Friday, May 01, 2009

Terra boa

Atendendo a incontáveis pedidos, farei um breve relato da minha viagem aos EUA.

A CHEGADA

Meus amigos haviam tocado o maior terror, dizendo que, com minha cara de pobre e suburbano, e minhas roupas condizentes com essas condições desfavoráveis, eu comeria o pão que o diabo amassou com os oficiais da Imigração americana. Tirar o sapato era fichinha perto do que os caras certamente fariam comigo. Além da revista anal, agora haveria uma inspeção uretral, tudo dentro da política de combate ao tráfico internacional de drogas. Eu já estava me retorcendo de dor na fila da Imigração quando chegou a minha vez. Fui logo baixando as calças e me colocando à disposição. A oficial, muito simpática, informou que no meu caso só seria possível a entrada de uma quantidade para uso pessoal, o que não configura tráfico. E começou a rir. Chamou os colegas e de repente todos os caras dos guichês da Imigração estavam à minha volta, rindo muito, me dando tapinhas nas costas e conselhos do tipo que a gente vive recebendo por email. Levantei as calças e fui embora humilhado.




Vista do Empire: os minúsculos pontos à esquerda são as duas japonesinhas


TURISMO

O objetivo da minha viagem era científico, mas eu não deixaria escapar a chance de fazer um pouco de turismo. Afinal, estava em Nova York. Fui pro Empire State. É um edifício muito alto que tem lá. Depois de uns três dias numa fila que serpenteava por uns 43 andares, chegamos ao observatório no alto do bicho. Fazia um frio desgraçado e o vento parecia um tufão. De repente duas japonesinhas de quimono, muito gracinhas, saíram voando pela sacada. Todos tiramos belas fotos do momento.

CLIMA INCLEMENTE

Obviamente, eu não estava preparado pra tanto frio. Eu andava pelas belas ruas de Nova York e invejava os mendigos da cidade, com sua indumentária apropriada ao clima: belas botas, casacos forrados, gorros e luvas de boa qualidade. Numa esquina do Upper West Side, um esmoler dormia sob um andaime e tive que refrear a torpe tentação de roubar os sapatos dele. Com a cara plastificada pelo frio e temendo ter perdido minhas orelhas (eu botava a mão nelas, mas não sentia nada), entrei numa loja no Greenwich Village. Como eu estava pra participar de uma excursão de cunho científico-ambientalista, fiquei satisfeito ao ver a bandeira com as cores do arco-íris na porta. Achei que fosse um estabelecimento do Greenpeace. Muitas botas e uniformes de todos os tipos. Os atendentes foram todos muito simpáticos. Como não falo inglês, não entendi bem o que eles diziam, mas tiraram minha roupa, meus tênis, e me fizeram experimentar dezenas de modelos, parece que da grife Tom da Finlândia. Quiseram me colocar ainda um bigode postiço, mas achei meio exagerado. Saí de lá bem aquecido, mas parecendo aquele sargento de "Nascido para matar".


Templo egípcio no Met: perto dali, o melhor banheiro do Upper East Side


NECESSIDADES BÁSICAS

Para o turista necessitado de ir ao banheiro, as melhores instalações públicas disponíveis no Upper East Side se encontram no Metropolitan Museum of Art. Especialmente recomendados por todos os guias especializados são os banheiros localizados no primeiro andar, na American Wing, logo após o setor egípcio. O ingresso do museu dá direito também a admirar a gigantesca coleção de obras de arte.

Comer bem é muito fácil em NY. Nas délis, os enormes sanduíches de pastrami costumam ser o destaque. O pastrami vem quente e em geral acompanhado de salada russa, sauerkraut e que tais. Há uma campanha pra que os consumidores desse tipo de refeição plantem 27 árvores pra neutralizar as emissões de CO2.

(a seguir, a expedição científica nos confins da América)

22 Comments:

At 8:25 AM, Blogger Clara Lopez said...

