoma". Enquanto se sucediam agradáveis cenas de coprofilia, coprofagia, coprolagnia e outras perversões de que minha mente doentia e cansada já não se lembra mais, e a minha mulher me amaldiçoava até a oitava geração por tê-la levado prum programa tão romântico como aquele, dois sujeitos começaram a discutir aos berros nas poltronas lá da frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O público, muito compenetrado na "obra", protestou educamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Cala a boca, palhaço!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Vai embora, ô filho de puta com sacana!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou aquela balbúrdia até que um dos caras que discutiam se levantou, virou pra trás e gritou bichosamente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Dá licença? Isso aqui é uma conversa particular. A vida não é só Pasolini, não! Caguei pro Pasolini, seus merdas!! Caguei!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi aquela vaia e mais uma saraivada de xingamentos. Era a senha. Fomos embora do cinema e até hoje não sei como o filme acaba.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-4809175874781069836?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/4809175874781069836/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=4809175874781069836' title='10 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/4809175874781069836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/4809175874781069836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2008/11/sal.html' title='Saló'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-3359830519755921673</id><published>2008-11-23T04:25:00.000-08:00</published><updated>2008-11-24T18:29:23.052-08:00</updated><title type='text'>Orgulho</title><content type='html'>Em conversas com pessoas ligadas a projetos sociais, uma constante é a referência à auto-estima, como é importante, dentro daquele trabalho, não só conseguir que a pessoa beneficiada fique mais capacitada pra obter uma melhoria material, como, em conseqüência, passe a se valorizar mais, a se sentir mais útil etc. Embora a popularização da palavra auto-estima seja recente, desde que o mundo é mundo imagino que já existiam aqueles caras de auto-estima elevada e aqueles na situação oposta, às vezes com razão, outras vezes não. Deve ser um negócio biológico, químico também, como muita coisa que a gente costuma atribuir a fatores externos. Lá nos tempos das cavernas, um hominídeo bronco e barbudo descobriu como fazer fogo, mas não achou nada demais, a invenção se espalhou e o cara ficou na dele. Já um outro primata se gabava de saber desenhar e fazia individuais nas grutas francesas de Les Eyzies.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou do tipo auto-baixa-estima. Sempre fui. O Hélio Pellegrino dizia algo como que o modesto, o tímido seria na verdade um cara extremamente vaidoso. Tô citando de memória, mas é algo mais ou menos assim. Pode ser que o Hélio estivesse certo, mas esses psi sempre acham que um negócio nunca é aquele negócio. Como o contrário não pode ser provado ainda, vou continuar acreditando que sempre fui do tipo auto-baixa-estima. Evidentemente, com o passar dos anos, a gente aprende a deixar muita coisa pra trás. Mas nem tudo são águas passadas. Quando vejo algo meu publicado, em vez de orgulho, ou o sentimento do dever cumprido, muitas vezes o que sobressai é uma vergonha suave, pela quantidade de imperfeições e possibilidades não aproveitadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tem gente que não. Se orgulha de qualquer coisa. E na verdade invejo isso. Nas priscas eras, quando eu era adolescente, tinha um sujeito no meu trabalho que dizia com orgulho: "Eu tomo um litro de Coca-Cola por dia!!" Um outro afirmava com gravidade, enquanto esperávamos o ônibus: "Quando eu embarco, já estou com o dinheiro contado pra dar ao trocador. Uma coisa que acho inacreditável são essas pessoas que embarcam e só então retiram a carteira. Forma aquela fila desnecessária, só porque o preguiçoso não tirou o dinheiro antes". Pra minha vergonha, o nosso ônibus parou logo em seguida e, enquanto meu colega pagava rapidamente passagem, eu ainda estava retirando a carteira do bolso, deixando um monte de gente atrás de mim esperando sua hora de passar pela roleta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como era adolescente, tudo aquilo me dava tédio. Talvez esse tédio adolescente me tenha feito distorcer completamente os fatos e a lembrança deles. De repente meus colegas não sentiam orgulho nenhum daquilo, eu é que era uma besta arrogante e me sentia acima daquelas pequenas coisas da vida alheia. Talvez até hoje eu não tenha aprendido a lição. Porque continuo encontrando gente assim orgulhosa por razões aparentemente desarrazoadas. Outro dia um amigo me disse, muito sério, que sabe exatamente onde coloca cada peça de roupa na gaveta, que se alguém mexer ali ele vai detectar imediatamente. "E serve pra que isso? Você é doente", falei, brincando. "Doente, não. Organizado!!", ele respondeu, e eu senti inveja porque minha casa tá cheia de papéis e documentos espalhados por todos os cantos e cada vez que eu preciso achar um deles é uma odisséia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-3359830519755921673?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/3359830519755921673/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=3359830519755921673' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/3359830519755921673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/3359830519755921673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2008/11/orgulho.html' title='Orgulho'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-1740055815935539400</id><published>2008-10-09T06:16:00.000-07:00</published><updated>2008-10-09T16:51:23.923-07:00</updated><title type='text'>Exclusivo! Milla, a nossa Maitena, revela inconsolável: "Faz tempo que não me meto em encrencas"</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SO4Kjc4ijGI/AAAAAAAAAAM/RXYMHKSLrqM/s1600-h/MILLA.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SO4Kjc4ijGI/AAAAAAAAAAM/RXYMHKSLrqM/s320/MILLA.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5255149419352984674" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Num esforço inumano de reportagem, nossa equipe conseguiu entrar em contato com Milla, a nossa Maitena. De seu estúdio localizado num ponto qualquer eqüidistante entre o Atlâtico e o Pacífico, a nossa singular artista revelou não estar com a mínima vontade de retomar a produção de seus desenhos, que angariaram fãs em todos os quadrantes deste mundo vasto mundo e que se encontram reunidos no blog http://www.autobiografianaoautorizada.&lt;br /&gt;blogspot.com/. Nossa heroína está um tanto filosófica. Talvez para isso tenha contribuído sua recente passagem por um spa no interior paulistano, que ela jocosamente chamou de "hospital psiquiátrico" em seu site. Ao deixar o infame nosocômio, Milla teria dito, com a sabedoria dos monges tibetanos: "Nada do que é humano me espanta". A seguir, os melhores momentos da entrevista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Me conta uma novidade aí?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Putz, faz tempo que não me meto em encrencas, portanto não tenho novidade nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Então isso já é uma novidade...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Hahahahhahahhaha... faz tempo que estou normal... isso é realmente um tédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pobrezinha... Quando você vai voltar a desenhar pro seu blog?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A normalidade acaba com minha criatividade, é sério... se eu não sofro eu não crio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ótimo, vamos lançar um concurso: ganha quem fizer você sofrer...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ah, eu só sofro por amor... e faz tempo que não me apaixono ou sou abandonada... vou escrever sobre o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Então vamos lançar uma campanha pra você arrumar um cobertor de orelha aí... Quando você volta a desenhar? &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Eu não tô a fim de desenhar, eu tô a fim de escrever, talvez ilustre o que escrevo, mas não tô mais a fim das tiras... é uma paixão inutil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Você partiu meu coração e o de milhares de fãs agora... Mas tudo bem, saiba que publicarei suas palavras na íntegra.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Hahahhahahahahahah, seu bobo, pára com isso! Eu não estou mais disposta a usar meu talento inutilmente. Eu sei que eu sou boa fazendo tiras... mas pra quê? Pra viver frustrada? Agora eu vou almoçar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Uma última pergunta. Meu dentista falou que uma boa forma de curar a gripe é tomar uma dose maciça de vitamina C. O único incoveniente, segundo ele, é que o paciente sofre um leve "desconforto intestinal". Você acha que vale a pena ter uma caganeira pra curar uma gripe?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;Milla não respondeu a esta última questão&lt;/em&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-1740055815935539400?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/1740055815935539400/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=1740055815935539400' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/1740055815935539400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/1740055815935539400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2008/10/exclusivo-milla-nossa-maitena-revela.html' title='&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Exclusivo! &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Milla, a nossa Maitena, revela inconsolável: &quot;Faz tempo que não me meto em encrencas&quot;'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SO4Kjc4ijGI/AAAAAAAAAAM/RXYMHKSLrqM/s72-c/MILLA.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-4211423422793159818</id><published>2008-10-06T21:51:00.000-07:00</published><updated>2008-10-09T11:18:05.052-07:00</updated><title type='text'>Bruna Caram</title><content type='html'>Com essa de linkar clipes, estou meio que realizando um velho sonho que nunca tive de ser crítico musical. Mas a melhor parte é ser um crítico bem irresponsável, sem compromisso com a objetividade e com a caça de informações. Por isso vou ser bem sincero: eu, uma besta ignorante, nunca tinha ouvido falar da Bruna Caram. Não sei se ela é do Rio, de SP ou de Goiás. O sotaque me parece de Minas, mas eu tenho a mania de achar que todo mundo ou é de Minas ou do Ceará. É claro que eu poderia ir no Google, no Orkut e em outros lugares mais recônditos da internet pra buscar esses dados, mas, vou ser sincero, estou cansado e com preguiça. Só espero que ela não saiba disso (risco zero praticamente) e não fique chateada (não tem motivo). Achei esse clipe lindo, a voz dela maravilhosa e sensacional o cara que toca a viola (&lt;em&gt;me pareceu inicialmente uma viola caipira, aquela de cinco cordas duplas, mas depois vi que tem seis tarraxas, então não sei que instrumento é&lt;/em&gt;). Gostei muito do arranjo também e do fato da gravação ter sido feita num apartamento vazio, deu uma acústica bacana. A música também é muito boa. Nota 10. Mais uma vez, um trabalho do pessoal da Música de Bolso (http://www.musicadebolso.com.br), que eu não sei exatamente o que é, mas quem quiser saber que vá pesquisar (eu vou fazer o mesmo assim que conseguir dormir umas cinco horas seguidas no mínimo ou me aposentar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width='424' height='318'&gt;&lt;param name='movie' value='http://www.videolog.tv/ajax/codigoPlayer.php?id_video=348218&amp;relacionados=S&amp;default=S&amp;cor_fundo=000000&amp;swf=1&amp;width=424&amp;height=318'&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed  align='middle' allowFullScreen='true' type='application/x-shockwave-flash' quality='high' src='http://www.videolog.tv/ajax/codigoPlayer.php?id_video=348218&amp;relacionados=S&amp;default=S&amp;cor_fundo=000000&amp;swf=1&amp;width=424&amp;height=318' width='424' height='318'&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-4211423422793159818?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/4211423422793159818/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=4211423422793159818' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/4211423422793159818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/4211423422793159818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2008/10/bruna-caram.html' title='Bruna Caram'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-1851783089911489676</id><published>2008-10-06T21:48:00.000-07:00</published><updated>2008-10-06T21:51:35.658-07:00</updated><title type='text'>Marina Machado II</title><content type='html'>Mais uma da maravilhosa cantora mineira. Também do pessoal da Música de Bolso (http://www.musicadebolso.com.br/), reproduzido no videolog do Uol. O clipe foi gravado no bar do Bourbon Street, em SP. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width='424' height='318'&gt;&lt;param name='movie' value='http://www.videolog.tv/ajax/codigoPlayer.php?id_video=351198&amp;relacionados=S&amp;default=S&amp;cor_fundo=000000&amp;swf=1&amp;width=424&amp;height=318'&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed  align='middle' allowFullScreen='true' type='application/x-shockwave-flash' quality='high' src='http://www.videolog.tv/ajax/codigoPlayer.php?id_video=351198&amp;relacionados=S&amp;default=S&amp;cor_fundo=000000&amp;swf=1&amp;width=424&amp;height=318' width='424' height='318'&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-1851783089911489676?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/1851783089911489676/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=1851783089911489676' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/1851783089911489676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/1851783089911489676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2008/10/marina-machado-ii.html' title='Marina Machado II'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-5698171155381387978</id><published>2008-10-06T21:18:00.000-07:00</published><updated>2008-10-06T21:48:34.726-07:00</updated><title type='text'>Marina Machado</title><content type='html'>Já que esta porcaria não serve mais pra nada, vou ver se pelo menos pode ser usada pra divulgar música boa. Aqui tá um link duma iniciativa que eu ignorava completamente. São clipes simples, feitos com os músicos tocando e cantando ao vivo, mostrando que realmente têm talento. É um negócio da Música de Bolso (http://www.musicadebolso.com.br) que eu encontrei no videolog do Uol. A estréia vai ficar por conta da Marina Machado, uma cantora maravilhosa, que agora tá ganhando um pouco mais de visibilidade, embora já esteja na estrada há um bom tempo. A Marina é uma das melhores cantoras brasileiras que eu conheci nos últimos anos. Lançou há pouco tempo um CD, "Tempo Quente", que poderia ser considerado o primeiro solo dela (o anterior a que tive acesso é fraquinho, infelizmente, e dividido com um outro artista). Este "Tempo Quente" é bem pop, tem um clima suave, a Marina canta idem, meio à la Bebel Gilberto, com um timbre lembrando um pouco a Marisa Monte, se a Marisa tivesse sotaque mineiro, que me agrada muito, aliás, mas acho que ninguém tá interessado nisso. Agora, se a Marina Machado quisesse, poderia muito bem gravar um monte de música pauleira, porque ela tem muita voz pra isso. Quem quiser checar, que consiga a apresentação dela ao vivo no projeto Pixinguinha de 1900 e lá vai fumaça, ou 2000 e lá vai fumaça (alguém quer precisão? pra quê que existe Google?), e veja lá a Marina cantando "Sá Rainha". Sensacional. Está num DVD da Funarte, se a minha memória senil não me escapa. Por fim, a Marina tem um lance qualquer com o Milton Nascimento, não sei se ele já deu uma força pra ela etc, mas a menina já cantou com ele e o Bituca faz uma participação no disco dela agora. É isso. À música!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width='424' height='318'&gt;&lt;param name='movie' value='http://www.videolog.tv/ajax/codigoPlayer.php?id_video=351194&amp;relacionados=S&amp;default=S&amp;cor_fundo=000000&amp;swf=1&amp;width=424&amp;height=318'&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed  align='middle' allowFullScreen='true' type='application/x-shockwave-flash' quality='high' src='http://www.videolog.tv/ajax/codigoPlayer.php?id_video=351194&amp;relacionados=S&amp;default=S&amp;cor_fundo=000000&amp;swf=1&amp;width=424&amp;height=318' width='424' height='318'&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-5698171155381387978?