Friday, May 07, 2010

Amy, Amy, Amy! - o imbecil aqui sou eu


Fiquei surpreso quando a Viviane (aquela de Zion) disse que eu tinha chamado a Amy Winehouse de "imbecil". Eu não lembrava disso, mas fui checar e realmente foi o que aconteceu. Por coincidência, acabei de ler um livro sobre a Amy.

É claro que eu chamei a Amy de “imbecil” num arroubo de fã, naquela mistura de amor, pela grande artista que ela é, e de ódio, por ela se destruir, servindo de piada prum monte de retardado ao redor do mundo. Mas isso não justifica. Eu devia ter vergonha.

A Amy Jade Winehouse é uma menina judia do norte de Londres. Foi uma criança alegre, curiosa e também tímida. Cresceu cercada de música. Seu pai estava sempre cantando pros filhos (a Amy tem um irmão mais velho) e incentivava o interesse deles por música. Desde cedo, a Amy também estava sempre cantando, inclusive na escola, onde os professores às vezes tinham que dizer a ela pra parar com aquela cantoria porque estava atrapalhando as aulas.

Na adolescência, ela conseguiu uma bolsa de estudos numa escola em Londres famosa pelo ensino ligado ao teatro, ao canto e à dança. Mas a escola também exigia que os alunos fossem bons nas matérias tradicionais, o que acabou atrapalhando a vida da Amy, porque, tirando a parte artística, ela só era boa em inglês. A direção chegou a colocar a Amy numa turma de alunos mais velhos, pra ver se ela se sentia mais estimulada, mas isso não aconteceu. Além disso, ela tinha probleminhas de disciplina. Acabou sendo convidada a se retirar. Assim como a separação dos pais, ocorrida poucos anos antes, a saída dessa escola foi motivo de grande tristeza pra ela na idade jovem. Talvez uma das primeiras crises depressivas da Amy, que nesse período passava o dia inteiro escutando Ray Charles.

A Amy sempre escutou muita coisa de diferentes estilos, como Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Caroline King, Michael Jackson, Madonna, Salt ´n´ Pepa, Erikah Badu e uns rappers esquisitos.

A Amy toca guitarra e escreve suas próprias músicas.

O primeiro disco da Amy é “Frank” e foi lançado em outubro de 2003, quando ela estava com 20 anos. É um disco meio jazzístico, e a voz dela ali me lembra um pouco a da Billie Holiday e um tantinho mais a da Erikah Badu. A instrumentação é simples. Foi um sucesso de crítica dentro da Inglaterra. Visualmente, nessa época a Amy era uma menina saudável, bonita e coxuda.

O segundo e último disco até agora, “Rehab”, é de 2006, quando ela estava com 23 anos. Foi com esse que ela estourou no mundo, depois que o álbum foi levado pros Estados Unidos. As músicas foram todas escritas na seqüência de mais uma crise depressiva, pelo fim do romance com um cara com quem ela depois reataria e se casaria. Na época, a Amy estava escutando muita música de conjuntos vocais de mulheres dos anos 60. Ela queria fazer aquele tipo de som, daí muita gente achar que a Amy faz cover de canções daquele tempo. Pra dar uma roupagem “vintage” às canções de “Rehab”, os caras recorreram a músicos especialistas em fazer som típico dos anos 60, inclusive com instrumentos da época, e a tecnologia de ponta. A voz da Amy tá mais profunda, poderosa. No visual, ela adotou uma peruca pra fazer o cabelo estilo colméia. Foi influência da cantora Ronnie Spector, que comandava um grupo de mulheres chamado The Ronnettes. A Amy também já estava mais magra. Ela atribuiu isso a distúrbios alimentares (anorexia e bulimia) e ao fato de ter começado a freqüentar uma academia de ginástica.

Depois disso, foi aquela desgraça que todo o mundo sabe.

A Amy é propensa a crises depressivas e tem uma personalidade autodestrutiva. Já teve episódios em que se feriu propositalmente. Ela começou a beber e a fumar maconha muito cedo. Depois entrou na cocaína e na heroína.

Agora surgem notícias de que ela voltou a compor com seu antigo produtor. Ela estaria preparando um novo disco. Seria muito bom - assim como nunca mais ver aquelas fotos grotescas da Amy que circularam o mundo nos últimos anos.











Obs.: As informações (e as fotos) são do livro “Amy, Amy, Amy - the Amy Winehouse story”, de Nick Johnstone. Como tô escrevendo de memória, espero não ter errado muito.

3 Comments:

At 12:36 PM, Blogger Viviane Zion said...

Mas é cla-claro que eu entendi o que você quis expressar quando chamou a Amy de idiota! Que outra expressão definiria melhor pessoa talentosa como ela, arruinada pelas drogas, pela depressão ou coisas do gênero??? Entendi e concordo, até porque eu conheço uma pá de gente assim aqui pertinho de mim - e não tenho expressões melhores para atribuir-lhes.

Belo post. Não sabia que ela é judia... tem um pezinho em Zion tb, hehe.

Abraço.

 
At 5:01 AM, Blogger Clara Lopez said...

A amy continua me dando aflição, o personagem que ela encarna é um breve contra a vida, um desespero só (sim eu sei que há ganhos em tudo que ela pratica, mas eu já estou em outro momento dessa troca, me angustia vê-la sempre. Mas quando ela canta, aí a vida se eleva em muitas e grandiosas dimensões.

Então é o seguinte - não se deve ler nada sobre a vida dela, nem olhar muito atentamente para as linhas de sua história em seu corpo - apenas ouvi-la, e se deixar levar pela magia dos sons que ela cria.
grande abraço, miss you,
clara

 
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