Nossa, voltou escrevendo bem demais, arrasou!oswald de andrade está olhando da tumba e morrendo de inveja...:) parabéns, muito bom mesmo.
Agora, conta aqui: vc foi a nova iorque e não está paranóico com a gripe suína...?:)
abraço,
clara lopez

 
At 4:55 PM, Blogger osvjor said...

grazzie, Clara. olha, foi eu botar meus pés em solo pátrio que já fui acometido por uma série de ziquiziras e moléstias dos mais diversos tipos e, sim, tb tô meio gripado, mas não fiquei paranóico, não, se alguma coisa der errado comigo eu prefiro culpar o Sérgio Cabral, o PT, o PCdoB, o Brizola, pq estes eu sei que realmente fazem muito mal... abs

 
At 8:35 AM, Blogger Viviane Zion said...

Nossa! Seja bem-vindo de volta à Terra brazilis!!! Muito boa a narrativa. Uma aventura e tanto com certeza...
Shalom.

 
At 4:05 PM, Blogger Clara Lopez said...

caro senhor, pode dizer quando acabam essas férias? :) hora de voltar ao trabalho...:)
abraço,
clara lopez

 
At 3:27 PM, Blogger Sergio Gonçalves said...

Osvjor,

Ôi, é Sergio Gonçalves, do blog do Cleto. Agradável surprêsa descobrir seu blog, amigo. O texto sobre a viagem a NY é divertido e gostoso de ler. Bom, sou meio suspeito, já que NY é minha cidade favorita. Sou muito pouco original na hora de escolher onde vou passar minhas férias, como você pode imaginar.Grande abraço.

 
At 8:42 AM, Blogger osvjor said...

fala, Sérgio! valeu pela visita. eu, como autêntico caipira e suburbano, fiquei apaixonado por NY. espero não morrer antes de ter a chance de voltar pra lá. abraços

 
At 9:11 AM, Blogger Monday said...

Caro Nórdico

Vi agora lá no blog do Cleto seu comentário para o Sérgio, que veio te visitar aí acima.

Estou salvando seu endereço no favoritos, para poder ler com calma, já que estou saindo de casa agora e só volto domingo à noite.

Aí, faço um coment decente, certo?

Abraços

Flávio B.

 
At 1:45 PM, Blogger osvjor said...

Valeu, Flavio B. Depois passearei pelo seu blog tb. abs

 
At 10:49 AM, Anonymous Anonymous said...

Osvjor,

deixei um comment no post sobre Chet Baker. Qualquer hora falo sobre NY.

Abçs.
Marta

 
At 5:00 PM, Blogger Monday said...

Osvjor

Voltei, meu amigo, desta feita para ler direito o post. Bem divertido, aliás, fora dos padrões chatos de costume de narrativas de viagem.

Ah, imagino que as bandagens das múmias não sejam utilizadas nos tais super banheiros, certo?

 
At 7:56 PM, Anonymous Anonymous said...

Osvjor,

Se o banheiro do Met não estiver à mão, sempre se acha um McDonalds. Voce entra, usa o toilet, sai, e ninguem viu nada.

Abçs,
Marta

 
At 6:52 PM, Blogger osvjor said...

Flávio B., espero que não mexam nas múmias, pois sempre há o problema da maldição que recai sobre quem profana o repouso dessas criaturas. abs

Marta, obrigado pela visita e pela homenagem ao Chet Baker. Eu entendo fãs do Chet como você, embora não partilhe da mesma adoração que vocês têm pelo Chet cantor. Eu participava de uma comunidade sobre o Chet Baker no Orkut, e lá era todo mundo fanzoca do Chet cantor. Mas é verdade que foi com o Chet cantor que conheci um monte de standards, como esse próprio que você citou, "Just friends", um clássico do repertório do jazz. Me lembro de uma vez em que eu, doente, estava descansando na cama, ouvindo um CD do Chet já maduro, em que ele canta mal (mas paradoxalmente de um jeito muito bonito), quando ouvi meu cunhado perguntar meio na surdina pra minha mulher: "Mas ele gosta disso?". Você não disse se é fã do Chet jovem ou maduro, depois diz. Sobre a referência ao João Gilberto, não sei se eu citei isso no post, mas já é sabido, graças ao livro do Ruy Castro (aquele da bossa), que o Chet Baker foi uma influência fundamental pro jeito de cantar do João, que antes cantava com vozeirão..