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/5698171155381387978/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=5698171155381387978' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/5698171155381387978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/5698171155381387978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2008/10/marina-machado.html' title='Marina Machado'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-6739705743580437955</id><published>2007-11-13T18:50:00.000-08:00</published><updated>2007-11-13T19:35:09.471-08:00</updated><title type='text'>Vidas desinteressantes</title><content type='html'>É um clichê do cinema americano. Toda vez que se quer retratar uma vida desinteressante, a personagem é uma garçonete. Por estas paragens, os personagens interessantes, há tempos, costumam ser os do universo bandido. Outro dia um jornal mostrou a "saga" das mulheres no tráfico, tanto as donas das bocas, como as "celetistas", digamos assim, que trabalham na atividade-fim, e as "terceirizadas", que prestam serviços como vender comida pros bandidos ou fazer sexo com eles, já que a atividade ali é pura tensão e os coitados precisam descarregar isso, né?, senão sobe pra cabeça. Como diria o filósofo Lulu Santos, a vida vem em ondas como o maaaaar. Fico impressionado com o retorno a todo o vapor dessa tendência, desse gosto, dessa diretriz, dessa perversão, sei lá que nome dar, de mostrar a realidade do crime pelo ponto de vista do criminoso. Nos tempos da ditadura, o pensamento subjacente era o seguinte: o bandido é contra a polícia; a polícia é da ditadura; logo, se eu for a favor do bandido, estarei contra a ditadura. Não vou falar nem na antiga ideologia de se usar o bandido como um acelerador das contradições sociais, a fim de se preparar o caminho pra revolução, destruindo um modelo de sociedade pra substituí-lo por outro. Aí o troço já complica. Então, passada a ditadura, vieram os medonhos anos 80, os dispensáveis 90 e agora essa tendência volta em horário nobre. Tirem as crianças da sala! E fica a aura de que isso é da mais suprema importância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, mostra a podreira, mas tratar isso como o supra-sumo da elevada consciência social? Que benefício pode trazer esse tipo de obra, reportagem, filme, trabalho, seja lá o que for, que dá voz ao marginal? Que sendo imparcial já está sendo pra lá de parcial? Não consigo pensar numa resposta que preste. Isso vai servir pra construção de uma sociedade mais justa? É esse o motivo nobre? Acho que serve pra satisfazer uma certa curiosidade safada, um certo voyeurismo, se é que se pode usar esse termo. Me lembro de ter visto um documentário em que aparecia um criminoso dando um depoimento, expressando livremente toda a sua crueldade, todo o seu desprezo pela vida do próximo. Embaixo, a legenda com uma identificação mais ou menos assim: "Assaltante profissional". "Mas isso é algum tipo de piada!", eu reagi, falando alto, pra desgosto dos meus compenetrados colegas de platéia no cinema. Outro dia li que o diretor daquele documentário queria mostrar o ponto de vista do bandido. Então era a sério mesmo? Mas que diabo é isso?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Li o relato de um pai afirmando que seu filho virara traficante por causa do Bob Marley. Isso porque, como o Bob era maconheiro, o garoto também virou maconheiro. Aí, pra sustentar o vício, virou traficante. Se fosse fã do Jean Genet, ia virar ladrão e homossexual. É essa a lógica? Eu não critico esse pai. Eu faria o mesmo, eu defenderia o meu filho até o limite do absurdo. Daria guarida a ele mil vezes fosse necessário, não importando o seu crime. O ruim é você ler esse tipo de história sendo tratado com seriedade, como um elemento importante no diagnóstico do nosso degradado quadro social.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Alguém pode imaginar que o drama da bandidagem tomou o lugar, nos corações e nas mentes das pessoas politicamente conscientes, do drama das vítimas da ditadura. Mas acho que não, acho que existe uma co-existência pacífica. Vira e mexe, as histórias dos porões do regime militar voltam à baila. Há quem inclusive atribua à ditadura a culpa pelo crime organizado, como se não fosse notório que a esquerda tem pelo menos uma participação na gênese dessa organização. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que estou apenas velho e não agüento mais tanta repetição? Então deve ser isso. Resumindo: não agüento mais essas pessoas que roubam, seqüestram e matam, com suas "vidas interessantes". Quero que elas todas se danem. Quero saber das "vidas desinteressantes", daquelas pessoas que passam a vida inteira sem matar, roubar e seqüestrar, porque sabem que isso é errado; que se sacrificam pra levar uma vida honesta, porque sabem que não existe uma alternativa moral aceitável. Quero saber dessas pessoas de rotina enfadonha, que não são glamourizadas pelos bem-pensantes e são tratadas a pontapés pelo poder público.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-6739705743580437955?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/6739705743580437955/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=6739705743580437955' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/6739705743580437955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/6739705743580437955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2007/11/vidas-desinteressantes.html' title='Vidas desinteressantes'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-7343789266083208552</id><published>2007-11-06T17:28:00.000-08:00</published><updated>2007-11-06T17:31:23.594-08:00</updated><title type='text'>Olha as pessoas subindo, subindo, subindo...</title><content type='html'>&lt;span&gt;O título é pra ser cantado com a melodia de "Ladeira da memória". Tem a ver com o grande número de mortes que vêm ocorrendo nos últimos dias. Não a morte impessoal, mas aquela dentro do nosso círculo de amigos e conhecidos. Até avisei aos meus pais: é melhor vocês botarem as barbas de molho, porque vários colegas perderam o pai ou a mãe nos últimos dias. Não é uma epidemia. É a idade mesmo. A gente vai chegando a certa idade e a morte começa a se fazer mais presente. Por enquanto, a coisa tem seguido mais ou menos a lógica. Mais pai do que filho morrendo. Daqui a pouco, não haverá mais muito pai pra morrer. Aí a gente assume o comando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será cada vez mais um assunto recorrente. Ganhei de presente o último livro do Philip Roth  ("Homem comum"). Qual o tema? A decadência, o extermínio, o aniquilamento, o fim, a morte. Aliás, o Roth não tem sido nos últimos tempos a melhor leitura pra quem tá meio pra baixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até minha filha de 9 anos tem contribuído pra onipresença do tema. Ela perguntou: o que existe antes da gente existir? Eu sei lá! Mas uma resposta está no livro "O mundo que virá", de Dara Horn, que faz, em forma de ficção, uma espécie de compilação de uma série de textos judaicos. O mundo que virá é onde vivem as crianças antes de nascer. Ali, elas ficam a cargo de seus parentes mortos, que lhes ensinam as coisas importantes. Pouco antes de nascer, a criança recebe, de um anjo, uma pancada no nariz e se esquece de tudo. Mas, já deste lado do mundo, por causa de toda a informação recebida antes, tem a capacidade de aprender, de distinguir o certo e o errado, de se guiar pelo senso de justiça, de perceber o sublime etc. Estou citando de memória, mas é mais ou menos isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, pra todos os efeitos, se isso serve de consolo, quando a gente chegar ao fim da jornada, voltará ao ponto de partida. Dessa vez já não como protagonista, mas na equipe de apoio. Deve ser isso que se chama fechar o ciclo.&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-7343789266083208552?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/7343789266083208552/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=7343789266083208552' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/7343789266083208552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/7343789266083208552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2007/11/olha-as-pessoas-subindo-subindo-subindo.html' title='Olha as pessoas subindo, subindo, subindo...'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-5523077480618681629</id><published>2007-10-02T20:42:00.000-07:00</published><updated>2007-10-02T20:44:58.782-07:00</updated><title type='text'>O afeto que se atrofia</title><content type='html'>A cena é a seguinte: você entra num restaurante, está distraído escolhendo uma mesa e alguém grita seu nome. Uma grande amiga, que você não vê há anos. Após as recordações de praxe, não há mais o que dizer. O troço não avança. A conclusão é óbvia: o afeto é como um músculo, precisa ser exercitado pra não se atrofiar. Mas é uma conclusão precipitada. Tenho poucas e distantes amizades. E, se nos encontramos, a coisa geralmente flui sem muitos problemas. Até o tal silêncio constrangedor não chega realmente a constranger. É preciso falar o tempo todo? Uma das formas de combater o risco do silêncio constrangedor é ter amizades que falam muito (isso, se você for do tipo que fala pouco). Mas me parece que amizade é um pouco também como família -- não se escolhe. Ou se escolhe até certo ponto, mas é um controle frágil. Aliás, isso me parece ser uma regra generalizada na vida. O controle frágil. Mas posso estar enganado. Ainda ontem minha filha disse: Fulana (de 8 anos) consegue tudo que quer. Não me controlei: Será que ela podia me dar umas aulas?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-5523077480618681629?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/5523077480618681629/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=5523077480618681629' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/5523077480618681629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/5523077480618681629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2007/10/o-afeto-que-se-atrofia.html' title='O afeto que se atrofia'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-1771404857216362741</id><published>2007-09-30T08:27:00.000-07:00</published><updated>2007-09-30T09:24:53.998-07:00</updated><title type='text'>Descendo</title><content type='html'>Não fui mais uma vez à Bienal do Livro no Rio, mas por acaso assisti, pela TV, a uma das mesas-redondas realizadas lá no Riocentro durante o evento. Não lembro o tema, mas estavam falando sobre os problemas da nossa sociedade, os escândalos políticos, a violência, a mídia que dá mais destaque a um crime que a outro em função de sua localização geográfica etc. Tudo dentro da normalidade. Na conclusão é que veio a velha chatice: um dos debatedores disse que a sociedade tem que se manifestar, que os estudantes têm que ir pras ruas etc... Ai, meu Deus, por que esse pessoal tá sempre arranjando trabalho pra gente? Pra eles, as pessoas, além de se aporrinharem com suas próprias atividades, além de pagarem impostos e taxas, ainda têm que gastar as horas de folga e a sola do sapato pra construir uma sociedade mais justa, obrigar os outros a exercerem a função pra qual foram eleitos e/ou são pagos. A gente acaba achando que isso é o normal. Não é. O normal é ninguém se aporrinhar com isso. A gente faz o nosso trabalho aqui e o poder público faz o dele lá. Entre um e outro, tem sempre aquela minoria barulhenta que vai pras ruas, organiza movimentos etc, por ideologia ou profissão. Ontem, eu estava no Leme, esperando minha mulher no carro, e umas 30 pessoas de preto passaram numa manifestação contra o Lula. Ok, parabéns, mas não quero saber disso. Estava frio, chuvoso, preferi ficar no carro escutando Tina Brooks. Outro dia, num artigo sobre responsabilidade social, uma especialista no assunto disse que o que está ocorrendo atualmente, com todo esse movimento do terceiro setor, é na verdade a construção de uma nova civilização. Tá bom, tá bom, olha o que eu tô perdendo, os tataranetos dos nossos tataranetos talvez possam julgar isso um dia. Mas, agora, pára o bonde da História que eu quero descer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-1771404857216362741?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/1771404857216362741/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=1771404857216362741' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/1771404857216362741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/1771404857216362741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2007/09/descendo.html' title='Descendo'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-5872106487778733556</id><published>2007-09-25T05:11:00.001-07:00</published><updated>2007-09-25T05:13:25.243-07:00</updated><title type='text'>200ml de Coltrane na veia de Oriane</title><content type='html'>Lendo a informação de que Oriane, a Furiosa, está em depressão, me deu vontade de recomendar a ela a audição de “Mr. Day”, música de John Coltrane, do disco “Coltrane Plays The Blues”. Só o tema, que é bem pequeno. Noventa e cinco por cento da música é improviso. Mas o tema principalmente tem aquela qualidade que os críticos chamam de solar. E depressão remete a buraco, lugar escuro. É claro que ninguém cura depressão com música. Depressão é coisa séria. Tampouco conheço a natureza dos problemas de Oriane, que pra mim é, na verdade, só um nick. Mas “Mr. Day” faz a gente se sentir bem. Essa é a minha experiência, pessoal, intransferível. Mas será que a música não pode ter o mesmo efeito, por menor e mais rápido que seja, em outra pessoa? Ou, pelo menos, servir como um voto de pronto restabelecimento? Tenho certeza de que deve haver uma forma de eu colocar o trechinho da música neste blog, mas no momento não tenho idéia do que fazer. Vou pesquisar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-5872106487778733556?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/5872106487778733556/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=5872106487778733556' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/5872106487778733556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/5872106487778733556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2007/09/200ml-de-coltrane-na-veia-de-oriane.html' title='200ml de Coltrane na veia de Oriane'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-4085578555493944104</id><published>2007-09-25T05:08:00.000-07:00</published><updated>2007-09-25T05:37:07.370-07:00</updated><title type='text'>O Rio de Janeiro não é o Brasil</title><content type='html'>Fiz duas viagens recentemente, ao Mato Grosso do Sul e à Bahia, e, na comparação, pude constatar mais uma vez como se pode viver muito bem fora da Cidade Marabichada. Não vou mencionar nem como, a cada vez que voltei do aeroporto, passando pela Linha Vermelha, me assustei com o crescimento desenfreado das favelas da Maré, às margens da via expressa. Um crescimento pra cima, claro, porque já não há espaço pra crescer pros lados (bom, se aterrarem o que restou da Baía de Guanabara naquele trecho, isso ainda é possível; fica aqui a sugestão à indústria da favelização). De um dia pro outro, casas de três, quatro andares surgem na paisagem. Daqui a pouco, vão começar a fazer sombra na pista. Um amigo disse, com o humor dos que seguem pro cadafalso, em breve vão ter que transformar a Linha Vermelha em túnel, mas aí vão erguer barracos também em cima do túnel. Eu disse que não ia mencionar o assunto. Estou velho e gagá. Mas pude viver pra constatar: existe vida fora do Rio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-4085578555493944104?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/4085578555493944104/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=4085578555493944104' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/4085578555493944104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/4085578555493944104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2007/09/o-rio-de-janeiro-no-o-brasil.html' title='O Rio de Janeiro não é o Brasil'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-4854533610193031165</id><published>2007-09-25T04:56:00.000-07:00</published><updated>2007-09-25T05:07:29.226-07:00</updated><title type='text'>O Clube dos Inocentes Úteis</title><content type='html'>Reativando este negócio aqui, vou tentar transcrever, com meu inglês da Praça Mauá, um trecho do livro “Double lives”, de Stephen Koch, que trata justamente do uso deliberado de inocentes úteis pela causa da esquerda. Esse livro é sensacional. Traça um panorama do esquema de propaganda montado desde os tempos da Revolução Russa, fala dos artifícios, do sistema de cooptação e mentira, dos tribunais paralelos, da transformação pura e simples da realidade, sobre como pensar como a esquerda acabou virando o paradigma do que é bom, moral e não engorda. Um dos personagens de maior destaque é Willi Münzenberg, alemão responsável por boa parte desse esquema na época do Stalin. Lendo o livro, acho que comecei a compreender melhor de onde vêm essas pessoas que dizem que “tudo é política” (aliás, daqui a pouco vou lá no banheiro fazer um ato político).