Acho que Nova York poderia render muitos textos interessantes. Gostaria muito de ler impressões suas, assim como as do Sérgio. De repente poderíamos trocar figurinhas. Mas já vou avisando: sou viajante totalmente low budget. abs

 
At 7:34 AM, Anonymous Anonymous said...

osvjor,

Me empolguei aqui escrevendo e a resposta passou do limite permitido. Quebrei em duas, tá.

Chet Baker

Como te disse antes não sou especialista em nada, fico constrangida em discutir musica com um musico mas vamos lá. (assim como não jogo tenis e fico xeretando o blog do Cleto)

Então, eu não sei (sabia) de que fases são os cds que eu tenho do Chet. Olhando agora, são gravações de agosto de 1958 (It could happen to you CHET BAKER sings),aí tem outra coletanea com gravações de 1953, 1954, 1956. São todas de quando ele era bem jovem. Eu tenho varios outros mas encaixotados na mudança e que nunca mais sairam de lá. Uma hora eu olho e te falo. É uma das coisas que adoro fazer nos States, visitar lojas de cds. Acho que as do Chet são quase todas de lá. Não sei se tenho algum da fase mais madura mas continuaria gostando do mesmo jeito.

Essa do seu cunhado é chato, mas acontece né. A gente se sente meio ET, meio incompreendida, meio solitária :) Eu já não me animo mais a comentar meus gostos "diferenciados" por ai porque ninguem conhece mesmo. Só comento sobre os mais conhecidos. Uma vez, tava ouvindo Chet Baker, esticada no sofa, no maior relax. Ouvi o disco inteiro e ai o (ex)namorado veio me perguntar porque estava brava por ter ficado tanto tempo em silêncio.

No seu post, voce fala (mal) do documentário Let´s get lost. Eu vi o filme acho que numa mostra de cinema. Não lembro quase nada exceto que era bem cinzento. Agora, eu fiquei na dúvida, não sei quando "descobri" Chet Baker. Achei que fosse numa trilha sonora de algum filme do Clint Eastwood (outro artista que adoro). Mas pode ter sido no doc. Não li o livro que voce cita do Ruy Castro, mas te dou todo o meu apoio na sua indignação e desânimo. O único livro que li dele foi "o melhor do mau humor", mas não gostei muito do jeito que ele selecionou as frases. Depois, vi entrevistas dele na TV, e já não fui muito com a cara dele e aí nunca mais li nada dele. Às vezes, conhecer o autor estraga tudo.

Marta

 
At 7:35 AM, Anonymous Anonymous said...

Metropolitan

É lindo aquele museu, desde a fachada, escadarias, obras, até o banheiro, né. :) Essa área egípcia da sua foto é de impressionar, não é. Eles usam a área pra eventos sociais também. Apareceu no filme "O diabo veste Prada", também num meloso com a Jennifer Lopez e o Ralph Fiennes.

Eu gosto de ir à área dos quadros impressionistas, e ficar sentada olhando. É uma viagem fazer isso. Não sei se é o mesmo barato de uma droga, mas que dá barato dá.

Tem um quadro, de parede inteira, na entrada de uma das alas, a minha memória pra nomes é péssima, mas é sobre a história na mitologia grega (acho) do escultor que se apaixona desesperadamente pela estátua de mulher que ele esculpiu, aí os deuses ficam com pena e a transformam em ser humano. O quadro é do exato momento em que ela se transforma e ele olha maravilhado. É lindo o quadro. Vou tentar descobrir qual é.


NY

Foi a primeira cidade americana que conheci. Eu sei que é chavão mas em qualquer parte que se ande (e tem que andar muito, pegar metro, onibus), a gente se sente no meio de um filme. Quando fui não tinha lá muita simpatia pelos States, fui porque tenho uma amiga dos tempos de faculdade morando lá. Mas aí amei Nova York, e depois conhecendo outras cidades americanas, voce percebe que NY(Manhatan) não tem quase nada de Estados Unidos. Tá mais pra ONU.