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “Com um leve desdém, Münzenberg se referia a essa vasta horda de devotos radicais como ‘inocentes’. Sua expressão para as frentes que ele criou, com o objetivo de guiar e dirigir os compromissos sérios mas politicamente ingênuos de seus integrantes, era ‘Clubes dos Inocentes’. A expressão é reveladora. De um lado, refere-se aos milhares que (...) não agiam com conhecimento de causa. (...) A palavra ‘inocência‘ também sugere um motivo. Refiro-me à necessidade de justiça, justiça no sentido bíblico. A sede por justificação moral para uma vida neste mundo é uma das mais profundas necessidades que temos, um dos nossos impulsos mais poderosos e essencialmente humanos (...). Com seus ‘Clubes dos Inocentes’, Münzenberg forneceu a duas gerações de pessoas na esquerda o que poderíamos chamar de fórum da justiça. Mais talvez do que qualquer pessoa da sua era, ele desenvolveu o que pode bem ser a principal ilusão moral do século XX: a noção de que, na idade moderna, a principal arena da vida moral, o verdadeiro reino do bem e do mal, é a política. (...) Ele ofereceu a todos um papel na busca por justiça no nosso século. Ao definir o culpado na sociedade, Willi ofereceu ‘inocência’ a qualquer um que ‘se opusesse’ a esse culpado. Milhões de pessoas com fome de justiça se agarraram a essa nova ilusão.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-4854533610193031165?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/4854533610193031165/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=4854533610193031165' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/4854533610193031165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/4854533610193031165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2007/09/o-clube-dos-inocentes-teis.html' title='O Clube dos Inocentes Úteis'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-3455712115943616350</id><published>2007-04-30T17:20:00.000-07:00</published><updated>2007-05-01T15:41:38.516-07:00</updated><title type='text'>Dias de inocência útil</title><content type='html'>Sim, eu já fui um inocente útil. Abracei a Lagoa (pros mais novos: foi uma manifestação do PT). Abracei o Brizola. Fui tocar num conjunto residencial na Zona Oeste, impelido por um grupelho marxista-leninista. Participei de uma reunião de músicos num teatro da Zona Norte, onde a grande questão, discutida por horas, era determinar se um show de música era um ato político ou não (não lembro qual foi a conclusão). Aceitei me encontrar com uns sujeitos que tentavam me cooptar prum jornal de esquerda, mas queriam avaliar meu estofo político antes (fui reprovado)... Em retrospecto é que vejo o quanto já fui manipulado e como é possível ser ainda mais imbecil do que sou hoje. Agora, prefiro ser um inocente inútil, um traste político -- mesmo porque, pelos padrões vigentes, se você não é de esquerda, não passa de um alienado. Mas eu sou alienado mesmo. E não agüento ler ou ouvir palavras que me lembrem esse pessoal "politizado". Acho que vou fazer uma lista delas, "Pequeno vocabulário de palavras prostituídas, ou, apropriando-se da linguagem para fabricar uma realidade". Uma palavra que certamente vai entrar na relação é "paz". Essa palavra foi aviltada durante décadas e décadas. O Jorge Amado tem um livro da sua fase stalinista que se chama "O mundo da paz". Falava sobre o mundo comunista, claro. Que não tinha nada de pacífico, é claro, mas era a propaganda da época. O Jorge, um sujeito avesso ao sectarismo, viu a desonestidade que era e depois renegou o livro, proibindo a sua republicação. Em suas memórias no "Navegação de cabotagem", ele lembra um curso de comunista do qual participou, em que os alunos eram instados a odiar pai, mãe etc... Posso estar errando nos detalhes, tô citando de memória, mas é algo rasteiro assim mesmo... Então hoje em dia, quando vejo essas manifestações e movimentos com a palavra "paz" aqui no Rio, uma coisa sem sentido, porque equivale a pedir paz aos criminosos, me dá um tédio desgraçado...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-3455712115943616350?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/3455712115943616350/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=3455712115943616350' title='9 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/3455712115943616350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/3455712115943616350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2007/04/dias-de-inocncia-til.html' title='Dias de inocência útil'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-4988681896316888283</id><published>2007-04-29T19:10:00.000-07:00</published><updated>2007-04-30T15:05:47.815-07:00</updated><title type='text'>Sem resposta</title><content type='html'>. Quando estou pra baixo, tomo suco de mangaba. O efeito é garantido: logo me sinto melhor. Faz bem pro corpo e pra alma. É como alcaparra. Uma amiga estava desanimada com a vida, queria procurar uma psi, mas eu recomendei: alcaparra. Pura, no sanduíche de queijo, na salada... Deve haver uma explicação química pra isso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;. Minha filha me perguntou como Deus era quando criança. Como vou saber isso? Acho que ninguém deve saber, nem a Encyclopaedia Britannica. Eu não acredito em Deus, mas não me orgulho disso. De vez em quando, tento ler uns negócios que justificam o ateísmo, mas me parecem meio bobos. Às vezes, sinto a pressão para que eu me conscientize da minha enorme ignorância por ser ateu. Mas eu não preciso disso pra saber o quanto sou uma besta. Uma vez, na escola, uma professora perguntou minha religião enquanto preenchia a ficha da matrícula. Respondi "nenhuma" e ela me botou contra a parede: e quem você acha que criou o mundo? a vida? o universo? Sei lá, respondi constrangido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;. Num papo de quarentões, surgiu a pergunta: por que a vida de repente parece tão repetitiva? Tenho uma teoria biológico-evolutiva, anunciei modestamente. Esse negócio de viver até 70, 80 anos é algo recente demais na história humana. Durante milhões de anos, a gente viveu o quê? até 30, 40 anos, como qualquer grande primata. Resultado: não estamos ainda totalmente ajustados a vidas tão longevas. O corpo vai prum lado, mas a mente não acompanha. Há um descompasso aí. Será necessária uma reprogramação genética total. Por isso, após os 40, o desânimo, a falta de paciência pruma série de coisas, o abandono de sonhos etc. É claro que ninguém concordou e ainda me acusaram de estar me projetando nos outros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-4988681896316888283?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/4988681896316888283/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=4988681896316888283' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/4988681896316888283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/4988681896316888283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2007/04/sem-resposta.html' title='Sem resposta'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-3601604613435714560</id><published>2007-04-19T22:00:00.000-07:00</published><updated>2007-04-21T10:44:54.257-07:00</updated><title type='text'>Enfim uma boa notícia: Milla, a nossa Maitena, está de volta</title><content type='html'>Se a gente reparar direito, há muito pouco o que se comemorar neste primeiro semestre, especialmente pra quem tem a desventura de morar na Cidade Marabichada. Se alguém falou aí no campeonato da Beija-Flor, danou-se, porque já está sob suspeita. Depois, como alguém pode ficar feliz com isso? Ou triste? Ou se encher de alegria com o título do Vasco ou do Flamengo, ou com o milésimo gol do blablablá, ou com esse negócio de avião pra lá e pra cá, dando rasantes, fazendo barulho e gastando gasolina o dia inteiro? Mas agora, enfim, a boa notícia. A Milla, escritora e cartunista ainda pouco conhecida (ela se trata com adjetivos inadequados, como frustrada e fracassada), cujo filme preferido é qualquer pornô que acaba em casamento (esse eu perdi, ou então não entendi o enredo), a Milla decidiu reativar seu excelente blog. Se alguém está lendo isso aqui, vá embora logo e acesse &lt;a href="http://www.autobiografianaoautorizada.blogspot.com" target="_blank"&gt;http://www.autobiografianaoautorizada.blogspot.com&lt;/a&gt;. Nada de opiniões sobre as últimas questões da cena político-cultural brasileira. Nada de considerações sobre os mais recentes e imperdíveis seriados da Fox, Sony, Discovery Kids etc... Graças a Deus. É material original, divertido, bonito de se ver.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-3601604613435714560?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/3601604613435714560/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=3601604613435714560' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/3601604613435714560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/3601604613435714560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2007/04/enfim-uma-boa-notcia-milla-nossa.html' title='Enfim uma boa notícia: Milla, a nossa Maitena, está de volta'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-1267311840406539293</id><published>2007-03-03T06:45:00.000-08:00</published><updated>2007-03-14T14:38:27.358-07:00</updated><title type='text'>Fim da lista</title><content type='html'>Desisti de continuar a lista de coisas que não agüento mais, porque isso parece não ter fim. Mas um item que não pode ficar de fora é elevador revestido de aço escovado. Virou uma praga por toda a cidade. A gente se sente num gavetão do Instituto Médico-Legal (IML). Por que trocar a madeira por esse material horroroso? Também não pode faltar na lista gente defendendo pitbull, alegando que qualquer cachorro pode ser perigoso e sair dando mordidas a torto e a direito por aí. É verdade, claro, um truísmo, mas esse argumento despreza candidamente o fato de uma dentada de, digamos, um poodle toy ser muito diferente daquela desferida por um pitbull. Sem contar que, se, por exemplo, um daqueles yorkshires de maus bofes vier morder o dedão do seu pé, basta dar um bico no infeliz que ele vai parar do outro lado da rua. No caso de um pitbull não, é preciso recorrer a barras de ferro, tacos de beisebol e tiros de bazuca pra ele largar sua vítima, como está fartamente provado por uma série de ocorrências. Ainda outro dia eu estava no Aterro e uma barata gigante me picou o tornozelo. Esmaguei o bicho com uma chinelada e uma mulher começou a gritar que eu tinha matado o "neném" dela. Só então percebi que era um minipinscher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero deixar a impressão de que sou do tipo que só gosta de cachorro na panela de restaurante coreano. Eu amo os cães, tanto que nunca levei nenhum pra morar comigo. O máximo que já fiz foi pegar cachorro emprestado ou visitá-lo em seu "hábitat". Mas a gente se dá bem. Eles vivem se chegando em mim. Uma vez, numa ilha na Grécia, assim que eu e minha mulher desembarcamos do ferry-boat, um vira-lata enorme veio pro meu lado. Como de hábito, dei a maior confiança pro bicho, ofereci biscoito e começamos a passear pela ilha, nós três. Com o passar do tempo, aquela mistura de Scooby-Doo com manga-larga marchador começou a criar problemas. Cada vez que parávamos num lugar, ele montava guarda e atacava os incautos que viessem pro nosso lado. Os moradores locais, pensando que eu fosse dono do malucão, cerravam os punhos na minha direção, gritavam comigo; nem era preciso falar grego pra saber que me xingavam e exigiam que eu controlasse o cachorro. Bolei então um plano com minha mulher: entraríamos numa loja e, como o animal ficaria na porta, sairíamos correndo pelos fundos. Entramos na primeira loja que apareceu, mas ele, bufando, nos alcançou logo depois. Acho que só da terceira vez tivemos sucesso, porque cada um foi prum lado e nos encontramos bem adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, quando fomos embora, vi o cachorrão no maior amor com um outro turista no cais. Os dois saíram passeando lado a lado. Quando o animal passou por mim, ainda ofereci um biscoito, mas ele me ignorou por completo, me deixando com uma certa dor-de-cotovelo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-1267311840406539293?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/1267311840406539293/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=1267311840406539293' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/1267311840406539293'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/1267311840406539293'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2007/03/fim-da-lista.html' title='Fim da lista'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-6561745931215596339</id><published>2007-03-02T14:25:00.001-08:00</published><updated>2007-03-02T14:30:32.963-08:00</updated><title type='text'>A confraria dos unhas-grandes</title><content type='html'>Enquanto eu pagava o cabeleireiro, um sujeito me abordou: você é músico? Percebi logo. Eram as minhas unhas, né? Unhas grandes, de violonista. Ele estava lá pra fazer três unhas de porcelana. Trocamos rápidas impressões. Com a inexorável marcha do tempo, as unhas ficam mais fracas e se quebram com mais facilidade. Antes, não, eram fortes como diamantes. A gente se esbarra por aí. Como aconteceu com um trompetista que de vez em quando treinava no Aterro do Flamengo. Um dia eu parei pra conversar. Eu disse que estava tentando aprender o instrumento. Ele me convidou e eu levei o trompete pro Aterro. Não sou músico, mas sei que o som dele não estava bom na época. Ele me contou que estava voltando à ativa, abandonara a bebida, abraçara Cristo. Me pediu pra eu ensinar a ele os princípios da improvisação. Quem sou eu pra isso? Queria me levar pra banda dele, pra gente tocar no carnaval e em frente às Casas Bahia. Um dia ele sumiu. Tempos depois, estava na Praça Tiradentes, uma mesa cheia de garrafas de cerveja à sua frente. Acho que teve uma recaída. Vai demorar a recuperar a embocadura de novo.&lt;br /&gt;A música persegue a gente. Outro dia, voltando pra casa, minha filha perguntou:&lt;br /&gt;-- Se você queria ser músico, por que não virou?&lt;br /&gt;-- Porque não tenho talento. E é muito difícil.&lt;br /&gt;-- Se você quisesse mesmo, teria virado.&lt;br /&gt;-- Você tá certa.&lt;br /&gt;-- Você também não queria ser escritor? Por que não virou?&lt;br /&gt;-- Não sou bom. Não consegui.&lt;br /&gt;-- Mas ainda dá tempo.&lt;br /&gt;-- Não dá, tô velho já.&lt;br /&gt;-- E tá mesmo. Então você vai morrer, né?&lt;br /&gt;-- É, daqui a pouco tô morrendo.&lt;br /&gt;-- Mas eu não sei chegar em casa!&lt;br /&gt;-- Calma, vai dar tempo de chegar em casa.&lt;br /&gt;-- Ai, que susto!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-6561745931215596339?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/6561745931215596339/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=6561745931215596339' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/6561745931215596339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/6561745931215596339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2007/03/confraria-dos-unhas-grandes.html' title='A confraria dos unhas-grandes'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-5945480643475130075</id><published>2007-03-02T13:44:00.000-08:00</published><updated>2007-03-02T13:45:56.803-08:00</updated><title type='text'>Recado à Anna V., ou Philip Roth não é pamonha</title><content type='html'>Não que o Philip Roth precise disso, ou que eu ache que você tem a obrigação de gostar dele. Mas, por motivos insondáveis, sinto que me sentiria melhor se isso acontecesse. Então sugiro, assim como quem não quer nada, outros livros dele, como "Complexo de Portnoy", "Operação Shylock"  e o tal "Patrimônio" . Não é pra você comprar nenhum deles. Mas digamos que algum desses títulos caia nas suas mãos. Isso às vezes acontece. Se depois disso você continuar não gostando, aí o caso terá tramitado em julgado e não caberá mais recurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não tô querendo pressionar ninguém. Isso me lembra a história da pamonha, numa das minhas viagens a Minas. O pessoal lá reunido na cozinha pra comer pamonha. Eu não agüento pamonha.&lt;br /&gt;-- Mas come -- um parente insiste.&lt;br /&gt;-- Não gosto -- respondo.&lt;br /&gt;-- Ele nunca comeu -- informa um enxerido.&lt;br /&gt;-- Mas não gosto.&lt;br /&gt;-- Nunca provou e não gosta? Meu filho de 4 anos é que fala isso...&lt;br /&gt;-- Não suporto o cheiro -- esclareço.&lt;br /&gt;-- Cheiro é uma coisa, gosto é outra.&lt;br /&gt;-- Inacreditável. Uma coisa é totalmente dependente da outra.&lt;br /&gt;-- Depende.&lt;br /&gt;-- Depende os tomates!&lt;br /&gt;-- Isso é falta de argumento.&lt;br /&gt;-- Ele cheira tudo antes de comer.&lt;br /&gt;-- Cheiro mesmo. Como vou comer algo se não gosto do cheiro?&lt;br /&gt;-- Ele cheira até livro!!&lt;br /&gt;-- Ele come livro?&lt;br /&gt;-- Goiaba, por exemplo, tem o cheiro mais inebriante que existe, mas o gosto não é lá essas coisas...&lt;br /&gt;-- Pelo amor de Deus, goiaba é muito bom -- eu digo.&lt;br /&gt;-- Quero dizer, o cheiro é muito melhor que o gosto.&lt;br /&gt;-- O gosto é excelente!!  -- insisto&lt;br /&gt;-- Você não pode saber disso. Come goiaba sem caroço!&lt;br /&gt;-- Come goiaba sem caroço, feito nenenzinho? Então você não sente o gosto verdadeiro da goiaba.&lt;br /&gt;-- Inda por cima ele come goiaba branca...&lt;br /&gt;-- Goiaba branca não tem gosto de nada...&lt;br /&gt;-- A vermelha é que é a boa... Essa, sim, tem algum gosto...&lt;br /&gt;-- Não vai provar mesmo a pamonha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu acabei não comendo o diabo da pamonha, mas continuo sem gostar. Cheiro é fundamental. Sou como as cobras: enxergo mal, mas cheiro bem. Minha filha tá indo pelo mesmo caminho. Mas ela exagera: outro dia entrou numa sapataria infantil e cheirou todos os pares em exibição!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-5945480643475130075?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/5945480643475130075/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=5945480643475130075' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/5945480643475130075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/5945480643475130075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2007/03/recado-anna-v-ou-philip-roth-no-pamonha.html' title='Recado à Anna V., ou Philip Roth não é pamonha'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-1797706035620411458</id><published>2007-03-01T20:10:00.000-08:00</published><updated>2007-03-01T20:24:26.789-08:00</updated><title type='text'>Será que sou só eu?</title><content type='html'>Acho que foi Cecília Meirelles quem escreveu que se olhava no espelho, mas não se reconhecia na imagem refletida. Eu não tenho esse problema. Me olho no espelho e me reconheço perfeitamente. Porque o que a imagem me mostra é um velho novo, caminhando pra virar um velho velho. Me reconheço em cada ruga, em cada pelanca, em cada verruga senil. O continente condiz com o conteúdo. Na verdade, acho que o espelho tem sido até muito generoso, porque às vezes me sinto muito mais velho do que o velho que vejo em frente a mim. Talvez por isso eu já não tenha paciência pra muita coisa. Ou talvez eu apenas seja um cara rabugento, ranzinza e de mal com a vida. De qualquer maneira, decidi iniciar uma lista sobre....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;COISAS QUE EU NÃO AGÜENTO MAIS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;. Textos em geral sobre seriados como “Lost” e quejandos. Essas obras são tratadas como se fossem a grande e espetacular novidade do cenário cultural do milênio. Não são novidade desde 1950 e não passam de uma chatice (tirando "Friends", é claro, porque a Jennifer Aniston é uma obra-prima).&lt;br /&gt;. Mulher falando de TPM. Pelo amor de Deus, quem se interessa por isso? E vai dar chilique lá longe...&lt;br /&gt;. Gente que acha indispensável dar sua opinião sobre qualquer assunto e ainda cobra isso de você.&lt;br /&gt;. Gente cheia de certezas.&lt;br /&gt;. A voz do Lula.&lt;br /&gt;. Fazer a barba.&lt;br /&gt;. Cortar o cabelo.&lt;br /&gt;. Comer.&lt;br /&gt;. Dormir.&lt;br /&gt;. Levantar.&lt;br /&gt;. Gente desanimada.&lt;br /&gt;. O argumento de que o crime se combate com escola.&lt;br /&gt;. O argumento de que a pena de morte não é solução, como se a questão em jogo fosse apenas a “solução”, como se a pena por um crime não tivesse, além do objetivo intimidatório, de prevenção, a função de efetivamente punir o responsável pelo delito, conforme a gravidade desse delito.&lt;br /&gt;. A tendência corrente a sempre transferir a culpa do criminoso para uma coisa vaga chamada sociedade.&lt;br /&gt;. O menosprezo pela consciência individual.&lt;br /&gt;. A voz do Lula.&lt;br /&gt;. Pagar IPVA.&lt;br /&gt;. O Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;. Pagode.&lt;br /&gt;. Funk.&lt;br /&gt;. Gente falando mal dos americanos.&lt;br /&gt;. Ter que usar película escura nos vidros dos carros.&lt;br /&gt;. Grades em volta dos prédios&lt;br /&gt;. A voz do Lula.&lt;br /&gt;. Gente que se repete.&lt;br /&gt;. Gente que estigmatiza os outros. Aliás, nunca descobri onde Deus pôs o estigma em Caim. O filme de John Houston coloca o estigma na testa do elemento. A Bíblia, no entanto, é omissa nesse detalhe. Mas pode ser que eu esteja completamente enganado...&lt;br /&gt;. A agenda politicamente correta, com seu trator lingüístico que esmaga o senso comum e modifica artificialmente o significado de palavras e expressões, além da padronização de pensamentos, comportamentos e até leis. Uma lavagem cerebral em escala monumental.&lt;br /&gt;. Samba-enredo.&lt;br /&gt;. Carnaval.&lt;br /&gt;. Trabalhar no carnaval.&lt;br /&gt;. Bloco de rua e as elegias ao “renascimento” do carnaval de rua, sem levar em conta os transtornos imensos causados a milhares de pessoas que não estão interessadas naquele baticum enfadonho.&lt;br /&gt;. Gente que AINDA coloca a culpa de tudo nos 20 anos de ditadura&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Zzz&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;zzzzzz&lt;/span&gt;...&lt;br /&gt;.Velho chato que faz lista.&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;continua)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-1797706035620411458?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/1797706035620411458/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=1797706035620411458' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/1797706035620411458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/1797706035620411458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2007/03/ser-que-sou-s-eu.html' title='Será que sou só eu?'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-9106816777645482277</id><published>2007-02-26T13:53:00.000-08:00</published><updated>2007-02-26T13:55:57.388-08:00</updated><title type='text'>Perda e literatura II</title><content type='html'>Ainda neste quesito, outros dois livros que me vêm à lembrança são "Quase memória", do Cony, "O ano do pensamento mágico", da Joan Didion, e "Patrimônio", do Phillip Roth. Todos muito bons, especialmente o do Roth.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-9106816777645482277?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/9106816777645482277/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=9106816777645482277' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/9106816777645482277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/9106816777645482277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2007/02/perda-e-literatura-ii.html' title='Perda e literatura II'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-7220166666635916169</id><published>2007-02-22T13:34:00.000-08:00</published><updated>2007-02-22T13:54:44.297-08:00</updated><title type='text'>Perda e literatura</title><content type='html'>Retomando os trabalhos, mas não por muito tempo. Só porque me deu vontade de indicar um livro. Contam que um judeu andava meio pra baixo e pediu pro rabino uma palavra de alento. O rabino disse: eu desejo que seu pai morra antes de você e que você morra antes do seu filho. O cara pulou: isso é coisa que se diga? E o rabino: você preferia que fosse ao contrário? Pois no livro "Bruno e os elefantes-marinhos", Luigi del Re conta sua experiência de perder um filho, de 16 anos. É um texto muito bom, enxuto, arejado, cheio de emoção, sem chegar ao melodrama. Não sei como o autor conseguiu esse resultado ao tratar desse pesadelo pra qualquer pai ou mãe, que é sobreviver ao filho. Um grande escritor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-7220166666635916169?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/7220166666635916169/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=7220166666635916169' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/7220166666635916169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/7220166666635916169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2007/02/perda-e-literatura.html' title='Perda e literatura'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-116627888656130986</id><published>2006-12-16T06:16:00.000-08:00</published><updated>2006-12-17T13:16:24.976-08:00</updated><title type='text'>Salada indigesta</title><content type='html'>Na falta de material original, reproduzo esta notícia por sua vez reproduzida no Blogstraquis...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14/12/2006 10:57&lt;br /&gt;EMERGÊNCIA HOSPITALAR &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu no jornal A CIDADE, de Angra dos Reis, edição de 17/11/06:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Metalúrgico é socorrido com pepino naquele lugar. Esposa fica chocada e afirma que o marido não tem história de homossexualismo. Sofrimento da vítima durou 11 horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R., de 49 anos, funcionário do estaleiro Brasfels, onde teria função de chefia, foi atendido de emergência no Pronto Socorro Municipal, às 3h30 da tarde de segunda-feira, dia 13, aos gritos e se contorcendo de dores. Ele estava com um pepino de 25 centímetros de comprimento e 8 de diâmetro enfiado pelo ânus. O vegetal entalou, desceu e foi parar no sigmóide, a curvatura em forma de gancho do intestino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sofrimento do funcionário durou mais de 11 horas, até por volta das 1 Ih da noite, quando foi submetido a delicada operação anal para a retirada do grosso vegetal. Antes de o Raio X revelar o que tinha acontecido, ele era consolado e acariciado pela esposa com muito amor e carinho. Depois, ela ficou chocada, com muita vergonha, e sumiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de desaparecer, a mulher garantiu aos funcionários do Pronto Socorro que o "marido não tinha histórico de homossexualismo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acidente com o pepino aconteceu logo depois do almoço, no banheiro de sua luxuosa casa em Jacuecanga. Ele foi socorrido pela mulher, que correu com o marido para o posto de saúde de Jacuecanga. R. não dizia o que tinha, só contorcia e gritava de dor. Por isso, foi encaminhado em caráter de emergência para o Pronto Socorro Municipal, no centro da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dores fortes e comoção&lt;br /&gt;A chegada de R. ao Pronto Socorro, por volta das 3h30 da tarde de segunda-feira, dia de grande movimento, provocou comoção entre os pacientes, que viam um homem jovem, forte e bonito se contorcer e gritar, pedindo que o socorressem imediatamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante do quadro dramático, o paciente foi rapidamente atendido por médicos e enfermeiras, todos muito preocupados, mesmo porque ele era conhecido de várias pessoas que trabalham no Pronto Socorro. A esposa acompanhava tudo, também chorando, consolando e pedindo paciência ao marido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raio X revela a causa&lt;br /&gt;R., em momento algum, dizia o que tinha acontecido. O médico plantonista pediu o Raio X, que mostrou o pepino, de tamanho avantajado, parado no sigmóide. Foi um momento de suspense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O plantonista achou melhor conversar com outros médicos. Havia um problema bem grave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A retirada do pepino pelo ânus, por onde entrou, poderia provocar a quebra do vegetal. Se isso acontecesse, seria preciso fazer uma laparostomia, abrindo a barriga pela frente para retirar o pepino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de muita hesitação, a esposa de R. foi comunicada da causa das dores do marido e dos procedimentos médicos necessários. A mulher ficou pálida, extremamente chocada, chegou a gritar que o marido "não era veado nem tinha histórico de homossexualismo". Pouco depois, caiu em si, abandonou o marido e sumiu do Pronto Socorro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onze horas de sofrimento&lt;br /&gt;O certo seria retirar o pepino pelo ânus, mas tinha outro problema: R. tinha almoçado por volta das 2 horas da tarde e não poderia tomar anestesia geral antes de passar oito horas. A aplicação da anestesia então ficou marcada para às 10h da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste período, R. recebeu alguns medicamentos contra a dor, mas nenhum tinha efeito efetivo para minorar o sofrimento, já que o pepino provocava fortes contrações no intestino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco depois das 10h da noite, R. foi finalmente levado para a mesa de operação, onde foi preparado para qualquer eventualidade, caso fosse necessária uma laparostomia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio a todas as dores e sofrimento, R. teve uma grande sorte. A anestesia relaxou seu ânus. O cirurgião se animou, colocou as longas luvas nas mãos, respirou fundo e enfiou a direita pelo ânus, que foi bem dilatado, até atingir o sigmóide.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conseguiu segurar o pepino com firmeza, mas sem apertar, e começou a puxar para fora, devagar e com muito cuidado. Essa operação durou uns dez minutos, mas finalmente o pepino saiu intacto, sem deixar seqüelas no intestino, mas o ânus ficou prejudicado pela grande dilatação que sofreu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Momento de fraqueza &lt;br /&gt;No dia seguinte, já a tardinha, R. recebeu alta, receita com medicamentos e pomadas para passar no ânus. Não parecia estar envergonhado. Perguntou pela esposa, que não apareceu mais no Pronto Socorro, e deixou bem claro, antes de deixar a enfermaria, falando com voz grave e enérgica. "Não sou veado. O que aconteceu, foi um momento de fraqueza", afirmou R.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moacir Japiassu | comentários(0)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-116627888656130986?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/116627888656130986/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=116627888656130986' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/116627888656130986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/116627888656130986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2006/12/salada-indigesta.html' title='Salada indigesta'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-116493737346566673</id><published>2006-11-30T17:40:00.000-08:00</published><updated>2006-11-30T17:42:53.493-08:00</updated><title type='text'>Imprevidências</title><content type='html'>Se todas as previsões que não se cumpriram se dessem as mãos (se tivessem mãos, claro, a imagem é ruim), daria pra dar a volta ao mundo sei lá quantas vezes, não dá pra prever. Por artes do imponderável, numa época trabalhei como ghost writer. Organizava e desenvolvia em texto idéias, ou algo parecido com isso, de empresários, executivos e políticos, entre outros, todos querendo conquistar mentes e corações, quem sabe deixar sua marca no mundo. Um dos trabalhos encomendados foi tratado pomposamente como ensaio e profetizava o fim do uso do papel. Isso tem uns dez anos. Acho que pelo menos uns dez anos antes, o Nicholas Negroponte, guru do MIT, já dizia algo parecido no "Being digital". Passado tanto tempo, acho que nunca se gastou tanto papel no mundo. Outra. Acabei de ler uma previsão aterradora: a China vai dominar o planeta, todo mundo tem que aprender chinês, se não quiser se tragado pela grande onda vermelha. Minha esperança é de que essa previsão seja tão acurada quanto a que ouvi uns 20 anos atrás, de que o Japão ia dominar o planeta, todo mundo tinha que aprender japonês se quisesse ser um profissional competitivo. Voltando ainda mais no tempo, parece que o saxofonista Paul Desmond, ao conhecer o pianista Dave Brubeck, pediu a ele que tocasse um sol maior, mas o cara fez uma coisa completamente diferente. Desmond pensou: isso não vai dar certo... Mas a parceria dos dois num grupo fez grande sucesso, não só nos EUA como pelo mundo afora. Tem muitos outros exemplos que eu gostaria de dar, mas devia ter anotado porque esqueci completamente...