Uma vez, morei lá por uns meses, num ap que dava vista pro World Trade Center. Isso foi pouco antes daquele absurdo acontecer. Passava em frente todo dia, a pé. Olhava pro alto às vezes. A última vez que fui foi em 2006. Fiquei deprê vendo aquele buraco gigantesco no lugar.

Não li todos os seus posts mas tive impressão que voce é geólogo ou historiador ou sei lá. Mas, não foi ao Museu de História Natural? Os dinossauros lá são de impressionar.

Quanto ao low budget, também sou desse time mas ter a chance de viajar a trabalho ajuda muito. Os impostos em NY são altos mas dá pra achar coisas baratas. Pra comer, como você citou, tem as delis, as pizzas (em fatias), um supermercado ou o famoso cachorro quente de carrinho, que na pressa, é muito bom tambem. Pra compras (roupas, malas, presentes) tem o Century 21, bem em frente à estação World Trade Center. Eles tem preços ótimos pra produtos de qualidade. Voce teria encontrado roupas de inverno bem em conta lá e não precisaria da “ajuda” do vendedor. Pra informática e eletrônicos, gosto da J&R na Broadway, perto do City Hall (prefeitura). Como é bom olhar as lojas (não necessariamente comprar).

Então, NY tem isso de bom, é tanta diversidade, são tantas opções, que cada um acaba encontrando seu(s) cantinho(s) do coração. Espero que você encontre o seu.

Abçs,
Marta

 
At 3:34 PM, Blogger osvjor said...

Salve, Marta

Não precisa ficar constrangida porque não sou músico -- infelizmente. Em geral, quem gosta do Chet cantor curte muito as gravações antigas mesmo. Com o tempo, talvez porque ele fosse perdendo um monte de dentes (mas ele já era banguela bem jovem!), ou talvez por causa das drogas, sei lá, ele passou a cantar muito mal mesmo, embora suas interpretações na fase madura muita vezes tenham aquela variação surpreendentemente lírica, bonita. Foi isso o que eu quis dizer quanto contei que estava escutando um disco do Chet Baker maduro em que ele canta mal, mas ainda assim é um negócio bonito. Agora, talvez eu ache isso por ser fã, ou talvez porque eu já conheça a música original e possa apreciar a variação que é feita. Sei lá. Mas tem vezes em que ele canta mal e que é só um troço ruim mesmo.

Se você conheceu Chet Baker numa trilha sonora, pode ter sido em "Por volta da meia-noite", um filme do Bertrand Tavernier com um trabalho de ator incrível do saxofonista Dexter Gordon, um grande jazzista dos bons tempos. Na trilha, o Chet Baker, já maduro, canta "Fair Weather". Não é grande coisa. Agora, eu me lembro perfeitamente como eu conheci o Chet Baker: eu tava num supermercado e vi um LP, num balcão de promoções, com um velhinho todo enrugado tocando trompete na capa. Deve ter custado uns dois reais, ou dois tatuís, sei lá qual era a moeda na época. O velhinho era o Chet Baker e o disco era "Candy", que eu citei no post, uma joia gravada numa biblioteca na Escandinávia. Foi com esse disco que eu, uma besta ignorante, um caipira suburbano, descobri o jazz.

Pra não ficar dúvida: eu gosto muito do Ruy Castro, ele é um grande jornalista, um grande biógrafo, um grande escritor. Li quase tudo dele. Eu fiz um reparo à obra dele que é um nada, uma gota no oceano. É o tipo de implicância de fã. Como eu disse, acho que Ruy Castro é um gênio, mas mesmo os gênios não podem saber de tudo, como ficou provado no caso do Chet Baker. Ou então é só uma questão de opinião mesmo. Mas eu no fundo acho que certas coisas não são tão subjetivas assim, dá pra dizer se o cara tá tocando pra kct ou não. A mesma implicância de fã eu tive quando li dois outros livros: a) a biografia do Chet Baker escrita pelo Gavin (eu fiz até um post sobre o livro em algum lugar do passado), porque eu achei que, claramente, o biógrafo não gostava do biografado, e se preocupou demais em ressaltar os defeitos dele; e b) a biografia do Gershwin escrita pelo Schwartz (acho que se escreve assim), que também parece não gostar do biografado e gasta umas 500 páginas pra provar por A + B que o Gershwin não foi um grande compositor clássico. Não diga??!! Então o sujeito se apega a uma parte minúscula de uma obra gigantesca e genial pra provar que o Gershwin era um bosta pretensioso? Mas talvez eu esteja exagerando na minha crítica. Coisa de fã.