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-116493737346566673?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/116493737346566673/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=116493737346566673' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/116493737346566673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/116493737346566673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2006/11/imprevidncias.html' title='Imprevidências'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-116431353065031557</id><published>2006-11-23T11:14:00.000-08:00</published><updated>2006-11-23T17:29:48.163-08:00</updated><title type='text'>Palavras, palavras, palavras...</title><content type='html'>Há livros que dão uma espécie de ressaca. Você fica um tempo meio de bode, sem querer ler mais nada. A comparação com a ressaca pode não ser muito apropriada, mas isso é desculpável porque, abstêmio convicto, nunca experimentei uma. É claro que, dobrado o Cabo da Boa Esperança, cada vez acontece menos de um livro me tocar desse jeito. Nos últimos anos, aconteceu pouco. Lembro os livros do Michel Houellebecq, por exemplo. Gostei de todos, mas principalmente de "Partículas elementares". É tristíssimo. Por algum motivo, me remete ao filme "A.I.", que adoro. Há pouco tempo, comprei o novo Houellebecq, "A possibilidade de uma ilha", mas tive que parar, porque não estava me sentindo bem. Ele retoma o tema da extinção da humanidade e eu não andava numa época boa pra ficar lendo sobre isso. Outro que me deu uma ressaca dos diabos foi "No fundo de um sonho", biografia do Chet Baker escrita pelo James Gavin. Isso, apesar de eu achar que o autor não nutre a menor simpatia pelo Chet. Ele recorre a uns psicologismos bobos pra explicar a macheza do cara. E não perde a chance de criticar o músico, às vezes por coisas sem importância nenhuma (como ao dizer que o Chet, quando estava tocando muito mal, ficava olhando pro trompete, como se o instrumento tivesse culpa de algo. isso é a coisa mais comum do mundo entre trompetistas. é como o tenista que, quando erra um golpe, olha pra raquete). De qualquer maneira, o livro é muito bom. Mas, por carregar nas tintas, ou ser muito realista, ou naturalista, sei lá, pode ser um tanto devastador prum fã do cara. A gente chega ao fim do texto e tem a sensação de que nunca vai conseguir ler mais nada. Fica empanzinado de emoção; como num rodízio, vira a plaquinha vermelha e avisa: parei. Pra quem está mais interessado na música do sujeito do que nas suas podreiras, melhor é o "Chet Baker: his life and music", do holandês Jeroen De Valk. Além de uma discografia muito boa, o livro traz um adicional precioso: uma entrevista com o Chet Baker, que morou um bom tempo na Holanda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-116431353065031557?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/116431353065031557/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=116431353065031557' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/116431353065031557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/116431353065031557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2006/11/palavras-palavras-palavras.html' title='Palavras, palavras, palavras...'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-116330894982890671</id><published>2006-11-11T20:47:00.000-08:00</published><updated>2006-11-15T12:39:11.106-08:00</updated><title type='text'>A saga de Elieó-Enai continua/ O Diário íntimo de um mago (parte II)</title><content type='html'>&lt;em&gt;(No último capítulo, Elieó-Enai, em busca do cajado sagrado para ser admitido na irmandade de Tobit de Naftali, é preso ao entrar ilegalmente na Espanha, viajando no compartimento do trem de pouso do avião. Com o frio, perdeu um pé e uma orelha. Por isso, era mantido em custódia num hospital.)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;10 - A orelha&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Dias depois me levaram à presença de um oficial bigodudo. Ele era responsável pelo setor de custódia do hospital e chamou alguém pelo telefone sobre a mesa. Então entrou na sala um outro bigodudo uniformizado e colocou no meu colo uma caixa de isopor.&lt;br /&gt;- Quer dar uma olhada, maricón?&lt;br /&gt;Meus olhos se encheram de lágrimas ao abrir a caixa. Como evitar a&lt;br /&gt;emoção ao rever alguém com quem se viveu por 25 anos? Ali estava a minha orelha direita, que o frio no avião fizera despencar.&lt;br /&gt;- Você sabe - disse o segundo oficial, que era da Imigração - o seu pé&lt;br /&gt;era um caso perdido, necrosado, uma pústula só. Mas essa orelha,&lt;br /&gt;hombre, está nova em folha, é orelha de recém-nascido.&lt;br /&gt;No meio de cubos de gelo, ela de fato não aparentava a idade que&lt;br /&gt;tinha. O oficial se sentou na mesa e continuou:&lt;br /&gt;- Em resumo, o transplante é possível. Mas a pergunta é: o que você&lt;br /&gt;tem para nos oferecer?&lt;br /&gt;O oficial queria nomes. Segundo ele, havia uma rede de importação de&lt;br /&gt;travestis do Brasil, que transportava as loucas para a Espanha do&lt;br /&gt;mesmo modo que eu chegara ao país. Eu não sabia nada daquilo. O bigodudo ficou possesso e me cobriu de pancada. Aí mandou o oficial da custódia deixar a sala e trancou a porta. Pegou álcool e despejou sobre a orelha. Depois acendeu o isqueiro:&lt;br /&gt;- Maricón, pelo amor de sua orelha, alguma coisa você vai ter que me&lt;br /&gt;dar.&lt;br /&gt;Aquela mão cabeluda tremia ao baixar o zíper da calça cáqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;11 - A dúvida&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;As coisas que um discípulo de Tobit não faz na busca de seu cajado.&lt;br /&gt;Meu temor era o seguinte: aquilo vicia? Ofendido e sem dinheiro - o&lt;br /&gt;oficial da Imigração me roubara tudo - deixei o hospital. No passaporte, o carimbo da Alfândega. No lado direito da cabeça, a orelha transplantada ainda coberta por esparadrapo. Sob a axila esquerda, a muleta doada pelos médicos espanhóis. Manquejando pela Gran Vía, famosa avenida de Madri, meu destino era o consulado da França. Ia tirar o visto para poder, finalmente, iniciar minha peregrinação em Saint Jean Pied-de-Port.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;12 - O reflexo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Andei 52 quarteirões na fria manhã de Madri até chegar ao consulado francês. Com o sovaco em carne viva, estendi meu passaporte ao funcionário e ele me estendeu a mão:&lt;br /&gt;- São tantos francos, monsieur.&lt;br /&gt;Caí das nuvens. Estava crente que o visto sairia de graça. Era o que tinha me dito o moço da agência de turismo:&lt;br /&gt;- Besteira. Se você tirar o visto aqui no Brasil, vai pagar uma nota.&lt;br /&gt;Deixa para tirar em Madri - ele aconselhara.&lt;br /&gt;Baqueei diante de mais uma vicissitude. Peguei de volta o passaporte e pedi para ir ao banheiro. Lá dentro, olhei a cara infeliz no espelho e tive a idéia de rever a minha orelha direita. Tirei o esparadrapo e levei um choque: tinham implantado em mim uma outra orelha esquerda. Para que ela não ficasse de cabeça para baixo, os médicos a costuraram voltada para trás. Além disso, era preta e eu sou branco. Imaginei que, em algum lugar de Madri, um negro circulava com a minha orelha direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;13 - A fome&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Vagando pelas majestosas avenidas de Madri, eu tinha visões místicas.Parava em frente a braseiros, ficava olhando os galetos em espetos,rodando. Logo havia anjos de carne bronzeada voando à minha volta. Além da fome, o frio continuava me atormentando. Meus lábios estavam rachados e as orelhas ardiam com o vento cortante. Eu entrava nas lojas só para me aquecer. Numa delas, um magazine imenso, de não&lt;br /&gt;sei quantos andares, uma estranha força me atraiu para o banheiro. Na porta de uma cabine fechada, vi um casaco pendurado. Desonerei a bexiga, puxei o casaco e saí capengando o mais rápido que pude.&lt;br /&gt;- Pega ladrão! -- O sujeito começou a gritar, mas devia estar num momento crítico da função, porque não saiu logo da cabine.&lt;br /&gt;Tive bastante tempo e as pessoas ainda me davam passagem ao verem a muleta. Peguei a escada rolante e, do andar de baixo, vi meu benfeitor de olhos esbugalhados, segurando as calças e praguejando pelo setor de lingerie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;14 - A explosão&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Eu admirava com fervor religioso a vitrine de uma peixaria na Calle de Alcalá. Um segundo depois, estava na calçada do outro lado da rua,com três braços. Só então ouvi o estrondo. Um ônibus fora para os ares bem ali em frente. Dedos enfeitavam a fachada dos prédios, tufos de cabelo ardiam como tochas, pessoas sem cabeça corriam desnorteadas, cabeças sem corpo berravam por socorro. Uma mulher veio na minha direção chorando. No lugar do braço esquerdo, um esguicho de sangue. Era a dona do braço que fora arremessado para cima de mim na hora da explosão.&lt;br /&gt;- Me ajude, pelo amor de Deus!&lt;br /&gt;Estendi-lhe o braço (o dela), mas a mulher se jogou sobre o meu corpo, ofegante, gemendo. Usava uma minissaia negra, suas coxas grossas reluziam com a meia preta. Experimentei uma perturbação dos sentidos. Então a rua se encheu de sirenes, uniformes, cordões de isolamento. Um médico me arrancou dos braços a mulher e eu, cheio de dores, peguei a muleta e deixei o cenário do atentado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;15 - O sinal&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Jamais pensei em desistir da busca pelo cajado. Mas começava a me perguntar se estaria no caminho certo. Já estava até lamentando ter me desfeito do braço daquela mulher. Poderia dar um bom assado. Então uma voz me soprou:&lt;br /&gt;- A bolsa.&lt;br /&gt;Só nesse momento percebi que segurava a bolsa da mulher que me pedira socorro. Dentro dela, um punhado de pesetas [&lt;em&gt;N.E.: a história se passa antes da unificação monetária da Europa&lt;/em&gt;]. Me ajoelhei na calçada, em transe místico, e&lt;br /&gt;comecei a chorar. Eu recebera um sinal de que estava no caminho certo.&lt;br /&gt;A glutonaria é condenada pela Bíblia. Até ser amigo de um comilão infringe os preceitos bíblicos. “Aquele que mantém companheirismo com os glutões humilha seu pai”, está escrito. Pela Lei, os pais de um filho glutão eram obrigados a conduzi-lo até os anciões da aldeia, que providenciariam a sua execução por apedrejamento. Nada disso tirou meu apetite. Entrei num restaurante e devorei cinco pratos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(continua...)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-116330894982890671?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/116330894982890671/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=116330894982890671' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/116330894982890671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/116330894982890671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2006/11/saga-de-elie-enai-continua-o-dirio.html' title='A saga de Elieó-Enai continua/ O Diário íntimo de um mago (parte II)'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-116330659415054179</id><published>2006-11-11T20:27:00.000-08:00</published><updated>2006-11-11T20:43:14.173-08:00</updated><title type='text'>A mulher renascentista</title><content type='html'>Essa eu nunca tinha ouvido falar. A autora, que infelizmente esqueci quem é, arremete contra a beleza magra e exalta o que ela chama de mulher renascentista. E ainda diz que homem que é homem tem que ter mais de 80kg.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-116330659415054179?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/116330659415054179/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=116330659415054179' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/116330659415054179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/116330659415054179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2006/11/mulher-renascentista.html' title='A mulher renascentista'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-116312552779779844</id><published>2006-11-09T18:02:00.000-08:00</published><updated>2006-11-10T20:41:08.866-08:00</updated><title type='text'>A curiosidade é um anjo imprudente / O abismo é a recompensa dos crédulos</title><content type='html'>Num momento de disfunção erétil da alma, resolvi organizar as memórias de Elieó-Enai, místico intimorato, plagiário e sacripanta amador. Assim nasceu o "Diário íntimo de um mago", com tudo que o outro não contou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;1 - A iniciação&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O Morro do Borel, na Tijuca, Zona Norte do Rio, é uma bola de fogo.&lt;br /&gt;Um sujeito me põe a mão no ombro e propõe:&lt;br /&gt;- Vamos até o alto. Depois a gente desce pelo Andaraí.&lt;br /&gt;Um outro atalha:&lt;br /&gt;- Segura a onda aí, ô bundão. Quer levar um pipoco?&lt;br /&gt;As estrelas descem para a fogueira. Depois sobem em rajadas&lt;br /&gt;brilhantes. A noite tem risos dementes. Véio Birruga coça a&lt;br /&gt;excrescência na ponta do nariz e me estende um pedaço de pau:&lt;br /&gt;- Busca o teu cajado!&lt;br /&gt;Cambaleio para junto de Véio Birruga e tento pegar o porrete, mas um&lt;br /&gt;desdentado me joga por terra com uma coronhada:&lt;br /&gt;- Imbecil! - berra o bruxo de nariz proeminente. - Queres ser um Tobit?&lt;br /&gt;Um Tobit de Naftali? Responde, verme!&lt;br /&gt;Levanto a cara suja de lama e digo que sim. Véio Birruga me fulmina&lt;br /&gt;com seu olhar de desprezo:&lt;br /&gt;- Então busca teu próprio cajado. A irmandade espera teu sacrifício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;2 - A resposta&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Deixei o Borel humilhado e atônito. Eliana, que me levara ao ritual de&lt;br /&gt;iniciação dos magos, tentava me consolar. Imaginei-a nua. Uma dúvida&lt;br /&gt;persistia:&lt;br /&gt;- Onde eu encontro o meu cajado?&lt;br /&gt;A boca carnuda de Eliana me iluminou:&lt;br /&gt;- A resposta está no Caminho de Santiago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;3 - O problema&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Dinheiro para a viagem em busca do cajado. Raspei a caderneta&lt;br /&gt;de poupança, xinguei a mãe do patrão para ser mandado embora e&lt;br /&gt;pegar o Fundo de Garantia. Ainda faltava muito. Minhas preocupações&lt;br /&gt;aumentaram quando Eliana telefonou:&lt;br /&gt;- A França cobra o visto.&lt;br /&gt;Em meio a profundo abatimento, peguei a coleção de selos raros do&lt;br /&gt;meu pai para me distrair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;4 - A solução&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Um anúncio no jornal e lá se foi para outras mãos a coleção do meu&lt;br /&gt;pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;5 - O rompimento&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Nunca pensei que uma passagem de avião custasse tão caro. Foi o que&lt;br /&gt;eu disse ao moço da agência de turismo. Ele me chamou para um&lt;br /&gt;cafezinho no botequim em frente:&lt;br /&gt;- Você liga para conforto?&lt;br /&gt;Respondi que não, só me importava a busca do cajado. Ele olhou para&lt;br /&gt;os lados, conspirativo:&lt;br /&gt;- Dá-se um jeito.&lt;br /&gt;Foi uma semana de intensa preparação. Passei na casa de Eliana. Foi&lt;br /&gt;um rompante, uma idéia besta. Ela atendeu a porta metida num roupão,&lt;br /&gt;os cabelos molhados. Cinco sílabas para a mulher recém-saída do&lt;br /&gt;banho: ir-re-sis-tí-vel. Combinamos que mandaria notícias para o Brasil através de Eliana e vice-versa. Na hora da despedida, me descontrolei&lt;br /&gt;e pus a mão num dos seios que estufavam o roupão. Um só, mas ela&lt;br /&gt;reagiu como se eu tivesse patolado os dois:&lt;br /&gt;- Sai daqui, seu escroto!&lt;br /&gt;Deixei o apartamento indignado. Uma amizade rompida por causa de&lt;br /&gt;uma convenção. Que crime é esse de se pôr a mão num único seio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;6 - O embarque&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O funcionário da companhia aérea me esperava do lado de fora do&lt;br /&gt;Aeroporto Internacional, na Ilha do Governador. Paguei US$ 200 e ele&lt;br /&gt;me levou até um galpão. De lá, entramos num matagal e caminhamos&lt;br /&gt;uns dez minutos até uma cerca alta, com arame farpado, de onde se&lt;br /&gt;viam os aviões.