t+

 
At 6:48 PM, Blogger osvjor said...

Marta,

gostei muito tb do seu texto sobre NY. Vou anotar as dicas das lojas em separado, pra quando eu voltar. Sei que eu caminhei muito, uns 1.500 kms por dia. NY, pra quem gosta de caminhar, apreciando a arquitetura dos prédios etc, é um prato cheio, né? Sobre seu hobby de comprar CDs, acho que vai ser cada vez mais difícil de colocar em prática, pq esse negócio de disco tá virando obsoleto. Basta ver que a Virgin fechou as portas. Eu ainda consegui umas boas pechinchas (incluindo um DVD com dois shows do Chet Baker) na Virgin da Union Square. Agora acabou. Mas NY tem muita coisa boa pra ser falada, a gente pode trocar muita informação. abs, t+

 
At 7:30 AM, Anonymous Anonymous said...

Terminei de ler sua resposta sob o Chet, e confesso que fiquei meio perturbada. Pensei, será que não entendi o que o homem estava falando até agora? Pensei, acho que a conversa não era tão superficial quanto deduzi a princípio. Aí fui lá de volta, e reli tudo, desde o início, cada palavra. Acho que entendi agora.

Voce me perguntou sobre a fase que eu gostava e contou o caso do cunhado, tendo em mente o que voce havia lido (os livros) e não gostado. Enquanto pra mim, era só uma pergunta. Mas voce queria na verdade, saber se a 2a fase, tão criticada, me agradava tambem. Vou procurar ouvir e depois te falo.

Falando um pouco sobre o seu desabafo de fã, não li e nem sei se vou ler os livros que voce citou, mas deu pra perceber que o que te chateia é a injustiça de martelar defeitos que comparados ao conjunto da obra não deveriam significar nada. Ou que o autor não é capaz de entender o que se passa com o retratado mas assim mesmo sai escrevendo o próprio ponto de vista sobre o assunto. É isso, mais ou menos? Se for, não me parece desabafo de fã sómente, mas desabafo por uma injustiça com alguém de que se gosta muito.

Deixa te explicar o que quis dizer com "não fui com a cara do Ruy Castro". Assisti entrevistas dele e sentia um certo quê de arrogância ou convencimento na fala. Não falta de conhecimento, ou inteligencia, mas arrogância que pessoas sábias e mais ainda , cultas, não deveriam ter ou nem mesmo sentir (na minha humilde opinião). Acho que é coisa de oriental, me incomoda demais isso. Os japoneses usam a palavra "namaiki". Mas também, totalmente subjetivo, né.

Viajei, agora. Vou parando por aqui. Não me ache muito doida.

Abçs,
Marta

 
At 5:34 PM, Blogger osvjor said...

Ei, Marta!

Não precisa levar tão a sério assim. Era um papo superficial mesmo, talvez eu tenha escrito demais, mas a gente não tem que ir pro fundo por causa disso, vamos ficar na superfície mesmo.

Eu perguntei de qual fase você gostava só por perguntar, por curiosidade, principalmente por vc ter dito que gostava do Chet cantando, e ele na fase madura, de um modo geral, estava em pior forma como cantor do que quando era jovem. Em contrapartida, como instrumentista, ele produziu coisas muito boas, superiores às da juventude -- e essa é origem da minha crítica ao Ruy Castro.