&lt;br /&gt;- Está vendo aquele, com a faixa vermelha? É o seu. Corre até lá que o&lt;br /&gt;meu chapa vai lhe dar as instruções.&lt;br /&gt;Passei por um buraco na cerca e pus sebo nas canelas. Foi então que&lt;br /&gt;gritaram:&lt;br /&gt;- Alto lá!&lt;br /&gt;Era uma sentinela. Eu estava cismado com aquela guarita, mas o funcionário&lt;br /&gt;da companhia me garantira que ninguém estava de guarda. Meu&lt;br /&gt;coração gelou. A pista ainda estava longe, começou a doer embaixo da&lt;br /&gt;costela.&lt;br /&gt;- Pára senão eu atiro!&lt;br /&gt;As balas zuniam por todos os lados. Continuei a correr, meio palmo de&lt;br /&gt;língua para fora, a mochila fazendo a corcunda latejar. Logo sirenes&lt;br /&gt;ecoaram. Alcancei o avião e um sujeito de macacão me puxou para trás&lt;br /&gt;de um monte de malas:&lt;br /&gt;- Que merda, seu! Trepa logo!&lt;br /&gt;Escalei a roda do avião e entrei no compartimento do trem de aterrissagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;7 - O vôo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O pior ficou para trás. Foi o que pensei depois que o Boeing decolou. À medida que o aparelho se inclinava, eu era puxado cada vez mais perigosamente para a abertura do trem de aterrissagem. Quando meus pés já balançavam no ar, as rodas se recolheram e as portas fecharam. Então pensei: o pior ficou para trás.&lt;br /&gt;Mas a ignorância é inimiga do sucesso e eu não tinha idéia do frio que ia enfrentar. Revirei a mochila, mas era inútil: para as baixas temperaturas, eu só levara a minha surrada jaqueta jeans, agora com um furo de bala. Vesti dez camisetas, cinco pares de meias e duas calças. Depois me encolhi à maneira dos fetos:&lt;br /&gt;- Que venha o frio! - berrei, mas não me ouvi, por causa do barulho&lt;br /&gt;que fazia lá dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;8 - A chegada&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O avião já estava no aeroporto de Madri há uns dez minutos, mas eu&lt;br /&gt;permanecia imóvel. Meu corpo enrijecido não obedecia ao cérebro.&lt;br /&gt;Para tentar vencer o torpor, comecei a gemer, mas até isso era difícil.&lt;br /&gt;Parecia que a minha cara tinha sido plastificada. Continuei a gemer,&lt;br /&gt;balir, zurrar, grunhir. Então apareceu a cabeça dum bigodudo:&lt;br /&gt;- Hombre, mas que porra é essa?&lt;br /&gt;Vieram outros bigodudos. Metiam a cabeça e soltavam exclamações. E&lt;br /&gt;eu paralisado. Um deles então me puxou. Enquanto me desciam&lt;br /&gt;para colocar num carro cheio de malas, vi ficar para trás uma orelha. Logo depois um pé, com o mesmo tênis que eu usava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;9 - A enfermaria&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Acordei na maca de um hospital, algemado. Usava uma bata ridícula&lt;br /&gt;sobre o corpo nu. A roupa era curta e deixava ao léu a genitália. Ergui&lt;br /&gt;com dificuldade a cabeça e constatei a desgraça: no lugar do pé esquerdo,&lt;br /&gt;apenas um cotoco enfaixado. Já estava me conformando, quando&lt;br /&gt;me lembrei da orelha no chão do avião. Quis chorar, mas uma dúvida&lt;br /&gt;me atormentou: era a orelha esquerda ou a direita?&lt;br /&gt;Uma enfermeira se debruçou sobre a maca para me tomar a temperatura.&lt;br /&gt;Seus peitos estupendos me roçaram a barriga e acenderam o baixo-ventre:&lt;br /&gt;- Sexo - implorei, como o sedento no deserto suplica por água. - Sexo.&lt;br /&gt;Ela ignorou o apelo e partiu pisando forte. Com a humilhação que só os aleijados conhecem e a mão que não estava algemada, entreguei-me a um penoso exercício de auto-erotismo.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(continua...)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-116312552779779844?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/116312552779779844/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=116312552779779844' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/116312552779779844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/116312552779779844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2006/11/curiosidade-um-anjo-imprudente-o_09.html' title='A curiosidade é um anjo imprudente / O abismo é a recompensa dos crédulos'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-116235435859408723</id><published>2006-10-31T20:12:00.000-08:00</published><updated>2006-10-31T20:17:20.376-08:00</updated><title type='text'>Isquindô II</title><content type='html'>&lt;a href='http://photos1.blogger.com/hello/152/10559/640/Imagem%20754.0.jpg'&gt;&lt;img border='0' style='border:1px solid #000000; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/hello/152/10559/320/Imagem%20754.0.jpg'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;II&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-116235435859408723?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/116235435859408723/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=116235435859408723' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/116235435859408723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/116235435859408723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2006/10/isquind-ii_31.html' title='Isquindô II'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-116233444685681064</id><published>2006-10-31T14:40:00.000-08:00</published><updated>2006-10-31T14:40:46.890-08:00</updated><title type='text'>Isquindô</title><content type='html'>Como antecipado a Carrie, A Estranha, comunico, a quem interessar possa, por meio deste instrumento de divulgação pública, nos termos da lei, que está fundado o Bloco dos Macambúzios e Sorumbáticos. Trata-se de uma entidade sem fins lucrativos, aberta a brasileiros natos e a estrangeiros estabelecidos aqui e que já estejam arrependidos. Nosso grito de carnaval, que poder ser dado a qualquer momento ou lugar, inclui uma série de opções, como "De novo, não!", "Abre o gás!", "Tira o tubo!" e "Quem pegou meu passaporte?!". Fantasias de palhaço, por óbvias, estão proibidas. Também não toleramos drogas de qualquer espécie; entorpecentes, por atenuarem angústias e outros tormentos; excitantes, por levarem o infeliz a se sentir numa agradável realidade inexistente. Todos os integrantes do bloco devem ter a face da desesperança, o ríctus da amargura, o olhar perdido no vazio; o andar deve ser vacilante, temeroso, de quem caminha à beira do abismo; a voz deve ser a da mais profunda aflição, a do órfão perdido no deserto, a do náufrago que vê o tsunami se aproximar da pequena ilha aonde foi lançado pelo fado adverso. Sonhos não devem ser nada menos que pesadelos. Nosso samba-enredo terá como inspiração a "Marcha fúnebre", de Chopin, e o grito de guerra do nosso puxador será na verdade um apelo desesperado: "Silêncio nos escombros!"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-116233444685681064?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/116233444685681064/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=116233444685681064' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/116233444685681064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/116233444685681064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2006/10/isquind.html' title='Isquindô'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-116144314370318302</id><published>2006-10-21T08:01:00.000-07:00</published><updated>2006-10-23T04:01:28.910-07:00</updated><title type='text'>Mi Buenos Aires Querido, digo yo</title><content type='html'>Vejo no blog da Anna V. (http://terapiazero.blogspot.com/) posts sobre Buenos Aires e sinto vontade de voltar a pôr os pés e o resto do corpo por lá. Ela cita as muitas livrarias e os cafés, onde a gente pode ficar lendo até a  Encyclopedia Britannica sem ser aporrinhado pelo garçom. Eram duas coisas que me fascinavam quando eu ia pra lá nos anos 90. Eu costumava tirar férias em abril, casando com o período de uma feira internacional de livro realizada na cidade. Fora isso, comprava nos sebos que se encontram por todos os lados, sempre com coisa boa. Não freqüentava restaurantes nem casas de tango. O dinheiro, contado, ia pra outras coisas. Ficava hospedado em pardieiros repulsivos, comprava cigarrilhas cubanas da marca Sancho Panza, saborosíssimas, caminhava o dia inteiro, jogava videogames nos enormes fliperamas da Calle Florida, ia ao cinema toda noite, na última sessão, e voltava despreocupado pelas ruas de madrugada. É uma ótima cidade pra turismo solitário. Quer dizer, na minha opinião, qualquer cidade pode ser ótima pro turismo solitário, mas vamos considerar da outra forma, pra atender ao senso comum. Buenos Aires, pelo menos naquela época, tinha um pouco daquele clima de cidades espanholas como Barcelona, em que as pessoas ficam nas ruas até altas horas, às vezes famílias inteiras. De repente, você entra numa ruazinha secundária, escura, e uma mulher está caminhando sozinha, sem demonstrar o menor sinal de alarme ao ouvir passos atrás de si. Escolado pela vida neurótica do Rio, muitas vezes fiquei admirado observando esse fenômeno. Então era assim que se vivia no Rio no tempo em que era bom viver na Cidade Marabichada... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa sensação de algo perdido no tempo eu tive desde que pisei em BA pela primeira vez. Cerca de dois anos antes, eu estava sobrevoando o Rio, na volta de um exílio de araque, quando observei: a Terra é azul e o Rio é marrom. O avião se inclinava pra cá e prá lá nas manobras pra aterrissagem no Tom Jobim e, do lado de fora da janelinha, a paisagem estava toda borrada de lama. Fora um mês de chuvas torrenciais, muitas enchentes. Os abraços dos parentes no aeroporto, o calor sufocante, e chega de frase sem verbo. Estranhei o sotaque carioca, achei desagradável. Fomos a um mercado na Barra e uma madame fez uma grosseria absolutamente injustificada com o meu pai. Uma vaca típica. Ao reencontrar minha irmã, ela parecia um esqueleto. Emagrecera porque tinha pedra na vesícula e, até que os médicos descobrisse e a operassem, fizeram os mais disparatados diagnósticos, incluindo câncer. Um dos médicos, conhecido da família, já sem saber o que fazer, recomendou à minha irmã que fosse à igreja que ele freqüentava e pusesse tudo nas mãos daquele que, num dia longínquo, soprou a vida na narina de um boneco de barro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em pouco tempo, a cidade piorara bastante. A favelização se acelerara, a camelotagem também. O número de prédios cercados por grades se multiplicara, criando a sensação de que as ruas eram corredores poloneses. A criminalidade ocupara ainda mais espaços. Numa estação ferroviária, enquanto eu esperava o parador pra Deodoro, dois bandidos ao meu lado falavam abertamento sobre o tráfico. Em Copacabana, fui assaltado com a Conselheira ao caminhar pela passagem de pedestres do Túnel Novo. Busquei ajuda da polícia e o fulano da cabine disse que nada podia fazer, porque estava fora da sua jurisdição. Um outro PM disse que aquilo não tinha nada a ver e caminhou com a gente de volta pelo túnel. Deu umas duras nuns elementos suspeitos. Na família, houve quem nos culpasse por termos sido assaltados: "Também, caminhar ali, é pedir pra acontecer". Aquela lógica de Beirute (tô com preguiça de explicar. ver Thomas Friedman, "De Beirute a Jerusalém"). Passado um tempo, voltando pra casa do trabalho, fui assaltado na Central. Os bandidos, um bando de pivetes, que já começavam a virar categoria profissional, discutiram entre eles ao atacar outras vítimas no ponto de ônibus. "Peraí, a gente combinou que o paraíba era meu", reclamou um dos ladrões, disputando o relógio do infeliz. O chefe da gangue, um galalau do tamanho do Shaquille O'Neal, me revistou, dizendo que ia me matar porque suspeitava que eu era detetive-inspetor da 6a. DP. Quando foram embora, uma das ladras deu meia-volta e veio em minha direção. Rindo, me estendeu um livro, que estava na sacola que eles haviam roubado de mim. "Pode ficar que a gente não quer o livro, não". Peguei de volta. Era "Essa maldita farinha", de Rubens Figueiredo. Tive dificuldade pra voltar a ler o livro. Poucos dias depois, reencontrei, ou achei ter reencontrado, o bandido que chefiara o ataque. Ele estava com uma banca de venda de amendoins no Centro. Pensei em matar o meliante, mas não sabia como. Depois pensei em contratar alguém pra dar cabo dele, mas também não sabia como. Por fim, pensei em dar um chute na banca dele e sair correndo. Mas acabei deixando a vingança pra lá. Em outra noite, debaixo de minha janela, bandidos discutiram e um dos traficantes disse que era, antes de tudo, um profissional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi depois desse período que visitei pela primeira vez Buenos Aires. O que só fez intensificar minha fascinação pela cidade. Mas, se você não está interessado na guerra, ela está interessada em você. Numa das madrugadas por lá, ao passar por uma banca de jornais, deparei com O GLOBO. Na primeira página, a deprimente cena de um arrastão numa praia carioca. Onde era a fila do pedido de asilo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-116144314370318302?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/116144314370318302/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=116144314370318302' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/116144314370318302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/116144314370318302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2006/10/mi-buenos-aires-querido-digo-yo.html' title='Mi Buenos Aires Querido, digo yo'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-116143562343262306</id><published>2006-10-21T05:56:00.000-07:00</published><updated>2006-10-21T06:00:23.450-07:00</updated><title type='text'>Getting personal</title><content type='html'>Esse negócio de blog pode dar muito trabalho. Deixei temporariamente de lado as fotos e os desenhos, por falta de tempo, disposição e porque cada tentativa de upload é uma via-crúcis. Só dá certo, se é que dá, lá pela décima vez. Trabalho mal remunerado já é uma porcaria; de graça então deve ser até pecado mortal. Só escrever é menos penoso. E sempre dá pra se inspirar nas idéias dos outros. Um colega insiste que tenho que ser mais pessoal. Ele me passou uma lista de itens que parecem ser essenciais ao funcionamento de um blog que honre seu nome. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) Línguas: como no amor, é preciso que haja pelo menos duas pro negócio ser interessante. Monoglota de pai e mãe, comprei um dicionário inglês/português/inglês da Melhoramentos e tenho estudado quatro páginas por dia.&lt;br /&gt;2) Dúvidas profissionais: não há dúvida alguma, fiz a escolha errada mesmo. &lt;br /&gt;3) Excesso de peso: não é bem o meu caso. A moça do coco vive me pedindo: "Deixa eu abrir o coco pra você comer a polpa. Você tá tão magrinho..." Minha mãe acha que eu ando passando fome e deu uma prensa na minha mulher. No trabalho, me inscreveram na Ação da Cidadania, não como contribuinte, mas como beneficiário das cestas básicas. Tudo exagero.&lt;br /&gt;4) Vícios: Outro dia uma colega me confessou, entre culpada e em júbilo: "Sou chocólatra". Que diabo é isso? Se alguém fundasse a seita os Adoradores do Sonho de Valsa ganharia uma nota. Informei à distinta que não como chocolate há uns 20 anos. "Como você consegue?" Cada uma... Chocolate é muito bom. Mas eu era adolescente ainda quando comecei a ter umas enxaquecas esquisitas (na época eu não sabia o nome). O infeliz acometido fica temporariamente deficiente -- o campo visual se restringe a um ponto mínimo e tudo em volta começa a vibrar. Depois vem a dor propriamente dita, que se espalha por todo o corpo. Meu pai me levou a alguns médicos. Um deles, um endocrinologista, pediu pra ficar sozinho comigo. "Seu pai é um homem muito dominador, não?", ele me perguntou, na verdade afirmando. Já humilhado por estar no médico, meio pelado, sentado na maca, inferiorizado, me senti uma porcaria ainda maior. Muito ignorante, eu não conhecia aquele tipo de linguajar psi. Balbuciei qualquer resposta e ele voltou à carga. "Como anda a sua vida sexual?" Mas de qual cabeça estamos falando? Saí de lá querendo me enforcar no cinto, por ter um pai dominador e não molhar o brioche na chávena de chá pelo menos três vezes por semana. Sorte que eu nunca usei cinto. Como nenhum médico chegou a qualquer conclusão, mesmo depois de vários exames, decidi ao longo dos anos estudar o assunto sozinho. Descobri que desde o antigo Egito pelo menos já havia gente que sofria de enxaqueca, inclusive com os mesmos sintomas. Quem diria que os antigos egípcios não conseguiam dar suas bimbadas com regularidade! Comecei a observar minha alimentação e constatei que os ataques ocorriam, de um modo geral, após eu comer chocolate. Consultando a literatura, vi que fazia sentido. Abandonei o chocolate e a freqüência dos ataques caiu a quase zero. Além disso, as enxaquecas ficaram muito mais brandas. A conclusão a que cheguei é que não é apenas o chocolate que causa o problema, mas sem dúvida tem uma participação importante no negócio.&lt;br /&gt;5) Dores de amores: isso é muito pessoal...&lt;br /&gt;6) Literatura: acho que chega. o resto da lista fica pra depois.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-116143562343262306?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/116143562343262306/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=116143562343262306' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/116143562343262306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/116143562343262306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2006/10/getting-personal.html' title='Getting personal'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-115924088357211245</id><published>2006-09-25T20:14:00.000-07:00</published><updated>2006-09-25T20:21:23.583-07:00</updated><title type='text'>Traumas em catadupas</title><content type='html'>No ótimo blog "Autobiografia não autorizada", a autora conta dos apelidos que lhe eram pespegados pelos cruéis colegas de escola. Ela relata, imagino que de forma bastante expressionista, que lá havia uma verdadeira legião de enjeitados, entre os quais ela própria, que eram tratados como criaturas de um circo de horrores. Como me disseram que preciso ser mais pessoal no que escrevo ("Mas isso não é coisa de mulher?", retruquei), aqui vai: um dos meus apelidos na escola era Morte Lenta. Isso porque eu tive na época pneumonia e, se já era branco-galego, fiquei com um aspecto ainda mais macilento. Mas não posso dizer que isso tenha me causado qualquer trauma. Eu só tenho trauma de bandido. Outro dia implicaram comigo por causa disso. "Todo o mundo tem trauma de infância", pontificou uma dessas criaturas que fazem análise há 50 anos e ainda não tiveram alta. Vasculhei minha mente doentia e já cansada em busca de algo, mas não encontrei. Não tenho profundidade psicológica, argumentei. Minha alma é rasa como um pires. "Você recalcou", rebateu a psi-criatura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-115924088357211245?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/115924088357211245/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=115924088357211245' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/115924088357211245'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/115924088357211245'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2006/09/traumas-em-catadupas.html' title='Traumas em catadupas'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-115889598093507137</id><published>2006-09-21T20:32:00.000-07:00</published><updated>2006-10-22T15:39:23.546-07:00</updated><title type='text'>Pai velho</title><content type='html'>Pai velho é uma expressão preconceituosa. Designa aquele pai entrado em anos que é preocupado em excesso com seus filhos, um exagerado, alguém que chega às raias da paranóia e quiçá da psicose. Eu sou um pai velho, cronologicamente falando, mas refuto o estereótipo. Sou apenas cuidadoso, o que é muito diferente. Por exemplo: uma vez, no Parque Lage, com minha mania de mexer com bicho, fiz carinho num dos gatos vira-latas de lá. Na verdade uma gata, linda, rajada, que estava grávida. Minha filha foi fazer o mesmo e levou uma dentada daquele bicho nojento. Peguei a Herdeira e corri com ela no colo para o banheiro mais próximo, gritando para saírem da frente que era uma emergência. No casarão da Escola de Artes Visuais, lavei o dedo que o furibundo felino havia mordido e o examinei detidamente. Não havia perfuração. Pelo menos a olho nu. Perguntei ao vigilante se havia um microscópio naquela porcaria de escola, já que tem a ver com as artes visuais, e ele só arregalou o olho, como se eu fosse um fugitivo do manicômio. Minha mulher, que só então conseguiu me alcançar, perguntou qual era o problema.&lt;br /&gt;-- Já ouviu falar em raiva? Hidrofobia? Paralisia do sistema nervoso? Esse é o problema.&lt;br /&gt;-- Que exagero... -- retrucou ela, com a habitual nonchalance sempre que eu fico um pouco preocupado com a Herdeira.&lt;br /&gt;Continuei correndo com a menina no colo, peguei o carro no estacionamento e toquei pruma clínica pediátrica na Lagoa. Pedi urgência na recepção e o dono da clínica, um médico de sotaque alemão, velho conhecido, me atendeu logo depois.&lt;br /&gt;-- Oi, o senhor de novo por aqui? -- ele me recebeu, com um sorriso indefinível.&lt;br /&gt;Expliquei o drama e ele disse que eu tinha feito muito bem em ir à clínica.&lt;br /&gt;-- Viu, não falei? -- eu disse pra minha mulher, que fora de táxi pra clínica e acabara de entrar no consultório.&lt;br /&gt;O médico examinou o dedo da Herdeira e disse que, como não havia qualquer tipo de ferida, não aplicaria a vacina anti-rábica.&lt;br /&gt;-- Nem contra tétano? -- perguntei, tentando iniciar um lobby.&lt;br /&gt;-- A melhor solução é monitorar o animal. &lt;br /&gt;Era domingo. No dia seguinte, uma veterinária me disse o mesmo: observar a fera por uma semana. Se ela não apresentasse alteração, eu poderia ficar despreocupado&lt;br /&gt;Durante uma semana, eu fui todo dia ao Parque Lage. Vasculhava o lugar até encontrar a gata. Aí dava comida e água pra ela. Às vezes, a antipática parecia meio enfastiada e não queria beber. Eu procurava convencer o animal a colaborar:&lt;br /&gt;-- Bebe essa desgraça senão te dou um banho gelado naquela fonte.&lt;br /&gt;Uma semana se passou e nada aconteceu. Tempos depois, conversei com um vigilante e ele disse que todos os  gatos do parque são vacinados. Disse também que aquela gata era de lua mesmo, vivia mordendo os visitantes.&lt;br /&gt;Há pouco tempo, a Herdeira lembrou o episódio.&lt;br /&gt;-- Mas eu não entendo. Você fez carinho nela e ela ficou boazinha. &lt;br /&gt;-- Aquela gata é maluca -- respondi.&lt;br /&gt;-- Coitada. Ela tava grávida. A fêmea grávida fica meio alterada.&lt;br /&gt;-- Sua mãe também ficou grávida e nunca saiu mordendo ninguém por aí.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-115889598093507137?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/115889598093507137/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=115889598093507137' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/115889598093507137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/115889598093507137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2006/09/pai-velho.html' title='Pai velho'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-115863388143334288</id><published>2006-09-18T19:42:00.000-07:00</published><updated>2006-09-21T22:51:01.516-07:00</updated><title type='text'>Criancice</title><content type='html'>Outro dia ouvi pela enésima vez que "criança não mente". É claro que mente. A gente pode dizer que não tem a malícia dos crescidos, claro. Também pode chamar de "fantasia" em vez de "mentira", uma palavra feia. A Herdeira, por exemplo, fantasia muito. Desde cedo foi assim. Uma vez o namorado da babá dela foi lá em casa pros dois voltarem juntos pra casa. A coitada fez a devida apresentação:&lt;br /&gt;-- Esse aqui é o meu namorado.&lt;br /&gt;-- Que nada -- retrucou minha filha. -- Seu namorado é aquele guarda que você vive beijando na boca.&lt;br /&gt;O rapaz ficou uma fera. No meio do caminho de volta para casa, após muita discussão, abandonou a babá na Praça Quinze, alegando que "criança não mente". Ela ligou pra minha mulher, pedindo pelo amor de Deus que intercedesse. A Conselheira entrou em ação, telefonou pro celular dele e mostrou por A + B como são as coisas na real, controlou o incêndio e todos foram felizes para sempre.&lt;br /&gt;Perguntei pra Herdeira, na época com uns 5 anos, por que tinha feito aquilo, já que a coitada da babá nunca botava o pé pra fora de casa. Ela só deu uma gargalhada.&lt;br /&gt;Uns dois anos depois, num fim de semana em que a Conselheira estava trabalhando, minha filha de repente ficou muito séria:&lt;br /&gt;-- Você pensa que a mamãe fica trabalhando nos fins de semana, né?&lt;br /&gt;-- E não fica? -- perguntei.&lt;br /&gt;-- Que nada, se liga. Ela vai se encontrar com o amante dela.&lt;br /&gt;-- Jura?&lt;br /&gt;-- Claro. Ela inclusive tá grávida dele.&lt;br /&gt;-- Não tinha reparado...&lt;br /&gt;Ela ficou pensativa, me segurou o braço e perguntou bem séria:&lt;br /&gt;-- Você vai matar os dois?&lt;br /&gt;-- Claro que não. Vou criar o filho do outro. Assim você ganha um irmão...&lt;br /&gt;A Herdeira ficou meio desapontada. Mas logo reagiu, se lembrando da bicama onde dorme:&lt;br /&gt;-- Tá bom, mas a cama de cima vai continuar sendo minha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-115863388143334288?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/115863388143334288/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=115863388143334288' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/115863388143334288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/115863388143334288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2006/09/criancice.html' title='Criancice'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-115752419624842571</id><published>2006-09-05T22:38:00.000-07:00</published><updated>2006-09-06T14:37:48.356-07:00</updated><title type='text'>Parecenças ou as maravilhas da cidadania</title><content type='html'>Aqui no Rio aprovaram uma lei que proíbe a discriminação de pessoas em virtude de seu estilo e de sua aparência física. Mais um direito que adquirimos. Devemos ser a sociedade com mais direitos de todo o sistema solar. Há muitos anos, tive um problema com um carro -- que recebeu multas até do tempo em que não existia -- e decidi "fazer valer meus direitos". Fiquei com a orelha em fogo de tanto telefonar, escrevi dezenas de cartas, procurei as autoridades, fui recebido por funcionários de diferentes órgãos. Todos me confirmavam o óbvio: que eu estava coberto de razão. Mas ter razão não basta pros outros fazerem o que têm de fazer. Você tem que "fazer valer os seus direitos". Depois de muita aporrinhação fui parar no Procon. Como todos têm muitos direitos pra fazer valer no Rio, entrei numa fila que chegava à rua. Ali, naquela espera interminável, pombos começaram a defecar na nossa cabeça. Foi aí que tive uma espécie de alumbramento. Só naquela hora, recebendo a titica despejada por aqueles parentes distantes dos dinossauros, compreendi o verdadeiro significado de toda aquela comédia. Esperei pacientemente minha hora de ser atendido e preenchi todos os formulários. Passei no banco, paguei as multas que não me cabia pagar e nunca mais pensei no assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, ao ler sobre a nova lei, fiquei pensando se me enquadro entre seus potenciais beneficiários. Seguramente devido à minha aparência, vivo sendo confundido com profissionais de atividades mais humildes. Ainda ontem, no prédio onde guardo meu carro, entrei no elevador e segurei a porta pruma dama que vinha no corredor. Ela entrou e, não só não me agradeceu, como ainda ordenou, sem me olhar: "Oitavo andar!" Obediente como todo bom ascensorista deve ser, apertei o botão 8. Nos supermercados, freqüentemente sou abordado por senhoras que, me confundindo com um funcionário, me enchem de perguntas sobre a localização dos produtos nas gôndolas e sobre a política de entrega em domicílio. Sempre respondo, mesmo não sabendo. Nas lojas, me tomam por vendedor. Ajudo no que posso; se for numa livraria, me sinto mais à vontade pra apontar prateleiras e dar sugestôes. E hoje, no Leblon, ganhei nova profissão: estava num edifício-garagem esperando trazerem meu carro quando uma madame chegou e me entregou o recibo, pra que eu fosse pegar o automóvel dela. De olho numa possível gorjeta, ainda pensei em fazer o serviço, mas logo apareceu o manobrista e me arrancou o papel da mão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-115752419624842571?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/115752419624842571/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=115752419624842571' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/115752419624842571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/115752419624842571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2006/09/parecenas-ou-as-maravilhas-da.html' title='Parecenças ou as maravilhas da cidadania'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-115752066862355657</id><published>2006-09-05T22:11:00.001-07:00</published><updated>2006-09-05T22:37:38.050-07:00</updated><title type='text'>Pragas de um século passado/I</title><content type='html'>O século passado foi generoso no surgimento de pragas. A Aids foi uma delas. Outra foi o radicalismo político disfarçado de fundamentalismo religioso. Teve também a ascensão da figura do consultor. Não sei por que, de repente, todo o mundo resolveu se consultar. Ontem fui a uma grande livraria (megastore, em português) e havia lá uma série de bancadas só com livros de consultores. A gente às vezes se pergunta como é que um político se sustenta quando não tem mandato. Vai investigar e descobre: ele tem uma empresa de consultoria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os consultores estão por todos os lados. Mesmo que eles não estejam fisicamente presentes, o seu pensamento está, como o ar que respiramos. Minha primeira experiência direta com um consultor foi há uns 20 anos, quando a editora onde eu trabalhava resolveu colocar todo o mundo num ônibus e levar para um fim de semana num hotel-fazenda (consultor adora hotel-fazenda). A empresa havia contratado uma consultoria que organizou o evento "Metas endógenas, estratégias exógenas" -- algo assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, foi uma tremenda lavagem de roupa suja. Ficávamos o dia inteiro trancados numa sala. Aí o consultor propunha um tema, alguém começava a falar, criticava o outro, o outro rebatia, um terceiro tomava as dores do segundo e o negócio degringolava totalmente, acabando em xingamentos, murros na mesa e chutes na lata de lixo mais próxima. O consultor, que era ajudado por duas gostosonas, parecia desolado. Ele dizia: "Vamos avançar, interagir, promover o processo sinérgico". E a gente continuava discutindo as mesmas questiúnculas que já discutia antes na empresa. Inimizades se acirraram e antipatias se cristalizaram para sempre naquele fim de semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu só abria a boca na hora das refeições, três por dia. Eram os únicos momentos bons. Dormir era uma tortura tão grande quanto participar das reuniões. Além do frio intenso (estávamos no Sul de Minas, no inverno), me colocaram num quarto com um colega asmático, que tinha um ronco polifônico. Felizmente foi só um fim de semana. Quando a empresa fez outro evento do gênero, o diretor me chamou e disse que eu ficaria de fora, porque não havia demonstrado uma postura pró-ativa da vez anterior. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já em outro trabalho, uma consultoria levou todo o mundo prum hotel-fazenda no interior do Rio. A programação era mais diversificada: a gente alternava atividades dentro de um salão de convenções e numa área aberta. No salão, entre outras coisas, tínhamos que, em grupos, planejar uma viagem à Lua, descartando itens inúteis pra se livrar do excesso de bagagem e listando os indispensáveis. Muitos desafetos foram postos a pontapés pra fora do foguete, em pleno espaço sideral. Na relação dos itens imprescindíveis apareciam canivetes, biscoito Globo e camisas-de-vênus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na área aberta, as pessoas participavam de atividades totalmente físicas, numa gincana ao estilo de "Survivor". Tinham que atravessar ribanceiras usando escadas balouçantes de cordas, fazer rapel, nadar em lagos repletos de piranhas e candirus imaginários, montar armadilhas pra feras noturnas. Tudo isso com um objetivo muito claro, que agora me escapa totalmente. Aquele monte de sedentários se esfalfando, como num treinamento para o corpo de fuzileiros navais americanos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como humilhação tem limites, participei apenas de algumas atividades. Nadar em lago nem pensar, por exemplo, porque se tem algo que me dá nojo é lago de fazenda. Atravessar a ribanceira também não, porque sofro de acrofobia. Escapei pra sala de jogos com um companheiro de infortúnio e passamos boa parte do tempo praticando o nobre esporte da sinuca. Entre uma tacada e outro, comíamos sanduíche de salaminho e debochávamos daquela presepada toda. Mas não rimos por muito tempo. Uma rachadura no concreto e o que parecia represado no espaço do absurdo logo se espalhou de tal forma que a gente, como no meio do Rio Amazonas, já não consegue ver as margens.