Quanto à minha crítica aos livros sobre o Chet e o Gershwin, é como vc disse mesmo. O autor se apega a um troço menor de uma forma meio exagerada. Isso não quer dizer necessariamente que os livros sejam ruins. A biografia do Chet feita pelo Gavin, por exemplo, é muito boa, eu recomendo. Só impliquei com umas coisicas, como uns psicologismos de botequim do autor, querendo mostrar as origens da suposta misoginia do Chet (afinal, todo mundo hoje é misógino e homofóbico, né?). Outro exemplo: o autor critica o músico porque, quando falhava uma nota, ficava olhando pro trompete, como se o instrumento fosse o culpado dele estar em péssima forma. Isso não tem nada demais: um trompetista olha pro trompete quando falha; um tenista olha pra raquete quando falha; e por aí vai. É uma boboquice. Na minha opinião, esse tipo de observação se deve ao fato do autor não gostar do biografado. Mas posso estar redondamente enganado.

Já a biografia do Gershwin escrita pelo Charles Schwartz é um pouco menos interessante. Lembro que eu na época conversei com o João Máximo sobre o fato do Schwartz ficar implicando com o Gershwin por ele se meter a fazer música clássica, quando o Gershwin foi um gênios antes de mais nada como compositor popular. Aí o Máximo me disse que o mesmo autor, Schwartz, na biografia que escreveu sobre o Cole Porter, insistia muito na questão do homossexualismo do Porter. Não sei porque não li. Uma biografia do Porter que eu recomendo é a do McBrien.

Se toda a loucura fosse achar que o Ruy Castro é namaiki ou não namaiki ou sei lá o quê, tava muito bom. Não se preocupe.

abs.

 
At 8:46 PM, Anonymous Anonymous said...

Boa noite (ou bom dia),

Desculpe a sumida (blog tem dessas coisas, né). é que estava lá, entretida, fazendo serviço de .... pedreiro! Acredite se quiser.

Imagina que tenho um pequeno ap em SP que está sempre alugado. Daí o ap desocupou e vi que alguns azulejos na area de serviço estavam empenando e se soltando. Fiz um orçamento, e o rapaz queria R$ 500,00 só de mão de obra pra colar 1 metro quadrado de azulejo! Achei um absurdo e resolvi colar eu mesma.

Mas o que isso tem a ver com o post? Então tenho 2 casais de amigos (dos tempos de facul) que moram perto de NY. Uma vez, fui passar férias lá e um dos casais havia comprado uma nova casa e estavam pra se mudar. Daí que lá se foi 1 semana das férias, lixando janela, pintando parede e ajudando na mudança. E olha que meus amigos são mestres e um deles PhD. É que lá a mão de obra pra esses serviços é cara e difícil de encontrar. Aí já é costume, cada um fazer o seu (quando possível).

Mas desde então aprendi que é gostoso fazer trabalhos na própria casa. Também tinha umas coisinhas pra colar, aqui e ali. Aprendi um monte de coisas que eu nem sabia que existiam! Foi ótimo.

Deixo pra falar sobre a morte dos CDs outra hora, é um assunto longo que gera muitos outros posts. Daqui a um tempo acho que vou ter que entrar de luto por causa disso ;).

Vou anotar as biografias que voce recomenda. Faz tempo que não leio uma. A ultima foi a do Federer ou do Chico Buarque.

Abçs,
Marta

 
At 5:36 AM, Blogger Juliana said...

Sou louca pra ir a Nova Iorque. O negócio da alfândega é sério? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

PS: linkei!

 
At 3:59 PM, Blogger Clara Lopez said...

Nossa, que conversa boa essa sua com a marta, amei tudo, não sei se li antes mas li agora, maravilha. só falta a amiga da marta morar em new haven e ser uma pessoa que conheci e dá aulas em yale :)
abraços,
clara

 
At 4:57 PM, Blogger osvjor said...

Clara, não sei quem é a Marta, é conhecida virtual, de um blog sobre tênis, mas me parece ser gente boa e ter bom gosto. Espero que ela volte a frequentar o espaço aqui, porque é do tipo que acrescenta e valoriza, né?
abs

 

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