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-115752066862355657?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/115752066862355657/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=115752066862355657' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/115752066862355657'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/115752066862355657'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2006/09/pragas-de-um-sculo-passadoi.html' title='Pragas de um século passado/I'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-115674052955691972</id><published>2006-08-27T21:13:00.000-07:00</published><updated>2006-10-22T17:10:58.423-07:00</updated><title type='text'>Dias soturnos em Ladbroke Grove</title><content type='html'>Lendo as notícias que Carrie White, com seus poderes telecinéticos, envia de Londres, me deu vontade de relatar um pouco da minha experiência naquela terra triste e chuvosa. Isso tem quase 20 anos. A gente estava na Europa, sem compromisso com nada, esquema low-budget, e a Conselheira decidiu ir pra Londres, disse que queria trabalhar e aperfeiçoar o seu inglês. Fui contra: aquela desgraça fica fora de mão, igual a ir do Flamengo pra Laranjeiras, é um perto longe. Mas ela insistiu. Sempre negativo, resmunguei: isso não vai dar certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegamos o ferry-boat em Calais pra atravessar o Canal da Mancha e desembarcamos em Dover. Na Alfândega, ela foi liberada rapidamente. Eu fui retido e levado pruma salinha. Com aquela educação típica dos ingleses, os funcionários da Imigração começaram a me interrogar, a apertar meu fígado, metaforicamente falando. Monoglota de pai e mãe, não sei como consegui me comunicar. Fui interrogado em inglês, francês, alemão e até em português com sotaque alemão. Eles me faziam perguntas e conversavam entre eles. Aí voltavam a fazer as mesmas perguntas. Respondi a tudo, sentindo a culpa que só os inocentes conhecem. Exausto, já estava pronto pra assinar uma confissão qualquer e ser deportado, quando finalmente me deixaram ir. Horas tinham se passado. Quando reencontrei a Conselheira, ela estava ainda mais branca do que o normal. Entre dentes, falei apenas: eu disse que isso não ia dar certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Londres, eu vivia enjoado. Por causa do frio, acho. Estava com um casaco emprestado, curto nos braços, que me dava uma aparência de mendigo. Usava uma boina comprada em Portugal, que não ajudava muito. A Conselheira conseguiu emprego num hotel top class, perto da Harrods, pra ser arrumadeira (não durou muito). Fui incentivado a também arrumar um trabalho. Conhecemos um brasileiro que era o rei da faxina na cidade, estava bem de vida (pros nossos padrões). Ele se dispôs a me ajudar. Pensei vagamente no assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alugamos um quarto na casa de um velhinho indiano. Tinha poeira ali de quando Gandhi ainda usava fralda. Pra dormir, havia um sofá-cama com o forro já tão detonado que a gente só sentia a armação de pau. Eu estendia um lençol no chão e dormia lá mesmo, que era bem mais confortável. A casa ficava num conjunto residencial em Ladbroke Grove, um lugar triste, cinzento, próximo de Portobello Road. Pra tomar banho, havia uma mangueira com chuveirinho na banheira. Mas, como a água era fraca, não dava pra tomar banho em pé. A gente precisava se agachar. Só então entendi por que havia um balde na banheira. Era melhor enchê-lo e jogar a água no corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velhinho dormia na sala e alugava o outro quarto para um português. Às vezes, nós nos encontrávamos na cozinha. Mas o português, por algum motivo insondável, só conversava com a gente em inglês. A gente falava alguma coisa em português e ele respondia em inglês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não tinha o que fazer em Londres. Na rua, frio e chuva. Enquanto minha mulher trabalhava, eu ia pras livrarias, ficava folheando os livros, sem entender grande coisa. Nunca comprava nada, tudo muito caro. Também ia pro British Museum, maravilha da civilização, e pras sex shops, outra maravilha da civilização, ambos com entrada gratuita e com muita coisa pra ver dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficava pra lá e pra cá. Às vezes acompanhava o velhinho indiano no clube do conjunto habitacional. Ele, que era aposentado, fazia natação lá. Um lugar bacana, com piscina aquecida. Tudo de graça. Assim eles tratam os pobres e os aposentados lá. Em Portobello, entrava nas muitas lojas de disco que havia lá. Uns negões ficavam na porta, de microfone, cantando blues, reggae e ska.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/152/10559/640/Imagem%201122.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/hello/152/10559/640/Imagem%201122.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andando pelas ruas desoladas, notava que, perto das cabines telefônicas típicas da cidade, de cor vermelha, havia sempre uma poça de vômito. Claramente, os bêbados usavam as cabines como apoio na hora de botar os bofes pra fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Costumava comer no restaurante da Universidade de Londres. Numa cidade tão cara, ali era o paraíso. Custava uns mirréis. Pra ter acesso, apresentava uma carteira internacional de estudante falsificada na Itália (o crime já prescreveu). A gente chegava com a bandeja no balcão e a mulher do outro lado rosnava uma pergunta qualquer, que eu não entendia. Eu apontava o que queria e ela despejava umas maçarocas no prato. Acho que os ingleses comem muito purê. Não sei, não consegui identificar bem o que comia. Em volta, nos mesões do refeitório, quase só jovens orientais, com a mesma aparência de necessitado que eu. Comiam de olhos baixos, em silêncio. Não era um quadro muito animador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, eu esperava a Conselheira em frente ao hotel, quando ela sai toda sorridente, de banho tomado, dizendo que tinha sido a maior luta pra tomar uma ducha lá. Um casal de policiais passou e voltou em seguida. A mulher me disse que tinha sentido cheiro de haxixe e comecei a levar uma dura no meio da rua. Fui revistado de alto a baixo e interrogado. Eles nem deram bola pra Conselheira, que estava trabalhando ilegalmente. Não juntou gente pra ver o espetáculo porque os ingleses são sempre discretos. No fim, a policial, com sorriso debochado, devolveu meu passaporte e me desejou uma boa estada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/152/10559/640/Imagem%201117.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/hello/152/10559/640/Imagem%201117.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Não gosto de generalizar, mas eu começava a odiar a Inglaterra. Numa de minhas andanças pelos dias frios e chuvosos de Londres, fui parar no metrô e estava tentando ler alguma coisa sentado num banco lá quando um mendigo se aproximou. Desabou do meu lado e puxou assunto. Eu não estava entendendo nada. Me afastei e ele teve um ataque de fúria, começou a me xingar, me chamar de orgulhoso, metido a besta, sei lá. Só então compreendi que ele pensara que eu também era um mendigo. Tentara iniciar um diálogo entre iguais, provavelmente perguntando como estava o movimento de esmolas etc, e se sentira desdenhado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já na época havia muita preocupação com o terrorismo. Nos transportes públicos, cartazes pediam aos passageiros que dessem o alerta se vissem qualquer pacote abandonado. Uma vez eu tinha deixado a Conselheira na Victoria Station, a principal estação de metrô e trem da cidade, e já estava do lado de fora quando tocou o alarme de bomba. Em pouco tempo, funcionários e passageiros começaram a abandonar o lugar. Fiz o movimento inverso pra tentar encontrar a minha mulher. Entrei na estação e segui no contrafluxo, enquanto funcionários ficavam tentando barrar meu caminho, mas não se esforçavam por muito tempo, porque também queriam cair fora. A estação foi ficando vazia e encontrei a Conselheira, distraída, sem saber de nada, olhando badulaques num quiosque onde já não havia ninguém. Que diabo!, gritei, e salvei a vida dela. Bom, quase: era alarme falso.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/152/10559/640/Imagem.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/hello/152/10559/640/Imagem.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-115674052955691972?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/115674052955691972/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=115674052955691972' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/115674052955691972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/115674052955691972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2006/08/dias-soturnos-em-ladbroke-grove.html' title='Dias soturnos em Ladbroke Grove'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-115637247419085697</id><published>2006-08-23T15:33:00.000-07:00</published><updated>2006-08-23T15:39:36.386-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;"&gt;"Se todas as pessoas que pensam que &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;têm razão realmente tivessem razão, &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;ninguém jamais teria razão"&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-115637247419085697?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/115637247419085697/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=115637247419085697' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/115637247419085697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/115637247419085697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2006/08/se-todas-as-pessoas-que-pensam-que-tm.html' title=''/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-115631527438755061</id><published>2006-08-22T23:34:00.000-07:00</published><updated>2006-08-22T23:41:14.396-07:00</updated><title type='text'>Dormir é a maior diversão</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/7707/2878/1600/Imagem%201115.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/7707/2878/320/Imagem%201115.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muitos anos não sei o que é NÃO dormir no cinema. Uma das últimas tentativas foi com o “Código Da Vinci”. Me perguntaram qual era o grande enigma da história e eu não faço a menor idéia, dormi o tempo todo. Mesmo quando vou ao cinema com a Herdeira, ver os filmes de criança, que são menores e muitas vezes mais interessantes, sempre acabo pregando o olho. Poderia fazer um ranking dos filmes mais dormíveis. Claro que o problema sou eu. Mas de cara me lembro de “Tempo de embebedar cavalos”. Minhas lembranças desse filme são apenas fiapos de consciência. Eu entrei no cinema no Leblon e apaguei. Acordei lá pelas tantas, com o filme ainda passando, e vi umas velhinhas entrando e se sentando umas três filas adiante. Apaguei de novo e quando voltei a acordar, o filme ainda rolando, não vi mais as velhinhas à minha frente. Achei que elas também tinham desabado de sono. Voltei a dormir e só acordei com as luzes acesas ao fim da sessão. Não fui checar as velhinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns filmes bons para dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) Kagemusha&lt;br /&gt;2) As Coisas Simples da Vida&lt;br /&gt;3) Tempo de Embebedar Cavalos&lt;br /&gt;4) Ursinho Pooh e amigos&lt;br /&gt;5) 2001 Uma Odisséia no Espaço&lt;br /&gt;6) O Senhor dos Anéis (Parte 1)&lt;br /&gt;7) O Castelo Animado&lt;br /&gt;8) O Tigre e o Dragão&lt;br /&gt;9) Mistérios e Paixões&lt;br /&gt;10) A Doce Vida&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-115631527438755061?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/115631527438755061/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=115631527438755061' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/115631527438755061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/115631527438755061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2006/08/dormir-maior-diverso.html' title='Dormir é a maior diversão'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-115630426471883758</id><published>2006-08-22T20:34:00.000-07:00</published><updated>2006-08-23T00:01:28.430-07:00</updated><title type='text'>Pai patrão I</title><content type='html'>Vai com algum atraso, mas essas efemérides são efêmeras mesmo. O Dia dos Pais levou muita gente a escrever textos bonitos e emocionados. Nem poderia ser diferente. Mas, indo um pouco contra a maré, vou contar uma história em outra linha. Aconteceu nos anos 40, com uma menina de uma família muito pobre, no interior do Rio Grande do Sul. Um dia, ela decidiu homenagear o pai com um versinho que acabara de aprender. Aquele que diz: "Carrego papai no bolso/ e mamãe no coração". O resultado foi uma tapa na cara, para aprender que pai não se carrega no bolso. Aquela menina, que viria a ser minha mãe, se sentou na sala, sozinha, e passou um longo tempo sofrendo com uma sensação de desamparo e humilhação nunca esquecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uns 30 anos depois, numa de nossas visitas para visitar a familiarada no Sul, o irmão da minha mãe disse que tinha descoberto o paradeiro do pai deles. Explico: o meu avô tinha abandonado a minha avó cheia de filhos ainda pequenos, para se juntar com outra mulher, e sumira do mapa. Minha mãe então se considerava sem pai, inclusive registrou isso oficialmente quando fez sua certidão. Ao ouvir meu tio, ela pulou nas tamancas e disse que não ia visitar ninguém, que não tinha pai. Meu pai insistiu: pai é pai, já faz tempo, vamos lá. Meu tio fez lobby: o velho vai ficar feliz. Até que minha mãe cedeu, mas avisou: tá bom, mas não vou pedir bênção pra ninguém!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fomos nós prum lugarzinho em Santa Catarina. Paramos numa casa modesta de madeira e meu tio bateu palmas. Dali a pouco apareceu o pai-que-não-era-pai embaraçado, agitado, mandando todo o mundo entrar, com a mulher ao lado, rindo e escondendo com a mão a boca sem dentes. Ele já estava meio que esperando a gente. Ao ver minha mãe, estendeu a mão e perguntou, cerimonioso: como vai a senhora? A visita foi rápida, num clima cortês, um encontro de poucas palavras, sem ajuste de contas e outros dramas. E descobrimos que eu me pareço muito com aquele avô de quem nunca mais tivemos notícia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-115630426471883758?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/115630426471883758/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=115630426471883758' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/115630426471883758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/115630426471883758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2006/08/pai-patro-i.html' title='Pai patrão I'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27347195.post-115603982453390897</id><published>2006-08-19T19:07:00.000-07:00</published><updated>2006-08-22T20:40:24.043-07:00</updated><title type='text'>Pai patrão II</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/152/10559/640/Imagem%20801.0.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/hello/152/10559/640/Imagem%20801.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/152/10559/640/Imagem%20805.0.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/hello/152/10559/640/Imagem%20805.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/152/10559/640/Imagem%20806.0.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/hello/152/10559/640/Imagem%20806.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27347195-115603982453390897?l=nadaapos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nadaapos.blogspot.com/feeds/115603982453390897/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27347195&amp;postID=115603982453390897' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/115603982453390897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27347195/posts/default/115603982453390897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nadaapos.blogspot.com/2006/08/pai-patro-ii.html' title='Pai patrão II'/><author><name>osvjor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03527396595954471668</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_7ovnmn8-6GA/SbiPLdeyJ2I/AAAAAAAAADQ/OJcfNFIBkwM/S220/osvaldo1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
